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Curiosidades – Maldição dos campeões mundiais europeus

Ano de 2014, copa no Brasil, Espanha eliminada na primeira fase e uma maldição que se iniciou com a França, continua a assombrar os times europeus: vencer uma copa do mundo e na seguinte dar vexame de ser eliminado na primeira fase em seu grupo.

Há alguma semelhança entre os casos? Ou seria apenas um novo tipo de praga a assolar os times europeus? Vamos analisar então cada um dos casos.
França

Em 1998:

O time base era: Barthez, Lizarazu, Leboeuf, Desailly, Thuram, Karembeu, Djorkaeff, Zidane, Petit, Deschamps e Guirvach.

Na copa – O time era excelente, porém o ataque como se nota era patético, pois quando o Guirvach não jogava, entrava o Dugarry, de nível muito contestável também e Henry e Trezeguet ainda estavam “verdes” nessa época.

Resultado – Campeã em 1998 em cima do Brasil por 3 a 0

Em 2002:

Grupo da França – França, Senegal, Uruguai e Dinamarca.

Time base era: Barthez, Thuram, Desailly, Leboeuf, Lizarazu, Petit, Vieira, Zidane, Djorkaeff, Henry e Trezeguet.

Na copa – O time que já era muito bom, conseguiu dois matadores de primeira linha, que vinham ainda em excelente fase na época e pegou um grupo que pelo nível do seu time não tinha nada de especial, pois contava com um Senegal novato, Uruguai com um time bem meia boca(se salvava o Recoba só) e uma Dinamarca que nem de longe lembrava a de 98, pois já haviam se aposentado os irmãos Laudrup e o Schmeichel.

Resultado – eliminada na primeira fase perdendo de 1 a 0 para Senegal, empatando em 0 a 0 com Uruguai e perdendo de 2 a 0 para a Dinamarca

zidane eliminado

Avaliação – O time chegou com excesso de confiança e muita, mas muita soberba e mesmo com uma seleção com totais condições de ganhar o título, acabou parando em um grupo médio, por simplesmente achar que poderia ganhar a qualquer hora. Os jogadores do time vinham em boa fase ou pelo menos em uma fase razoável e mesmo os veteranos(caso por exemplo de Desailly), não vinham comprometendo. Caso clássico do time que perde para ele mesmo.

 

Itália

Em 2006:

O time base era: Buffon, Cannavaro, Materazzi, Zambrotta, Grosso, Gattuso, Perrota, Camoranesi, Pirlo, Totti e Toni.

Na copa – Certamente um dos campeões de futebol mais feio das últimas copas(eu diria até mais feio que o Brasil de 94), parecia adepto do estilo “melhor ataque é uma boa defesa” e terminou campeão tendo levado apenas 2 gols(o que mostra que apesar de tudo foi muito eficiente), não para menos que nesse ano o zagueiro Canavarro foi eleito o melhor do mundo(com muita justiça diga-se, pois ele jogou demais). Vale destaque para Buffon, Totti e Pirlo, que fizeram excelente copa também.

Resultado – Campeã em 2006 nos pênaltis sobre a França.

Em 2010:

Grupo da Itália – Itália, Eslováquia, Nova Zelândia e Paraguai.

Time base era: Buffon, Zambrotta, Cannavaro, Chielini, Grosso, De Rossi, Camoranesi, Marchisio, Pirlo, Gilardino e Iaquinta

Na copa – Diferente da França, o time italiano, que já era feio, conseguiu ficar ainda pior, pois além de não ter conseguido renovar sua seleção(apostava ainda nas estrelas do título passado, que já não vinham mais em tão boa fase), além de ter perdido o pouco talento ofensivo que tinha, no caso com Totti. Pegou um grupo fraco, com a inexpressiva Nova Zelândia, a mediana Eslováquia e o bom time do Paraguai. Com um grupo desses, mesmo com o time meia boca que tinha, o mínimo era passar da primeira fase, nem que fosse para cair nas oitavas(haja visto que pegaria Espanha ou Suiça, que vinham com bons times).

Resultado – eliminada na primeira fase empatando em 1 a 1 com o Paraguai, 0 a 0 com a Nova Zelândia e perdendo de 3 a 2 para a Eslováquia.

buffon eliminado

Avaliação – Não dá para dizer que o time entrou com soberba como foi no caso da França, o time era simplesmente ruim, entretanto a eliminação não dá pra se justificar apenas por isso, pelo simples fato de que não caiu em nenhum grupo da morte ou coisa do tipo. Olhar seleção por seleção dá para dizer sem dúvida que foi um vexame maior que o da França, porém as condições para um bom papel eram muito piores que as do selecionado francês.
Espanha

Em 2010:

O time base era: Casillas, Sergio Ramos, Pique, Puyol, Capdevila, Busquets, Xabi Alonso, Xavi, Iniesta, David Villa e Pedro.

Na copa – Campeão daqueles que todo mundo considerava justo, talvez o primeiro em tempos(nem Itália, Brasil, França apenas para ficar nos últimos, tinham esse favoritismo). O time veio de uma conquista da euro, tirando a pecha de fúria amarelona e na copa, com o futebol que vinha de um período de sucesso destacado pelo Barcelona, que levou o “tiki-taka” para o mundo. Estilo muito eficiente, mas que eu particularmente acho extremamente tedioso. Foi muito eficiente durante toda a copa(apesar de um ou outro percalço), tanto que até a final tinha uma posse de bola muito superior a de todos adversários. Justo na época por sem dúvida ser o melhor futebol.

Resultado – Campeã em 2010 vencendo a Holanda na prorrogação por 1 a 0.

Em 2014:

Grupo da Espanha – Espanha, Holanda, Chile e Austrália.

Time base: Casillas, Azpilicueta, Sergio Ramos, Pique, Jordi Alba, Busquets, Xabi Alonso, Iniesta, Xavi, Pedro e Diego Costa.
Na copa – O time da Espanha nessa copa pode-se dizer um misto do que foram França e Itália, pois era um time envelhecido, com jogadores que foram destaque no mundial passado já não mais em tão boa fase(Xavi talvez seja o maior exemplo), além da soberba que dominava o time(Casillas chegou a declarar que estavam vindo para cá apenas para buscar a taça). O grupo mostrava ter sérios problemas de ego, além do notado problema do técnico de não mexer no time nas peças que já mostravam não estar rendendo, talvez por gratidão, talvez medo ou simplesmente teimosia. Perdeu de forma vexatória para a Holanda e ao tentar mudar um pouco o time para o jogo contra o Chile, numa tentativa desesperada de dar um chacoalhão no time, já era tarde… o time continuava insosso, foi dominado e perdeu.

Resultado – eliminada na primeira fase tendo perdido de 5 a 1 para a Holanda, 2 a 0 para o Chile e vencendo a Austrália na despedida por 3 a 0.
Avaliação – Despedida melancólica daquela que foi a melhor geração da história da Espanha. Jogadores como Fernando Torres, Villa e Pedro(um pouco menos o Villa) já vinham em má fase, ao contrário do Llorente e Negredo que fizeram boas temporadas pelos seus times. Xavi fez uma péssima temporada, diferente do Koke que foi dos destaques do Atlético de Madrid. Talvez levar algumas das peças, mas modificar o time titular como forma de deixar o time mais dinâmico seria uma excelente alternativa. O sistema de troca de passes nessa copa nada mais era do que um toca pra lá e pra cá sem objetividade nenhuma. Time lento onde jogadores pareciam achar que o time marcaria a qualquer hora e depois de ver que a coisa não era assim, sucumbiram ao nervosismo e da falta de alternativas, pois quando tiveram de sair da sua zona de conforto simplesmente não sabiam o que fazer.