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Ainda há esperança

Pode-se dizer que foi uma oportunidade de ouro desperdiçada.

No campo rival, com pressão, o Corinthians conseguiu ser melhor que o Vasco, sobretudo no segundo tempo, e perdeu uma série inacreditável de gols que dariam uma vitória importantíssima no campeonato. É bem verdade que no primeiro tempo a equipe de São Januário foi bem melhor e que o empate não foi exatamente injusto, mas o destaque mesmo foi o futebol finalmente apresentado pela equipe paulista.

Com vários desfalques e a perspectiva de ser atropelado pelo líder, o Corinthians armou bem seu contra-ataque e quando conseguiu ter o comando do jogo foi pra cima, como se estivesse jogando em casa. Nem parecia time do Tite.

Destaque positivo para as atuações de Paulo André e Danilo, que mostraram que são jogadores que crescem em decisões. Pelo lado negativo, a inexplicável ausência de Chicão e a quantidade de gols perdidos pela William.

Com uma tabela teoricamente mais fácil pela frente, o Corinthians pode se aproveitar para retomar a liderança nas próximas rodadas e correr rumo ao título nesta reta final de campeonato. Futebol para isso, tem de sobra. Só não pode se complicar como fez na mesma sequência de jogos fáceis pelo primeiro turno.

Contando com a volta de Liedson, Emerson e a estreia de Adriano, o Corinthians se credencia de vez como favorito ao título, ao meu ver, ao lado do Vasco.

No final, ainda há esperanças.

Treinabilidade

Sim, o Corinthians ainda está na liderança.

Sim, o aproveitamento da equipe de Parque São Jorge é altíssimo.

Sim, o time ainda é favorito ao título.

Sim, as peças que estavam desfalcando o time estão voltando aos poucos, e em breve o treinador terá o elenco todo (ou quase todo) à disposição.

Não, não existe nenhum torcedor corinthiano satisfeito com o desempenho da equipe.

Talvez por trauma do que ocorreu no ano passado, quando um empate com o Ceará em casa (seguido de uma derrota para o Atlético-GO, também no Pacaembu) foi o ponto de partida da perda do título, o torcedor corinthiano já começa a olhar estranho para o time, que mais do que vencer, está tendo dificuldades para convencer.

Jogar contra o Corinthians é fácil. Marque os dois volantes, e não se preocupe pois principalmente nestes jogos em que o time joga sem um centroavante (Liedson e Adriano ainda estão fora por lesão – o primeiro jogou alguns minutos, o segundo não tem previsão de volta) a equipe tem muita dificuldade em colocar a bola pra dentro quando surge a oportunidade.

Quando sai na frente então, o time fica à imagem e semelhança de seu treinador, e volta para marcar atrás da sua própria intermediária, permitindo ao adversário pressionar e conseguir que a defesa corinthiana em um lance de desatenção – como no primeiro gol cearense – ou até mesmo de “bumba meu boi” – como no segundo gol – entregue o jogo lá atrás.

Algumas coisas me assustam na equipe corinthiana, e em minha opinião são os fatores que mais preocupam:

– Não há uma jogada ensaiada ou de ultrapassagem que o time tenha feito com sucesso nas últimas partidas. Ou o treinador não está sabendo passar isso para os jogadores, ou está treinando pouco, ou os jogadores não estão afim mesmo.

– O número elevado de contusões nos últimos jogos. Na lateral, por exemplo, Fabio Santos machucou, seu reserva, Ramon, se machucou também. Os dois atacantes fora de ação, Jorge Henrique visivelmente fora de sua melhor condição física, William em queda também (observe o desgaste apresentado por ele quando chega aos 20 do segundo tempo). Isto pode ser fruto da carga excessiva de jogos, mas não dá para fingir que não está acontecendo.

– A falta de poder de reação do time quando toma um gol. O Corinthians tem demorado muito tempo para se recuperar quando leva um gol (exceção feita ao gol do Alex hoje, um minuto após levar o empate), algo que não pode acontecer com o número de jogadores experientes do elenco.

– A imprecisão na hora de matar o jogo. Em vários jogos nas últimas rodadas o Corinthians começa bem, pressiona, mas ao abrir o placar, ao invés de manter o ritmo e matar o jogo ainda no primeiro tempo, recua e deixa o adversário crescer.

É necessário que o técnico do Corinthians faça alguma coisa. Não acredito que seja uma mudança de jogadores; o Liedson está voltando ao time agora e não tem muito mais o que mexer. Acredito que o problema seja tático e principalmente de postura. Está na hora do Corinthians mostrar que quer ser campeão e jogar como time grande. Na atual toada, uma classificação na Libertadores já será um grande prêmio de consolo, pois o título com certeza escorrerá das mãos corinthianas.

Líder sem consistência

Ok, vai parecer que sou mal humorado, corneteiro ou algo do tipo.

Mas o fato é que mesmo líder com um jogo a menos o Corinthians tem apresentado uma inconsistência muito grande. Após a vitória sobre o Sâo Paulo, a equipe do Parque São Jorge e venceu o Bahia no estádio de Pituaçu, por 1 a 0, gol de Chicão, de Pênalti.

Porém, apesar do que a posição na tabela pode sugerir, a equipe corinthiana não apresentou um futebol digno de elogios, principalmente no segundo tempo de jogo. Na primeira etapa, conseguiu segurar a bola no meio de campo e após um pênalti sofrido por Liedson, abriu o placar com o zagueiro-artilheiro. Já na etapa complementar, sofreu uma pressão completamente desnecessária por não conseguir segurar a bola no ataque e acertar 3 passes seguidos.

Alguns aspectos da equipe devem ser destacados:

– Mais uma participação muito boa dos atacantes Liedson e Wiliiam;

– O zagueiro Leandro Castán e o goleiro Julio Cesar também surpreenderam a Fiel torcida com excelentes atuações;

– Ficou nítida a necessidade do meio de campo corinthiano ser qualificado, devido ao exagerado número de passes errados;

– O meia Roger fez sua estreia ontem, mas ficou pouco tempo e não é possível analisar sua atuação.

Fora os aspectos acima abordados, podemos destacar também a confiança da equipe. Mesmo com uma atuação abaixo da crítica, ficou nítido que os jogadores, principalmente os de ataque, estão extremamente confiantes, fruto com certeza da goleada sobre o São Paulo.

E por falar em São Paulo, o time da Vila Sônia ontem… Bom, melhor deixar isso para meu colega Luciano Sant’Anna.