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Oscilação, a verdadeira “crise”

Domingo foi daqueles dias para serem esquecidos… Derrota, jogando muito mal, contusão do reforço mais trabalhoso e as cornetas soando a todo vapor nos lados palmeirenses depois do jogo contra o Guarani.

Deixando um pouco o jogo de lado, vale analisar que novamente já querem criar aquela tensão, clima de crise, que o time tá desandando, que o Felipão está ameaçado, que os jogadores não são tudo isso… menos né?

Primeira questão a ser analisada: quais os dois jogos mais importantes do time até o momento? Coruripe e Horizonte, que eram eliminatórios e válidos pela Copa do Brasil e o time conquistou 3 vitórias – 0 a 1 e 3 a 0 contra o Coruripe e 1 a 3 contra o Horinzonte, eliminando o jogo de volta. Ainda fazendo a ressalva que o último foi entre duas derrotas e mesmo saindo perdendo, o time teve calma e tranquilidade para virar e marcar o gol que classificaria direto, ou seja quando foi realmente pra valer, o time soube como reagir.

Segunda questão: a mudança do time. Vamos olhar o time d 2011 primeiro – Marcos(Deola), Cicinho, Thiago Heleno, Danilo(depois Henrique), Gabriel Silva(Gerley ou Rivaldo), Márcio Araújo, Marcos Assunção, Lincoln(Valdívia), Kleber, Luan, Welington Paulista(depois Fernandão ou Ricardo Bueno). Esse time foi mais ou menos o que jogava no início do Brasileirão, ou seja na última parte boa do time ano passado, antes das crises internas minarem o time. Agora o time d 2012 – Deola, Cicinho, Leandro Amaro, Henrique, Juninho, Márcio Araújo, Marcos Assunção, João Vitor(o ideal era o Wesley, mas pela contusão, já nem considerarei), Valdívia(Daniel Carvalho), Maikon Leite e Barcos. Olhando os dois times bases, são 6 mudanças, alguns até podem dizer que 3 deles já estavam lá, porém o futebol de Maikon, João Vítor e Leandro(esse tem jogado apenas de forma regular, nada de mais) era incomparavelmente pior do que o atual, ou seja o time está se readaptando.

O time contou com um fator surpresa de cara, que seria aquela coisa inesperada dos adversários, que se habituaram a ver o time do Palmeiras jogar de uma forma e do nada ele aparece mostrando um futebol diferente, o que acaba dando um tempo de resultados muito favoráveis por conta do “inesperado”. Porém isso tem um prazo de validade e os times aprendem como parar aquele estilo inicial, o que força uma readaptação e durante essa readaptção é que ocorrem essas oscilações. Foi por exemplo o que ocorreu com o Santos em 2010, que justamente nas finais contra o Santo André e nas finais da Copa do Brasil teve essa mesma queda de rendimento e quase jogou no lixo a brilhante campanha em ambas edições.

Terceira e pior questão: a mídia. O time nos últimos anos pegou o péssimo hábito de externar toda e qualquer rusga, por mais besta que fosse, para meio mundo ouvir/saber. Agora toda er fase de oscilação, já criam novas crises, que o grupo está rachado, e outras baboseiras… Isso sem contar matérias maldosas, que criticam o time por momentos infelizes, como a contusão do Wesley, tratando como se a culpa de um baita azar, fosse de fato do clube. Esse tipo de jornalismo é algo realmente revoltante, já que eles preferem especular qualquer coisa que soltam, sem ir averiguar se de fato procede a notícia, apenas para vender mais jornais, ou conseguir mais audiência.

O time passa por uma oscilação que todos os times tem, porém graças ao histórico recente, tudo é tratado como tempestade, ainda sim vejo esse time com condições de  fazer um bom papel nessa temporada e claro contando com o retorno dos contundidos e com as contratações prometidas pela diretoria.

Em tarde de Barcos, Palmeiras “encalha” contra São Paulo

O Choque-rei foi o que podemos chamar realmente de clássico: um jogo emocionante, com diversos lances de perigo e belas jogadas.

O jogo em si mostrou dois times que primaram principalmente pela ofensividade(pois é, o time do Felipão estava jogando pra frente), isso mesmo com a aposta inusitada de tirar o Patrik e por o João Vitor de titular. Interessante ver que mesmo sendo um dos jogadores que mais critico dos que jogam com frequência(e mantenho ainda sim o que digo), tenho de reconhecer que ontem ele fez uma baita partida, pois além de executar bem seu papel na defesa, conseguia ajudar bem o ataque, inclusive sendo dele o lance que originou a falta do primeiro gol. Lance cobrado com maestria pelo Daniel Carvalho, que novamente fez boa partida, pena que ao final do primeiro tempo passou mal com o calor e depois seu rendimento despencou.

Como nem tudo são flores, a defesa falhou bisonhamente no lance do gol do São Paulo, onde ninguém marcou o Cícero, que foi livre para empatar. O que se viu após, foi o Barcos tornando-se o destaque do jogo, primeiro que ele já vinha criando chances, que acabaram coroadas quando ele recebeu o passe do Maikon Leite, driblou na área e chutou para desempatar.

Com o segundo tempo marcado por um pênalti que não foi(achei mais cena do que toque de fato), Willian empatou e já em um momento que o São Paulo vinha criando mais, o Barcos de novo apareceu em bom cruzamento do Assunção, dominou na pequena área e com calma fez o terceiro. A vitória apesar de tudo não veio graças ao belo gol do Fernandinho.

Dando esse breve resumo do jogo, dá pra fazer as considerações que acho mais interessantes. Primeiro que o que foi visto, dá pra dizer que é animador. Dois dos principais jogadores do time(Cicinho e Marcos Assunção), fizeram uma partida terrível, o Cicinho estava mal no apoio e toda hora levando bola nas costas e o Assunção esteve péssimo nas bolas paradas(errou praticamente todas) e ainda estava nervoso, tendo cometido muitas faltas, coisa que normalmente ele não faz. Isso acontecendo no ano passado, era derrota na certa, porém no domingo o que se viu foi que outros jogadores chamaram a responsabilidade: Daniel Carvalho(pelo menos no primeiro tempo) e principalmente do Barcos, que até vale uma análise em especial.

Quando ele chegou, alguns ironizaram, outros supervalorizaram, alguns secaram e eu preferi esperar para ver. O retrospecto dele na LDU era animador, mas ainda era necessário ver o que ele poderia fazer por aqui e confesso que tenho visto até mais do que eu esperava. Tinha expectativa de um trombador que ia ficar esperando a bola na área e quando tivesse chance ia marcar um ou outro, porém o que tenho visto é muito diferente. Ele sempre vai buscar jugo, sabe se posicionar, é alguém com quem se pode fazer uma tabela e faz de maneira eficiente o papel de pivô(principalmente para o Maikon Leite, que cresceu muito jogando ao seu lado). Ele vinha jogando bem, mas eu queria vê-lo em um jogo grande, como um clássico por exemplo e ele além de chamar a responsabilidade, na hora da decisão, ele mostrou calma e frieza como há muito não se via no ataque alviverde. Os dois gols no clássico foram típicos de jogador de decisão, que na hora que precisa, ele não se abala, mantém a cabeça fria e faz o que sabe. Já são 4 gols marcados desde sua estréia e apesar de ainda não ter havido um jogo efetivamente decisivo, ele vem dando mostras que chegou pra assumir definitivamente a condição de “homem-gol” do Palmeiras e cumprir(e talvez até passar) da sua promessa de 27 gols no ano.

Único ponto negativo de ontem foi a defesa, que falhou demais e permitiu ao São Paulo em todas as vezes buscar o empate. O Felipão costuma primar por times com defesas sólidas, porém o Leandro Amaro continua se mostrando muito inseguro, o que sobrecarrega o Henrique, que apesar de bom jogador, não consegue garantir um “meia boca”. Outro ponto complicado foi o Deola, que estranhamente vem sentindo o peso de ser titular com a aposentadoria do Marcos. Vem rebatendo bolas estranhas, mostra-se inseguro nas saídas de gol e ainda tem falhado em alguns gols que o time tem sofrido. Estranho que ano passado uma das coisas que mais me chamava atenção nele, era o sangue frio, coisa que parece vem sendo esquecida. Melhor para o Bruno, que já vinha esperando sua chance e com esse mau momento dele, pode acabar assumindo a vaga de titular e não mais sair. É aguardar o próximo jogo para ver a opção do Felipão nesse caso.

Estréias e vitória, apesar da defesa

O Palmeiras hoje conseguiu um bom resultado e saiu de campo líder(pelo menos até amanhã) depois de uma vitória sofrida contra o fraco XV de Piracicaba. Apesar da cornetagem sobre a defesa(que de fato jogou muito mal), vamos lembrar que: a defesa hoje era: Artur, Henrique, Maurício Ramos e Gerley, ao passo que domingo era: Cicinho, Henrique, Leandro Amaro e Juninho, ou seja, era praticamente uma defesa reserva e a falta de ritmo e desentrosamento são até que compreensíveis, ainda mais considerando que é ainda o sexto jogo da temporada, sendo assim, farei apenas algumas considerações acerca do caso:

– O Deola falhou de forma bisonha no primeiro gol, porém nada que seja motivo de vaias(como ocorreu ao final do jogo). Ele é um goleiro seguro, e não tem por hábito ser estabanado, muito menos caçar borboletas, porém as vezes falhas acontecem e ele acredito que tenha crédito, ainda mais porque o time saiu vitorioso e ele também fez boas defesas.

– Maurício Ramos fez um lance ridículo ao chutar para o próprio gol uma bola que estava quase nas mãos do Deola. Dentre todos ali, ele é um dos poucos que deveria saber aproveitar melhor a chance, já que ele já tem muito tempo de clube e se quer recuperar a posição, não será jogando de forma insegura e com erros como esse que ele irá conseguir.

Indo ao jogo propriamente dito, dá pra ver uma coisa de positivo: o time tem mais recursos e opções, pois mesmo sem o Valdívia, que no ano passado, a cada jogo dele fora, era uma tristeza o setor criativo alviverde, hoje com o Daniel Carvalho(que a cada jogo vem mostrando melhor futebol), o time consegue manter o nível e ter boas opções de jogadas pelo meio também, o primeiro gol aliás foi a prova dessa mudança, com o Fernandão fazendo o papel de pivô(como bem disse sobre a vantagem dele no jogo de corpo) e passando para o Daniel Carvalho, que em boa jogada, passou pelos marcadores e tocou no contrapé do goleiro. O jogo com isso dava a entender que seria mais tranquilo, já que o time criava jogadas e parecia apenas questão de tempo até que ele aumentasse a vantagem, porém na falha já citada do Deola, o XV empatou e aproveitou-se da defesa reserva(que contava com a estréia de Artur) para levar perigo em contra ataques.

O segundo tempo marcou pela participação do sempre decisivo Marcos Assunção, que em mais um primorosa cobrança de falta, pôs o time novamente a frente. Novamente parecia que o time teria sossego, porém em mais um dos surtos de mexidas inexplicáveis, Felipão tira o Patrik(que de fato nem vinha jogando grandes coisas) e põe o sempre inexpressivo João Vitor, que  mais uma vez entrou e nada fez. Pouco depois promoveu a estréia mais esperada até o momento: tirou o Fernandão e pôs o Hernán Barcos, que teve uma atuação apenas discreta, primeiro pelo fato de estar fora de ritmo ainda, segundo porque não muito tempo depois, o Felipão tira o Daniel Carvalho e põe o Chico(me pergunto aqui: e o Pedro Carmona, que foi feito um baita esforço para que ficasse, não poderia ter entrado?) e com esse meio campo pavoroso, com 4 volantes, só podia mesmo dar m…: em jogada toda marcada por falha de marcação, o XV empatou com um ridículo gol contra de Maurício Ramos(aquele já citado também) e novamente dependemos do pé salvador de Marcos Assunção, que em outra precisa cobrança de falta, pôs a bola na cabeça do estreante Artur(que por sinal fez uma partida até que bem razoável, nada muito chamativo, mas também não comprometeu) para fazer o gol que selou a vitória palmeirense, mas não sem antes sofrer uma pressão desnecessária por parte do XV, pois já que não havia quem ligasse o meio com o ataque, o time vivia de lançar bolas e dá-las nos pés dos jogadores do XV, que aproveitavam e levavam perigo ao gol do Deola, que saiu-se bem, mostrando que mesmo com a falha no lance do primeiro gol, não se deixou abalar.

O jogo em si valeu pelas estréias(Barcos e Artur), para mostrar que o Palmeiras agora finalmente parece ter uma alternativa as inúmeras lesões do Valdívia, pois quando o Daniel Carvalho estiver 100%, será muito difícil tirá-lo do time titular e que a pontaria do Assunção continua como sempre.

Analisar a estréia do Barcos é difícil e até mesmo injusto, pois como esperar muitas jogadas de alguém que logo depois que entra, o técnico tira o único meia criativo do time e põe um volante de marcação, por conta disso, dá pra dizer apenas que valeu pela estréia propriamente dita e só.

O Maikon Leite vem mostrando-se peça importante para acelerar os ataques do time e apesar de ainda não estar na plenitude técnica(ainda vem errando muitos lances que não costuma errar) é outra peça importantíssima do time.

Começo de ano ainda é muito precipitado para se dar algum veredicto e o Paulista não é lá um grande parâmetro, porém o aumento de opções na montagem do time, dá mostras de que esse ano pode ser muito mais tranquilo do que o passado e principalmente que se possa almejar melhores resultados, porém isso passará pelas contratações prometidas pela diretoria, pois principalmente no caso do brasileiro e copa sul-americana, o elenco ainda é pequeno, porém para esse comecinho de ano, ele vai dando conta do recado.