Escolha uma Página

eua x irã

Começou a copa do mundo!Evento de grandiosidade inquestionável, comprovada pelos bilhões de espectadores ao redor do mundo que param na frente de seus televisores para assistir os jogos.

Desta vez de uma forma muito especial para nós que somos fãs deste esporte o evento ocorre aqui em nosso país, como não podia ser diferente quando estamos próximos de algo tão grande, as polêmicas estão presentes, uns são contra, outros a favor, alguns se exaltam com seus argumentos, o mundo inteiro fala sobre o assunto. Mas não quero entrar em nenhum desses méritos. Quero apenas lembrar de um dos momentos mais bonitos das copas do mundo que acompanhei. Falo do jogo de Irã x Estados Unidos pela copa de 1998 na França.

Desde o dia do sorteio, esse jogo foi assunto recorrente na imprensa mundial, nas mesas de bar, em conversas durante almoços de família, ou nos intervalos das aulas (na época eu era um estudante de 15 anos). Em geral os profetas do caos previam desde uma sangrenta batalha campal com um jogo recheado de cartões vermelhos, passando por violentos conflitos entre torcedores, atentados terroristas e até crises diplomáticas e guerras nucleares. Mas o que vimos naquele dia foi o óbvio, ou seja, o completo oposto do que previam os “profetas”.

Para quem teve o prazer de acompanhar essa partida, vimos um lindo momento de confraternização, quem ainda não entendia teve a grande oportunidade de entender que se poderosos líderes de nações (aqui não estou condenando x, y, ou z) alimentam a discórdia por interesses diversos, o que nós cidadãos temos com isso? Nada! E foi isso que os norte-americanos (estadunidenses para quem preferir) e iranianos demonstraram naquele dia. No momento dos cumprimentos pré-partida os jogadores se cumprimentavam com sorrisos e o time iraniano até presenteou os adversários com flores. Ao contrário do que costumamos ver na maioria dos jogos, onde adversários se cumprimentam por obrigação sem mal olhar um na cara do outro, nessa ocasião vimos o completo oposto disso, gestos gentis de ambas as partes dizendo ao mundo: – Estamos nos cagando para os líderes que semeiam o ódio, isso é apenas um jogo de futebol, daremos a vida para vencer, mas o adversário não é inimigo!

Agora vamos ao que interessa, o jogo!

Em 1998 os Estados Unidos tinham um time inferior ao atual, já não contavam com seu melhor jogador da copa anterior, o talentoso meia Eric Wynalda, e ainda não tinham o que viria a ser seu destaque em copas posteriores, o rápido Landon Donovan. Os destaques daquele time eram o bom volante Claudio Reyna, o velocista Cobe Jones, o grandalhão McBride e o zagueiro Pope. Por outro lado o Irã tinha um time muito, mas muito melhor que o que tem hoje, com vários jogadores que fizeram sucesso na bundesliga, entre eles o grandalhão desengonçado, porém goleador, Ali Daei, o clássico meio-campista Karim Bagheri, o rápido e habilidoso ponta Azizi, e o jovem e raçudo ala Mehdi Mahadavikia.

Ao contrário do que se pode pensar com as gentilezas no momentos dos cumprimentos, o jogo não foi um jogo de moças, pelo contrário, houve muita raça, ambas as equipes entraram em campo com muita vontade de vencer, não houve violência, mas houve muita rivalidade, existe jogo melhor que um jogo assim?

Mais limitados tecnicamente, mas com um time fisicamente avantajado, os norte-americanos abriram o placar com gol de McBride. O Irã que já era melhor na partida, não se abateu com o gol sofrido e seguiu buscando o resultado e logo empatou com gol de Estili, e conseguiu a virada com gol do melhor em campo, escalado na ala direita, Mahadavikia estava tão possuído que até na ponta esquerda aparecia, correu literalmente o campo todo, e foi premiado com o gol da virada, dali em diante Cobe Jones tentou assumir o jogo, correu muito, buscou o gol, mas suas limitações técnicas não permitiram que conseguisse virar o jogo. A técnica de Karim Bagheri tomou conta do meio-campo e os dribles de Azizi mantiveram o jogo sob controle, terminando com vitória iraniana por 2 x 1.

%d blogueiros gostam disto: