Time do coração, amor à camisa e profissionalismo

O assunto do dia de hoje no futebol brasileiro foi: Kleber “O Gladiador”. Um dos ídolos do time do Palmeiras, e que foi revelado e criado durante nove anos no São Paulo, é na verdade corintiano. Ou era corintiano, pois foi divulgada pela torcida Gaviões da Fiel, imagem da ficha de inscrição do jogador quando ainda aos 18 anos, 10 anos atrás, se matriculou sócio da torcida.

No fundo, o que tudo isso significa? Nada. Mas em uma semana de clássico, Palmeiras x Corinthians, como se ainda precisasse disso, é mais um gás para apimentar a rivalidade.

Se pararmos pra pensar, quem em sã consciência alegaria que todos jogadores que defenderam São Paulo, Palmeiras, Corinthians e qualquer outro time grande, sempre torceram e torcem por esses times? É claro que com o tempo de casa, com as conquistas e com o respectivo sucesso, muitos abdicam de sua paixão de infância e criam sentimentos pelo clube em que defendeu a bandeira. Mas é claro que na grande maioria das vezes, os jogadores não trocam seu time de coração.

Quando crianças, por motivos de influência, de identificação, ou até mesmo sem explicação alguma, definimos um time a torcer, e quem realmente gosta de futebol, sabe que é quase, pra não dizer com certeza, impossível trocar de time em que gostamos e torcemos.  Mas o que isso influencia no rendimento do atleta? Em muitos casos, nada. E o caso do Kleber é um desses.

Qual Palmeirense não idolatra Kleber e sua garra, sua disposição e sua entrega dentro de campo? Creio que nenhum duvide de sua raça. Então qual é o problema dele torcer por esse ou aquele time? Pergunta feita em um programa de televisão hoje e que achei bastante pertinente. Vocês acham que ele não comemorará se fizer gol domingo no clássico? Tenho certeza que sim, e muito.

Outro caso exposto semelhante na mídia dias atrás, foi a exibição de uma foto do árbitro Marcelo de Lima Henrique com a camiseta do Flamengo. Foto essa já mostrada na grande rede desde o ano passado, mas neste caso específico, a torcida do Corinthians após um pênalti duvidoso marcado por ele em um jogo com o Atlético-MG, a utilizou como argumento para um possível favorecimento ao time carioca em plena disputa pela liderança do brasileirão com o alvinegro paulista.

Que juiz de futebol também tem paixão por algum clube, isso é inegável, mas até que ponto isso é relevante é uma questão a se discutir. Diferentemente do atleta, que veste a camisa de um time, seja o que ele torce ou não, o árbitro não pode de forma alguma ser influenciado por esse amor clubístico. E Marcelo de Lima Henrique não pode se dar ao luxo de vacilos como esse da exposição da foto. Uma pessoa com o cargo em que ele ocupa, muito mais que ser honesto, ele precisa parecer honesto. A Internet é um veículo de comunicação traiçoeiro, e personalidades públicas não podem esquecer de que é preciso privacidade total em certas situações particulares.

Situação semelhante vivem os jornalistas esportivos. Até que ponto pode-se declarar a qual time se tem simpatia? A partir do momento em que a exposição pública do clube do coração é notória, a imparcialidade do profissional da imprensa é posta muito mais em xeque do que os demais. Caberá a cada um comprovar sua qualidade profissional e cativar telespectadores, ouvintes e leitores, que mais do que nunca são influenciados por paixão, e com um grau de tolerância muito abaixo do comum com a imprensa.

No final das contas tudo não passa de uma luta diária para separar amor ao seu time de coração e sua profissão exercida. Todos nós apaixonados por futebol temos nosso clube do coração, só que 99% desses apaixonados não tem problema em declarar o seu amor exacerbado por um deles. Cabe aos privilegiados que podem ganhar sua vida e seu “ganha pão” através de uma função ligada a essa paixão, saber diferenciar o que acontece dentro e fora das 4 línhas.

 

 

 

 

 

 

 

 

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