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A hora da verdade

Objeto cobiçado por todos os jogadores.
Objeto cobiçado por todos os jogadores.

Hora de separar os homens dos meninos. Os adultos das crianças. Hora da onça beber água. Hora da cobra fumar. Dê o nome que quiser ao momento em que chegamos. Mas o fato é que depois de quase um mês de ótimos jogos e muita emoção, a Copa do Mundo FIFA 2014 está chegando ao seus derradeiros momentos.

Hoje e amanhã teremos os dois jogos que determinarão quais as seleções que jogarão a final. Que estarão a 90 minutos da glória, ou da desgraça. Muito já se falou sobre desfalques, reforços, especulações, vou tentar fazer uma rápida análise dos dois jogos, sem fugir de dar meus palpites.

Começaremos hoje falando de Brasil x Alemanha. Continue lendo A hora da verdade

Temos muitas opções

Muito tem se discutido sobre a falta de opções do banco da seleção brasileira, principalmente após o empate de hoje contra o México.

Acho que temos que separar vários assuntos diferentes.

Essa seleção que está disputando a copa ficou com um baita rojão na mão. Se pegarmos a idade de Neymar (22 anos), Oscar (22), Paulinho (25), Luis Gustavo (26), David Luiz (27), Hulk (27), etc, veremos que eles estarão (ou deveriam estar) no auge em 2018 (principalmente se pensarmos que os jogadores de defesa ficam melhores quando mais experientes). Mas então, por que a copa “caiu no colo” deles?

Ronaldinho (34), Kaká (32), Adriano (32), Robinho (30), Diego (29), Carlos Alberto (29), Alex Silva (29), Miranda (29), entre outros, simplesmente deixaram a peteca cair. Acho que podemos excluir da lista o Adriano, que é doente (para mim alcoolismo é doença) e o Miranda, que poderia muito bem estar nessa copa.

Tirando isso, onde estão os craques que deveriam estar levando a seleção nas costas? Evidente que não formaríamos uma seleção somente com jogadores acima dos 30 anos, mas se eles tivessem condições técnicas – e principalmente físicas, lógico que seriam os principais nomes, os jogadores que colocariam a cara a tapa nesta Copa do Mundo.

Partindo disso, acho que os jogadores que estão representando o futebol nesta seleção brasileira devem ser reconhecidos por uma característica que durante algum tempo esteve em falta no nosso futebol: personalidade. Você não vê nenhum jogador tirar o pé de dividida, fugir da responsabilidade, ficar em cima do muro. Até com uma certa marra, essa seleção “vai pro pau”, e ganhar ou não, dentro desta perspectiva, acho que é do jogo.

Posto isso, vamos analisar a seleção taticamente, para buscar entender melhor os pontos fortes e fracos dela. Teoricamente, o desenho tático da seleção (feito em um aplicativo porco de celular que eu não consegui exportar em jpg então veio um print mal feito mesmo) seria esse:

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Temos Julio Cesar no gol (que eu esqueci de colocar, mas nem faz falta, também), Dani Alves e Marcelo nas laterais fazendo a linha de defesa com David Luiz e Thiago Silva, Luis Gustavo e Paulinho no meio, Oscar armando, Neymar e Hulk nas pontas (trocando de lado permanentemente) e Fred isolado no ataque, mas recebendo apoio dos meias e laterais. Porém, sabemos que o time não fica assim bonitinho parado. Então tentei simular o comportamento da seleção em duas oportunidades: com e sem bola. Primeiro, como se comporta o Brasil quando tem a posse de bola.

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Daniel Alves e Marcelo vão para o ataque como (duas vacas loucas) se o jogo fosse acabar naquele lance (mesmo que aos 3 minutos de jogo), Luis Gustavo fica na defesa como se fosse um terceiro zagueiro, Paulinho sai para armar com Oscar, Hulk fica mais à direita para tentar puxar para a esquerda e finalizar (falta repertório, eu acho), Neymar fica na zona morta tentando fazer chover e o Fred é um cone, ou bonecão de posto, parado lá na frente. E defensivamente, como este time se comporta?

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Quando não tem a posse de bola, a seleção do técnico Luis Felipe Scolari costuma ter os dois zagueiros (monstros, diga-se de passagem, principalmente o David Luiz) presos na parte central, Luis Gustavo se matando para marcar em todas as direções, o Hulk se matando pra conseguir cobrir as costas do Daniel Alves (ou do Marcelo, quando está na esquerda), e o resto do time fica meio que olhando, com destaque para Daniel Alves e Marcelo, que desempenham bem o papel de cones na recomposição, fingindo que não é com eles e rezando para dar tudo certo.

O que eu vejo de bom nessa seleção:

– O apoio dos laterais (mas nem tanto). Não há uma jogada sequer em que Dani e Marcelo não estejam apoiando. Não deveriam ir ao mesmo tempo, é verdade, mas é a vida, não dá pra controlar os meninos, então aproveitemos a habilidade e visão de jogo de ambos. Acho que deveriam treinar mais cruzamentos e chutes ao gol. Toda hora entrar tabelando funciona no videogame (nem isso eu tenho conseguido, #chateado) mas no futebol de verdade costuma ser um problema, então aumentar o repertório de jogadas seria uma boa;

– Neymar Jr. O menino prodígio está jogando demais, não foge de nenhuma dividida e tem evitado cair. Com seu talento, não precisa de mais nada além de boa vontade e inteligência tática. Demonstra personalidade e é um dos jogadores que menos tem sentido o peso de jogar em casa.

– Oscar. Pode não ser o meia dos nossos sonhos. Pode não ser aquele jogador que chega no ataque com a força que esperamos. Mas comecem a reparar a quantidade de bolas que ele recupera no campo de ataque, e a partir daí temos muitos lances perigosos. Sem falar na inteligência dele, que muitas vezes parece escondido no canto mas está puxando a marcação para abrir espaço (que não está sendo aproveitado) para o Paulinho e os laterais.

O que não estou gostando nessa seleção:

– Laterais. Acho ótimo uma dose de irresponsabilidade, mas duas já soa meio como exagero. Dois laterais que avançam loucamente é quase um suicídio, no futebol moderno. Basta jogar alguém nas costas deles que é certeza de calafrio nos torcedores.

– Paulinho. Ok, ele é Corinthians (maloqueiro e sofredor), deu a Libertadores e o Mundial para nós, mas está mal na seleção. Porém, ao contrário da maioria que acredita ser uma questão técnica, vejo como um problema tático. Paulinho não é armador, não é válvula de escape de time algum. Ele é segundo volante, sua primeira missão é marcar, e só depois chegar como homem surpresa no ataque. Na seleção, ele não está marcando, e está com a responsabilidade de ser um dos armadores do time. Aí não vai rolar mesmo. Também acho que ele está muito sobrecarregado, porque toda hora tem que corrigir algum erro do Dani Alves. Mas talvez seja mais fácil sacar ele do time do que corrigir o problema estrutural da equipe.

– Fred e Hulk. Do Fred eu esperava muito mais, e é nítido que ele não está na sua melhor forma física – e como técnica não é o forte dele, não faz muito sentido mantê-lo no time (mas para colocar o Jô, continuo optando pelo cone). Quanto ao Hulk, acho que ninguém espera muito dele. Apesar dele ser mais que um jogador forte, ninguém acha que ele vai criar lances de extrema habilidade. E como ele não é de frustar expectativas, não está fazendo nada mesmo.

Como resolver tudo isso?

Não vou apontar nenhuma solução que envolva jogadores que não foram convocados, porque a essa altura do campeonato Inês é morta. Um Philipp Coutinho cairia como uma luva em jogos como hoje, mas não adianta ficar chorando pelo leite derramado.

Com o elenco que tem em mãos, o Felipão pode fazer alterações de jogador ou mudar taticamente. Como ele é teimoso e não treinou opções quando teve oportunidade (aqueles amistosos inúteis contra seleções inexpressivas seriam excelentes para isso) acho que ele vai no máximo trocar um seis por meia dúzia, mas vou listar opções aqui (vai que o Parreira lê o site…):

– Tirar um lateral e colocar um terceiro zagueiro. Isso diminuiria o número de bolas pelas pontas que a seleção leva e potencializaria o poderio ofensivo do lateral que restar no time. Eu, particularmente, tiraria o Daniel Alves, e colocaria o Dante. Isso já traria um equilíbrio interessante ao time, pois fortaleceria a defesa, daria mais tranquilidade para o Paulinho, e ainda reforçaria as descidas do Marcelo.

– Tirar os dois laterais e colocar dois zagueiros. Não, eu não enlouqueci. Além de trocar o Dani Alves pelo Dante, o Felipão poderia tirar o Marcelo e colocar o Henrique (aí é que mora o problema). Assim, David Luiz poderia assumir como volante, onde tem jogado nos últimos meses, ao lado do Luis Gustavo, teríamos Paulinho, Oscar, Neymar e Hulk com toda a liberdade do mundo para atacar e o nosso cone lá na frente para finalizar. Acho improvável e desnecessário, mas não é algo para se descartar completamente, pelo menos em alguns momentos de alguns jogos.

– Trocar o Daniel Alves pelo Maicon. Parece troca de seis por meia dúzia, mas não é. O Maicon sobe muito menos e defende muito melhor. Ganharíamos em marcação, mas o time ficaria meio penso pelo lado esquerdo, o que poderia ser resolvido se o Paulinho tivesse mais liberdade para atuar como ala direito (posição que ocupou várias vezes no Corinthians).

– Trocar o Fred pelo Bernard. Jogar sem um centroavante é algo que não conseguimos imaginar em um mundo no qual o Felipão é técnico. Porém, seria uma opção interessante. Aliás, a Espanha campeã de 2010 mostrou que é bem possível ganhar sem um atacante de ofício, até pela ausência de um matador (e agora pegaram nosso Jardel com grife, quebraram a cara e estão desesperados para ganhar do time do Valdivia, lamentável). O time ficaria bem mais leve, mais rápido, e o Neymar ganharia ainda mais liberdade para atacar. Em compensação, ficaríamos ainda mais dependentes do namorado da Marquezine.

Como vocês podem ver, são muitas as opções. Poderíamos falar sobre a entrada do Hernanes, que chuta bem de fora da área, do William (sei lá o que veem nele, acho que tem muito jogador melhor por aí), do Ramires, exceto do Jô, que realmente não deveria nem estar no grupo. O que não dá é pra dizer que a seleção não tem opções de mudar um jogo no decorrer da partida – desde que tudo isso acima seja treinado.

Tenho pra mim que quem comanda taticamente a seleção é o (pé de uva) Parreira, e o Felipão cuida da parte emocional.  Chega a ser assustador ver que a seleção não tem um plano B, não tem variação tática, mesmo com tantas opções dentro do elenco. Tudo isso deveria ter sido testado há muito tempo.

Mas isso só mostra o quanto somos desorganizados também dentro de campo, e do quanto precisamos de uma nova e boa geração de técnicos.

Acredito que a situação não é nem um pouco desesperadora. Empatamos com uma seleção razoavelmente boa, tem a pressão por estar jogando em casa, e pra mim é certa a classificação em primeiro lugar – que falta o México sentirá daqueles dois gols mal anulados.

Mas também não é pra achar que está tudo ótimo e que a seleção está evoluindo, como o Felipão disse várias vezes na coletiva de hoje. Tem que procurar entender o que está dando errado e corrigir – e algo me diz que ele vai trocar umas duas peças para o próximo jogo.

Ah, e antes de me despedir, o registro: o Julio Cesar é fraco, e não foi testado de verdade ainda na copa. Quando a bola chegou, via de regra rebateu para o meio da área. Isso me preocupa, e muito.

Mas eu já escrevi por demais hoje. E vocês, o que mexeriam e o que manteriam na seleção brasileira? Comentem!

O último jogo

Hoje a Nike Futebol lançou o filme “Último Jogo”, um vídeo de cinco minutos estrelado por gênios da bola como os craques Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney, Neymar Jr., David Luiz, Zlatan Ibrahimović, Andrés Iniesta, David Luiz, Franck Ribéry, Tim Howard e Ronaldo Fenômeno.

Na animação, a missão dos craques – incentivados por Ronaldo – é salvar o futebol das garras do O Cientista e seus clones “perfeitos”, que jogam sem arriscar e sem emocionar a torcida.

Dispostos a arriscar tudo, os ex-atletas propõem um novo desafio aos clones: o último jogo mata-mata.

Para saber quem leva a melhor nesta disputa, assista o vídeo :

O ‘Último Jogo’ foi produzido em parceria pela Nike, Wieden e Passion Pictures e dá continuidade à campanha #ArrisqueTudo que já reuniu os craques em uma única partida em “Quem ganha fica” e mostrou a pressão de entrar em campo em “Arrisque tudo”.