Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique e a extinção do futebol brucutu

Daqui a pouco, ás 15h45, o time do Real Madrid entrará em campo para enfrentar o Sevilha pela final da Supercopa da Europa. Será a primeira partida do time merengue na temporada e a tão aguardada estreia de James Rodrigues e Toni Kroos.

O jogo não marcará apenas a estreia dos dois craques, possivelmente os dois melhores jogadores da última copa do mundo. A final será o enterro definitivo da posição de volante tradicional, contenção, marcação, o famoso brucutu.

A dupla de volantes que começará o jogo será Modric e Kroos, ambos meias de criação mas que em seus clubes circulavam bastante pelo meio de campo transitando entre ataque e defesa e que com o tempo foram recuados a posição de volante.

Essa escalação do time que nada mais é do que o atual campeão da UEFA Champions League mostra que no futebol moderno não há mais espaço pro jogador que não sabe tocar bola, que não tem domínio dos fundamentos e que resumidamente no popular não sabe jogar bola. Por outro lado esse cenário mostra que também não há mais espaço pra jogador que não sabe cumprir seu papel taticamente, não faz a função determinada, que não corre e não preenche espaço.

É verdade que não podemos caracterizar esse atual real madrid como o primeiro a extinguir a posição de volante marcador. O próprio Bayern de Munique jogou um bom tempo com Schweinsteiger, Kroos, Ribery, Muller, Robeen e Mandsukic, e o barcelona muitas vezes jogou com Xavi, Iniesta, Fabregas, Messi e dois atacantes, seja Sanches, Neymar ou Pedro.

Também não podemos dizer que os volantes característicos do elenco do Real Madrid sejam desprovidos de habilidade, pois hoje, por exemplo, estarão no banco os ótimos Xabi Alonso e Khedira.

Essa propensão ao jogador habilidoso, essa preferencia a quem sabe o que fazer com a bola é o final da parábola que começou com o futebol arte até os anos 60 e foi retrocedendo nas décadas seguintes em decorrência do preparo físico e que chegou até esse momento com a recuperação do futebol bonito e o retorno ás suas origens.

Que caiba uma colocação muito importante aqui. Estamos falando de Barcelona, Bayern de Munique e Real Madrid que são os 3 times que controlam o futebol europeu atualmente muito acima dos demais. No âmbito seleções podemos também representar as duas últimas campeãs mundiais Espanha e Alemanha que não possuiam nenhum jogador “grosso” em seus selecionados.

Que isso sirva de exemplo e estímulo para os clubes do mundo todo. Nesse momento em que o preparo físico chegou a um ponto surreal, será a preferência por jogadores habilidosos que fará a diferença. Vide o cruzeiro que possui um elenco de jovens e veteranos muito bons tecnicamente e que cumprem todos os seus papéis táticos.

Outro exemplo que nos dá uma esperança é a tentativa de Muricy Ramalho no São Paulo de fazer com que Ganso, Kaka, Pato, LF e Kardec se encaixem e produzam sem que ele tenha que desperdiçar talentos em preferência a marcação exclusivamente.

Tomara que a copa do mundo traga esse legado ao futebol brasileiro, isso é o que a gente espera.

 

 

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