Qual o fim do túnel para o SPFC?

Muitos tentam entender qual é o problema do São Paulo Futebol Clube. Os mais acomodados diriam, como assim problema? O time está em 3º no Brasileirão e apenas 3 pontos atrás do líder, com um turno todo ainda pela frente.

Se pararmos para analisar essa colocação é sensata, mas não condiz com a história do time e principalmente do que ele produziu nos últimos anos. O time que se autodenomina time de 1º mundo, supercampeão, com estrutura, ética, organização e tudo mais, tem jogado todos esses elogios no lixo nos últimos três anos.

Creio que para entender onde se perdeu o rumo dentro do SPFC, é preciso inverter a pirâmide e ter a total convicção que o menor dos problemas é dentro de campo. Um clube de futebol para que seja vitorioso nas quatro linhas, carece muito mais que “jogar bem”. Esse jogar bem é oriundo de uma dezena de fatores que somados criam uma geração vencedora dentro de campo.

Começamos pelo mais grave erro cometido dentro de uma instituição, seja ela qual for, que é a quebra de seu estatuto. Ainda mais a quebra de uma norma, de uma regra, que durava há tantos anos e que era justamente um diferencial dentro do clube. A troca ininterrupta de presidentes a cada 2 ou no máximo 4 anos. A partir do momento que um presidente pleiteia a permanência por um tempo maior que a lei do clube permite, a partir do momento em que sua diretoria permite, e a esmagadora maioria dos conselheiros apoia e defende, pode ter certeza que está tudo errado e que resultados positivos não virão.

Ainda que os resultados do atual presidente fossem excepcionais, a atitude seria imoral, pior ainda essa decisão, se nos basearmos no cenário atual do departamento de futebol.

Após o título de 2008 e o tri campeonato consecutivo brasileiro, o Presidente Juvenal Juvêncio, provavelmente como muitos líderes ambiciosos na história da humanidade, deixou a humildade pra segundo plano e começou a tomar decisões inexplicáveis e depreciativas para o SPFC. Primeiramente uma atitude ridícula e abominável pela parte do Sr Presidente foi a recusa em admitir o Flamengo como primeiro Penta Campeão Brasileiro. JJ era da diretoria do clube dos 13 na ocasião e um dos maiores defensores que Flamengo e Internacional não jogassem contra Sport ou Guarani a final da Copa União. Gostaria de entender, baseado no que o cidadão hoje nega que o time carioca seja campeão Brasileiro daquele ano.

Além desse fato, no extra campo, vamos a brigas com CBF e Rede Globo. Eu sou totalmente a favor que se diga um NÃO bem grande a essas duas instituições que desmoralizam e desrespeitam o futebol brasileiro. O que inicialmente a diretoria são paulina fez, o que muito me orgulhou. Mas na verdade foi apenas um tiro no pé, visto que o clube perdeu grandes oportunidades e, ainda assim, foi obrigado a voltar atrás em muitas dos seus atritos com as instituições que mandam em nosso futebol. Ou se mantém uma relação amena e se negocia com o “diabo”, ou se joga tudo para o alto e luta pelo o melhor para seu clube e pros campeonatos nacionais. Na verdade o SPFC não fez nenhum, nem outro. Se queimou e voltou atrás com as mãos abanando.

Outro fator que o time do Morumbi sempre foi elogiado era pela permanência e qualidade de sua comissão técnica. E misteriosamente para o grande público, foram desligados 2 profissionais de altíssima qualidade e responsáveis diretos pelos últimos grandes títulos do clube. O preparador físico Carlinhos Neves, hoje inclusive na seleção brasileira, e o Fisiologista Turíbio Leite de Barros, que lá estava há 25 anos e foi o grande responsável pela criação do REFFIS, que é centro de excelência mundial em recuperação de atletas.

Não a toa, nesse mês de agosto foi demitido por questões técnicas o preparador físico Riva Carli, e menos a toa ainda o jogador Luís Fabiano ainda não retornou as atividades com bola, por exemplo.

Passando pra direção direta do time de futebol. O técnico. Após a saída de Muricy Ramalho, ainda não teve um técnico de ponta no comando da equipe. Quem obteve os melhores resultados, e que na prática foram muito bons, foi Ricardo Gomes. 3º colocado no Brasileiro de 2009, onde liderou até a penúltima rodada. E semi-finalista da libertadores da américa no ano seguinte. Mesmo com esses resultados, RG não obtinha a simpatia da torcida, nem mesmo da diretoria.

Daí em diante foram só fracassos. A começar pela manutenção do desconhecido e sem experiência Sérgio Baresi no comando da equipe por intermináveis 10 rodadas, o que custou a classificação para a libertadores desse ano de 2011. Carpeggiani chegou, sem a menor explicação da diretoria o porque dessa escolha, obteve alguns bons resultados no início do trabalho, mas daí em diante no seu 1 ano de trabalho, não obteve nenhum resultado satisfatório, perdeu a maioria dos clássicos, e conseguiu a façanha de ser eliminado por um Avaí desmontado, após ganhar em casa e sair na frente lá no Sul.

A única ressalva favorável ao trabalho da diretoria nesse 1 ano de Carpeggiani e Baresi, foi a pressão, finalmente, feita sobre os técnicos para que olhassem as divisões de base. Investiram bastante grana em Cotia, o que é um Mérito da atual diretoria, porém até então, não tínhamos nenhum retorno. Nesse primeiro ano de utilização da garotada, já temos propostas milionárias por Lucas e Casemiro, e propostas razoáveis por Henrique e Wiliam José. Espetacular retorno financeiro.

Depois do período inútil de Carpeggiani, temos o que? Adilson Batista. Técnico que passou por quase 1 dezena de clubes nos últimos 12 meses, sem sucesso algum. Qual a explicação para a escolha? Até agora, nenhuma. Eis que chegamos ao décimo jogo exatamente hoje de Adilson no comando do time. São 3 vitórias, 2 derrotas, e 4 empates; São 4 jogos em casa, com 1 vitória, 2 empates e 1 derrota. Empates com 2 clubes na zona de baixa da tabela de classificação diga-se de passagem. Neste momento está a 4 jogos sem vencer, e sabe-se lá como, ainda próximo da liderança do brasileirão.

Depois de falhar eticamente, de demitir profissionais de qualidade, contratar técnicos sem capacidade, eis que chegamos ao ápice da má administração. A péssima formação de elenco para o time profissional. Goleiro não há o que reclamar, Rogério Ceni dificilmente não joga, logo, o reserva tanto faz. Ainda assim, Denis é de qualidade. Laterais. Por incrível que pareça, depois de 5 anos ainda não tivemos um lateral direito de verdade. Desde que Ilsinho deixou o clube em sua primeira passagem, só tivemos improvisações, e não tivemos a capacidade de contratar um “titular” pra posição. Agora temos a chegada do paraguaio Piris. Que é ótimo marcador, esforçado, e nada mais. Lateral esquerdo, 2 decepções seguidas. Junior César e Juan estouraram por seus clubes no Rio de Janeiro e no tricolor paulista, meros coadjuvantes sem brilho nenhum.

Zagueiros, a grande façanha da diretoria. Perderam 2 dos maiores zagueiros da história do clube, Alex Silva e Miranda, de uma só vez, os dois. Não trouxeram nenhum a altura, João Filipe, um mero desconhecido, e mantiveram o fraco Xandão, e os garotos Luiz Eduardo e Bruno Uvini.

Meio de campo, a excelente contratação do volante Denilson, a muito boa vinda de Cícero, a boa aposta em um meia Argentino Cañete, e a ótima aposta em Rivaldo. Porém, ainda faltam jogadores de decisão, de final. Rivaldo não é mais esse jogador. Cañete pode ser, incógnita. Mas cabe ao técnico arriscar menos em jogadores limitados como Wellington e Carlinhos Paraíba, e colocar mais qualidade dentro de campo. Parabéns a diretoria pela renovação com o cracaço Casemiro. Reforço sensacional ao time.

O ataque do time é um hoje e outro quando o Fabuloso retornar. Porém, ainda assim, está longe de ser excelente. Marlos e Fernandinho não rendem quase nunca, e Henrique e Wiliam José não possuem cacife ainda para jogarem no time. Lucas não é atacante, a insistência nisso é tola. E ele precisa ser orientado e logo, pois está se tornando um jogador de muita qualidade mas que não rende quase nunca. Dagoberto não decide quando precisam dele. Joga bem quando quer, é bastante útil durante o campeonato, mas não é jogador que decide um título.

Conclusão da história: Diretoria corrupta, comissão técnica debilitada, treinadores frcos e jogadores limitados e sem personalidade. 2 anos e meio sem título e sem horizontes bons pela frente. Ou o SPFC, volte a ser SPFC. Ou o período de recesso de títulos está longe de terminar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta