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Dossiê futebol/seleção nacional: torcidas organizadas

Para começar essa nova parte do dossiê, fica registrada a desculpa pela demora em dar continuidade, por conta de alguns problemas. Dito isso, vamos ao que interessa…

Esse novo capítulo será marcado por uma questão bastante controversa para alguns, mas que para mim resta muito pouca dúvida que é mais um malefício(dada a quase nulidade de pontos positivos em relação a elas) do que propriamente algo bom: as torcidas organizadas.

Pode até parecer exagerado dizer que elas sejam responsáveis também pela atual situação do futebol nacional, ainda mais se considerarmos que esse é um problema mundial(o de torcidas violentas, porém em outras partes do mundo as punições são enérgicas, ao passo que aqui…), porém ao olharo caso com mais atenção, veremos que elas tem uma parcela bem considerável de culpa.

Abaixo vou listar aqueles que considero os principais problemas em relação a elas:

– violência: sem dúvida o principal problema. Pegando pelo lado objetivo, isso afasta a torcida eventual(aquela que irá alternar entre jogo e outro, mas que garantiria o estádio sempre cheio), faz com que o time perca mandos de campo e consequentemente tenha prejuízo tanto no aspecto técnico como no financeiro. Além do fato de em horários de jogos fazerem a vida de pessoas que nem ao menos irão na partida um inferno, vide a total falta de respeito dessa gente com pessoas que não torcem pelos seus respectivos clubes. Coisa que honestamente mostra que eles não tem o mínimo de civilidade(em sua maioria), agem como animais.

– ameaças: não em relação a outras torcidas(isso fica na conta da violência citada acima), mas sim em relação aos jogadores. Quantos jogadores já não abandoram o clube em função disso? Muitos que as vezes apenas passavam por uma má fase, mas foram praticamente expulsos do time. Sem contar também o fato de que muitas vezes atletas deixam de ir para um clube por saber desse comportamento imbecil.

– massa de manobra política: muitos dirigente usam eles como forma de pressionar esse ou aquele dirigente ou mesmo esse ou aquele jogador que desagrada alguma ala da diretoria em troca de benefícios daquela ala, sejam viagens gratuitas, ingressos para jogos, entre outros.

– aproveitamento indevido: usam símbolos do clube(como por exemplo o escudo do time) para lucro próprio, sem que com isso a agremiação receba algo em troca, ou seja trás prejuízo para o clube, pois muitos desses “torcedores” gastam o dinheiro com esses produtos ao invés de gastar com produtos do clube e assim trazer mais renda ao mesmo.

– desrespeito: a mania de muitos deles de acharem que são mais torcedores do time que os outros, tratando muitas vezes a própria torcida com falta de educação, isso para não dizer a coisa lamentável de ter alguns que acham que podem ir lá dar “palestra” pra jogador(o que me impressiona são alguns dirigentes darem esse tipo de liberdade a eles).

O que mais me chama atenção(mas não me surpreende) é que durante essa semana que estava pensando sobre esse texto, acontecem mais coisas que dão razão ao que falo, que foi o protesto dos torcedores em frente ao Corinthians, com direito a presidente recebendo esses vagabundos. Os bandidos que armaram emboscada para os torcedores santistas(saldo dessa selvageria: um morto e outro internado em estado grave) e a torcida do Botafogo que invadiu o CT do clube e quase saiu na mão com os jogadores(em especial o Carlos Alberto).

Com exemplos como esses em apenas uma semana, o que dá pra se tirar de bom dessa corja? NADA!

Sei também que existem torcedores que até são de fato apenas torcedores, mas na minha opinião esses que tem como finalidade de fato apenas torcer pelo clube do coração, que se reúnam com amigos, com familiares, com quem quer que seja e vão assistir o jogo, porque definitivamente você ficar fazendo parte de algo que tá mais do que escancarado que não tem nada de bom a acrescentar, é no mínimo uma grande burrice.

O pior é diretor dessas torcidas dizer que eles tiram essa gente e que não tem como controlar e outras desculpas. Tudo balela, eles são sim é coniventes com essa gente que faz isso, pois se de fato houvesse algum interesse em fazer com que essas gangues de bandidos fossem tiradas das torcidas, eles o fariam, mas não fazem simplesmente porque não querem.

Lamentável ver clube dar ouvido a essa gente que além de não ter a menor noção de futebol, não pensam no bem do clube. Isso aí pra mim não é torcedor, pois se o cara realmente gosta, ama o time como diz, ele vai protestar sim, vai lutar por mudanças, porém não é com selvageria, desrespeito e agressão imbecil a torcedores rivais que isso será alcançado.

A impunidade que as autoridades tratam essa gente, a conivência dos clubes com atos violentos e a certeza de que nada de diferente será feito para que isso, se não acabar, pelo menos diminuir, é dos fatores principais que mantém essa bandidagem, arruaça e vandalismo ativos e sem nenhuma perspectiva de acabar. Pior para os torcedores comuns, que acabam deixando de ir ao estádio com medo de serem vítimas disso e acabarem até apanhando(e em casos mais graves sendo mortos) por essa escória, que se chega a tal ponto, sequer pode ser chamada de gente.

Uma coisa que li esses dias é sem dúvida uma das boas conclusões que se tira disso tudo: que bom seria se as pessoas tivessem essa mesma intensidade e agisse com essa mesma revolta em relação a política nacional, certamente se isso ocorresse, as coisas não estariam o lixo que estão…

Dossiê futebol/seleção nacional – STJD

Hoje continuaremos com o dossiê sobre o futebol nacional e uma das instituições que mais gera o descrédito no
nosso futebol: o STJD.

Nada mais político do que esse tribunal, que toma decisões sem nenhum critério, coloca muitas vezes casos iguais
com pesos diferentes e sempre analisa a punição de acordo com o peso de cada clube na CBF.

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Dossiê futebol/seleção nacional – dívidas dos clubes

Seguindo a série do dossiê, hoje vamos analisar a questão das dívidas dos clubes.

Em tempo: não vou aqui colocar números sobre dívidas totais de clubes, primeiro porque eles não divulgar, segundo porque muitas vezes vazam valores divergentes, que deixam muitas dúvidas sobre a real saúde financeira de cada um, então vou me basear na questão mais evidente: investimentos, sejam eles em estrutura, jogadores, base e os compromissos básicos, como salários e contas do clube.

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Dossiê futebol/seleção nacional – direitos de transmissão

Dando continuidade a análise de como o futebol brasileiro(por consequência a seleção, um dos maiores indicadores da clara decadência pela qual o futebol passa), vou passar por algumas coisas que acredito estarem entre as principais causadoras dessa porcaria que está ficando o futebol nacional, que irá desde o desmando dos clubes, lei pelé, direitos de transmissão, entre outros. Para começar, uma questão que gera discussões até hoje, com gente que ainda acredita que isso tenha sido o melhor negócio para os clubes.

Mostrarei aqui como as coisas da forma que foram feitas, foram de tudo, menos vantajosas para o futebol.

O ano de 2011 foi marcante, pois o CADE(Conselho Administrativo de Defesa Econômica) obrigou que houvesse uma licitação pelos direitos de transmissão do futebol brasileiro, que até então tinha praticamente uma renovação automática com a globo, que pagava o valor que bem entendia, deixando consideravelmente defasado em relação a outros clubes.

Seria feito de uma forma simples: seriam entregues as propostas fechadas, abertas e a melhor simplesmente levaria.

Até então, disputavam: globo, record e rede TV!. A record vinha forte e prometia uma proposta considerável para levar esses direitos e a globo já temendo a possibilidade de perder um produto forte e depois de perder as olimpíadas para a mesma, resolveu começar a se mexer nos bastidores.

O clube dos 13 já vivia um racha por conta de problemas entre o presidente corintiano na época, Andrés Sanches e o presidente da entidade, Fabio Koff. O então mandatário corintiano exigia receber mais pelo seu produto, em detrimento a diminuição do valor repassado a outros clubes, o que obviamente geraria uma maior disparidade. O presidente rechaçou a proposta, o que naturalmente enfureceu o dito dirigente.

Aproveitando-se desse fato, a globo já se aproximou dele e do dirigente do Flamengo para dar-lhes justamente isso: muito mais dinheiro em relação aos outros. Tendo alcançado seu objetivo inicial, cabia ao dirigente corintiano começar a demover os clubes de fazer a coisa pela forma correta(ou seja a licitação, que seria feita em bloco) e negociar em separado com a emissora carioca.

Pressionados, alguns clubes acabaram por acompanhar, temendo a possibilidade de ter problemas com acordos de patrocínio e publicidade e com “ameaças” do risco de perderem dinheiro por ir para uma emissora com menos exposição. Acabou que mais e mais foram indo, até pelo medo de “morrerem abraçados” ao já rachado clube dos 13.

Um dos últimos clubes a ir foi o São Paulo, pois este não concordava com esse modelo feito e principalmente acreditava que a negociação pudesse ser feita com termos mais igualitários aos clubes, com uma diferença menor do que é atualmente, porém vendo-se voto vencido, acabou por ceder e também fechar o acordo.

O acordo, olhando nos números “crus”, mostrou-se excelente, pois cada clube praticamente dobrou(e alguns muito mais do que isso) seu faturamento com esse tipo de renda, porém ao analisar a coisa mais a fundo, nota-se que a realidade não é tão bonita como pintaram dirigentes como o próprio Andrés(ele e seu time riem a toa com o bom negócio que fizeram, onde praticamente fizeram de trouxas os outros clubes que entraram nessa barca furada) e claro com o Flamengo, time preferido da emissora carioca.

Primeiro com a questão da disparidade de valores: a faixa que abrange Corinthians e Flamengo, tem um valor de quase 40 milhões a mais do que a segunda faixa, que engloba times como São Paulo, Palmeiras e Vasco, com Santos em uma faixa única recebendo 10 milhões a menos e isso muito se reflete também na questão das transmissões, onde os dois primeiros praticamente predominam na tv.

Gol contra dos que acompanharam os dois, principalmente do mesmo estado, pois abaixaram a cabeça e fizeram contratos que inclusive os prejudicam, já que uma menos exposição na tv naturalmente renderá menos dinheiro.

Segunda coisa foi a forma como os direitos foram vendidos: A globo tem direito a TUDO relacionado ao campeonato, ou seja tv aberta, fechada, internet e celulares. O plano do clube dos 13 na licitação era englobar apenas a transmissão em tv aberta, ou seja, além do valor recebido pelas transmissões em canais abertos, haveria também a uma considerável entrada de dinheiro das outras mídias quando fossem negociadas, verba essa que ficou paga no pacotão comprado pela globo.

Preciso explicar mais sobre tal burrice desse negócio? Consideremos que o valor final pago na transmissão tenha sido equivalente entre globo e record(já que estimava-se que o valor oferecido pela record era de 1 bilhão, que somados os pagamentos feitos pela globo em separado, chega-se a um valor de aproximadamente 840 milhões, ou seja ainda menos que o oferecido pela concorrente), o que cada clube perdeu por não ter negociado outras 3 mídias em separado, poderia ter alavancado consideravelmente o faturamento dos times.

Terceiro ponto é o dos horários dos jogos: times agora ficam chorando por ter de jogar as 22 horas, ou “depois da novela”, tanto que isso rendeu um aumento no horário do transporte público para que os torcedores pudessem voltar, aumentando assim a chance de maior público nesses dias de jogos.

Por acaso alguém se lembra que uma das propostas da record era de colocar o horário dos jogos as 20:30 durante a semana? Pois é, quem não lembra(ou não sabia) tem agora sua memória refrescada. E não é irônico que um dos maiores responsáveis pela manutenção desse horário ridículo, tenha sido justamente o que mais chorou por ter de jogar nele? Opinião minha que as coisas deviam ficar exatamente como eram, sem essa benevolência do estado para aumentar horário de metrô, assim esses clubes tem prejuízo por não poder levar o público que poderiam e pensam duas vezes antes de aceitar qualquer coisa.

Quarto ponto e esse beira o absurdo: sugiro a qualquer um que esteja lendo que busque na internet os seguintes dizeres “Allianz Parque Palmeiras” e depois digam se encontraram algum resultado. Conforme noticiado pelo jornalista Cosme Rímoli ao R7, apenas o corinthians tem esse benefício(isso claro se tivesse algum naming rights), porém não se estende a outros estádios. Tanto que se acha nas matérias da globo o estádio do Palmeiras(que já tem esse nome faz mais de ano) chamado simplesmente de “arena palestra”, além de estádios no nordeste que tiveram os naming rights comprados pela Itaipava e continuam a ser simplesmente chamados de “Fonte Nova” e “Arena Pernambuco”.

Aí vem a pergunta: por que apenas eles teriam tal benefício? E se os times, ou gestores do estádio que sejam tenham tido a competência de conseguir patrocinadores que dão nome aos estádios, por que não chamá-los pelo nome oficial? Mais um dos muitos absurdos que entram nessa conta…

Para não citar o peso que o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, na época ainda amiguinho da globo(antes de ter essa relação estremecida por conta das bobagens que falou para a revista Piauí e depois consequente denúncia da globo das suas irregularidades em diversos negócios como retaliação) teve nesse processo todo, até em função da influência dele sobre muitos clubes e claro do bom relacionamento dele com o presidente corintiano, Andres.

É necessário comentar sobre as motivações envolvendo esse ser nefasto? Ele mesmo ameaçou entregar gravações dele com o diretor da globo sobre as discussões desses direitos de transmissão(obviamente se ele ameaçou é porque não se trata de nada que visa o bem do futebol). Acho que por si só o nome dele envolvido já tornam desnecessárias maiores explicações…

Depois de tudo isso, tirem suas conclusões sobre o que de fato foi benéfico em toda essa negociação, quem de fato saiu ganhando, perdendo e o quanto o egoísmo e ganância de alguns(para não citar o dinheiro por fora que possivelmente rolou nessa história toda) continuam a levar o futebol nacional para o buraco.

Atualizando a situação:

Algo que foi noticiado na quinta-feira(7/8) apenas fica como a “cereja do bolo” de tudo que foi dito acima: a globo e os clubes irão se reunir para discutir mudanças no futebol brasileiro.

Cogita-se que a Globo quer a volta dos mata-matas, opção rejeitada pelos clubes(mas que não duvido que hajam vozes que apoiem isso, afinal lembremos o que houve na licitação), além de chance de haver discussão sobre valores de cotas(coisa que certamente a globo não irá mexer) e de investimento em categorias de base, entre outras coisas.

Nota-se claramente que agora a linguiça está comendo o cachorro, pois ao invés de os clubes discutirem e levar a proposta pronta, para ver se eles tem interesse ou não, simplesmente ocorre o inverso, com a emissora buscando e claro vendo seus interesses em tal discussão, que não necessariamente quer dizer que sejam interesses que beneficiem todos os clubes. É algo completamente patético.

 
Apenas nessa primeira parte da análise, já podemos ver como as coisas andam feias, e ainda vem muito mais por aí.