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Queria ver o campeão

Tem uma coisa que eu odeio no futebol: reclamações de bairrismo movidas pelo complexo de inferioridade de algumas pessoas. Via de regra, reclamam que o destaque para os times de São Paulo e Rio de Janeiro é desproporcional aos resultados obtidos em campo.

Discordo. Os números estão aí pra provar que não é bem assim. Mas… (sempre tem um mas). Continue lendo Queria ver o campeão

O dia que o mundo parou para ver a bola rolar na Arena São Paulo

A previsão do tempo para a última quinta-feira (12), Dia dos Namorados, era de chuva.

Acordei bem cedo, já que antes das 8h da manhã tinha que atravessar a cidade. Tinha que sair da Zona Sul e seguir sentido Zona Leste, até Itaquera.

Neste dia, meu posto de trabalho não seria um escritório. Minha jornada de trabalho seria na Arena São Paulo – também conhecida como Arena Corinthians.

Além de colunista deste site  e assessora de imprensa, fui selecionada pela FIFA para ser voluntária da Copa do Mundo na área de transportes.

Meu posto exigia muita cautela e responsabilidade. Iria organizar a chegada e estacionamento dos carros e ônibus da imprensa, do broadcast e, depois descobri, apoiar a chegada da presidente Dilma e de outros Chefes de Estados. Mas não é sobre isto que quero falar.

No meu posto de trabalho, apesar da correria, tive uma visão privilegiada da entrada Leste do estádio. Ao longo do dia, acompanhei a transformação do local.

Aos poucos, agentes da CET, policiais e voluntários foram tomando as ruas, organizando os fluxos, fechando e/ou abrindo caminhos.

O sol nesta hora já nos brindava com sua plenitude. Perto das onze horas da manhã, camisas amarelas começaram a dividir espaço com o vermelho e branco dos croatas. Perto do meio-dia, eles já eram muitos. E animados! Chegaram confraternizando, fazendo festa e hasteando suas bandeiras.

Já os brasileiros eram mais tímidos, reservados, parecia até que estavam com medo de comemorar antes. Alguns até se aproximavam, interagiam, mas muitos seguiam para as filas, enquanto os croatas festejavam e festejavam.

Nunca vi tanto croata junto!

O tempo foi passando e a movimentação na rua ficava cada vez mais intensa. Os brasileiros, como sempre, deixam para chegar mais em cima da hora mesmo. E por isto, a fila ficava cada vez maior.

Enquanto isto, passavam por mim, repórteres do mundo todo. Alguns perdidos, outros achando tudo muito bagunçado e outros animados com a alegria do momento. Até o polêmico Carlos Valderrama , ex-jogador da Colômbia e atualmente comentarista esportivo, deu o ar da graça onde eu estava.

De fato, nesta hora, já dava para dizer que o mundo estava de olho no Brasil. Pelo menos já tinha atendido jornalistas de vários locais do planeta!

Já na hora do meu almoço, dentro do estádio, pude ver a decoração da festa de abertura ser montada. O tapete que cobria o gramado ia aos poucos sendo desenrolado. A emoção já era grande. Não pude deixar de pensar: “Se estou ansiosa, imagina o Neymar!”

Mais para o meio da tarde, fui deslocada para outro ponto de trabalho. De lá, tinha uma visão melhor do estádio. Até os gritos da torcida conseguia ouvir.

Dali também conseguia ver a festa dos torcedores “sem-ingressos”, que ficaram parados na barreira montada especificamente para organizar isto. Posso garantir, ali, neste local, a festa era igual e emocionante como deveria estar lá dentro do estádio.

Não vi a tão polêmica cerimônia de abertura. Só ouvia a vibração da galera. Confesso que não senti falta de ouvir o trio de cantores escolhido pela Fifa para cantar o tema da Copa. Eita música mais sem graça!

Voltando ao que interessa. Lá de longe, pude ouvir a torcida brasileira cantando a plenos pulmões o nosso hino nacional. Que coisa mais linda. Me emocionei!

Virei para o lado e meus colegas de trabalho também estavam emocionados. Um dos voluntários, solitariamente, colocou a mão no peito e repetia bem calmamente os refrões do hino. Não pude deixar de notar a emoção que ele sentiu.

Eu que sou meio supersticiosa, olhei para o céu neste momento e não pude deixar de notar que no céu, o sol foi dando espaço para uma lua cheia irradiante e inspiradora. Era um bom sinal, com certeza.

Depois do show da torcida nas arquibancadas, o gol contra do Marcelo foi quase um detalhe. Aos poucos, os gols que decretariam nossa vitória foram tomando forma e saindo dos pés dos nossos craques.

Vi alguns lances do primeiro tempo pelo celular do gentil segurança que nos acompanhou na árdua tarefa de organizar o estacionamento.

Fiquei pensando e refletindo, como antigamente era emocionante ouvir partidas de futebol pelo rádio. E não é que em plena era da tecnologia, eu fui salva pelo celular com tv do segurança!

Mas confesso que uma das maiores emoções deste dia inesquecível foi quando entrei no estádio no intervalo do segundo tempo. Após cumprir minhas obrigações como voluntária e ser liberada do trabalho, pude ver alguns momentos do jogo.

Tive o privilégio de ver o gol de pênalti cobrado pelo Neymar e garanto: nunca mais vai sair da minha cabeça aquele momento. O estádio cantando e vibrando pela virada. Nem os jornalistas que cobriam o evento ficaram imunes ao momento. E vibraram feito torcedores!

Só vi alguns trechinhos do jogo e não vi a partida até o final. Mas não precisava. Como muitos que estão aqui lendo este texto, eu já estava realizada. A Copa do Mundo 2014 é aqui e está sendo inesquecível.

Assim como uma geração lembra até hoje do mundial de 50, a minha geração poderá se orgulhar de ter visto e vivido cada um dos minutos segundos do dia 12 de junho de 2014.

Um dia dos namorados diferente: abençoado pelos céus – com um sol e uma lua para gringo nenhum botar defeito – e que perpetuou a paixão do brasileiro por nossa seleção!

É por isto que eu canto feliz:  Eu sou brasileira, com muito orgulho, com muito amor

 

Resumo da abertura