Pára Tudo

Fiquei um tempo sem escrever, mas não sem acompanhar o futebol. É que as coisas que acontecem no futebol brasileiro são tão enfadonhamente ruins que não me motivam a escrever. Alia-se então o fato da correria da vida, e pronto, foi-se quase um mês.

Porque para mim hoje, o que me faz continuar com o futebol é ir ao estádio. É o ritual, é encontrar aquelas pessoas que só vemos na Arena. Isso é sensacional e isso nunca vai se perder. Além disso, ir num estádio de futebol com meu pai é talvez uma das minhas primeiras e mais divertidas lembranças.

Agora tenho cochilado na frente da TV, os jogos são péssimos! As arbitragens vergonhosas, as transmissões da Globo e Premiere difíceis de suportar.

E quando nada mais parecia piorar, eis que a torcida do Grêmio e Palmeiras me fazem obrigar a “voltar à ativa”. E definitivamente, não por uma boa causa.

Do menos ruim para o pior, vamos lá. Ontem alguns torcedores do Palmeiras invadiram o condomínio em que reside o presidente do clube, Paulo Nobre, para protestar, e claro, ameaçá-lo. Não dá! Há quem diga que isso não surpreende, que é “normal”. Calma lá, que não foi a primeira vez,  tudo bem, mas normal nunca vai ser!!

Não fiquei surpreso, mas a minha indignação existe, persiste e não me dou o direito de não me indignar! “Ah mas você não faz nada…” O que está ao meu alcance faço sim, mas não sou policial, não sou da secretaria de segurança pública. E esses fatos extrapolaram o futebol faz tempo.

É amigos, mas isso não foi o pior. Os torcedores gremistas conseguiram utilizar da morte trágica do Fernandão para hostilizar o Internacional. Isso é baixo, isso é abaixo da crítica. É nojento! Não tem como descrever. Nada contra a rivalidade, mas isso é totalmente fora de propósito.

Minha sugestão é simples. Parem com tudo. Agora! Jogadores, dirigentes, técnicos, torcedores, simplesmente parem! Larguem tudo.

“Ah mas não é assim, são vários interesses envolvidos” Por isso mesmo. Chega disso! O Brasil não precisa apodrecer o pouco que nos resta. Sim são vários interesses, e por isso mesmo. Muita gente vai perder dinheiro se tudo parar, então quem sabe assim quem tenha o poder tente mudar.

“Ah mas isso não adiantará, não vai mudar.” Bom, mas pelo menos pararão as brigas, as mortes, a corrupção, a inversão de valores, e todo o mal que hoje acompanha o futebol.

Acabamos de ter a Copa no Brasil, nós vimos perto de nós o que é o futebol. Como é legal um bom jogo, até um 0x0 se for jogado com prazer, se for visto com alegria.

Não é possível que só eu note que o que temos aqui não é futebol. Não é possível que se acredite que quem governa o futebol no Brasil esteja disposto a evoluir. Não sejamos tão inocentes.

Então parem, creio que se todos, sem exceção pararem, algo pode mudar. Já não se pagam as dívidas, não se pagam os impostos, que diferença faria? Eu sei uma que faria, os credores perderiam a esperança de receber, quem sabe assim, se mexeriam para mudar.

E se não mudar, pelo menos não terão roubado de mim as memórias boas, as lembranças que o futebol me deixou. Se é para acabar, que eu lembre da roleta e Guaraná no Ernestão; do Palmeiras de 93, do São Paulo do Telê; Vasco de 97.

Se não quiserem melhorar o futuro, não estraguem as lembranças do passado.

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