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Muitos falam em vergonha, vexame e tristeza. Este é com certeza a sensação da maioria dos brasileiros em virtude da vexatória desclassificação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014. Muitas teorias têm sido desenvolvidas, entre elas o excelente texto de nosso colunista Fernando Rossini aqui para o Em Cima da Linha. Mas, eu não quero escrever sobre tragédias.

Muitas coisas passaram despercebidas no jogo deste 8 de Julho: a) superioridade técnica e tática alemã; b) a experiência dos jogadores da seleção bávara (12 dos 23 convocados jogaram a Copa de 2010); c) a longevidade do trabalho do técnico Joachim Löw (foi auxiliar técnico na Copa de 2006 e assumiu a seleção logo após – são quase 8 anos de trabalho); d) são 4 semifinais seguidas (sem vencer a Copa em nenhuma delas); e) a seleção alemã aprendeu lições com seus recentes fracassos (a arrogância de 2002, a renovação e fracasso em casa de 2006, a superioridade na posse de bola do adversário de 2010).

O símbolo desta vitória alemã para mim é um jogador que esteve presente em todos estes fracassos (2002, 2006 e 2010) e que neste 7X1 entrou duplamente na história do futebol alemão e mundial, um jogador polonês naturalizado alemão, Miroslav Klose.

Quando Klose foi convocado para integrar os 23 convocados da seleção alemã, muitos diziam que ele era velho e que a convocação era para que ele batesse o recorde de maior artilheiro de todas as Copas, diziam que  ele jogaria somente a primeira fase nos jogos teoricamente mais fáceis (contra Gana e EUA) e que todos jogariam para que ele fizesse os gols (cavariam pênaltis, dariam passes com o gol livre).

Quando o jogo contra Portugal, se desenhou como um massacre, depois da expulsão de Pepe, todos acreditavam que o “velho” entraria para igualar a marca de Ronaldo, mas não o técnico não o colocou em campo – não quis ajudar o “velhinho”.

A marca história foi igualada não em jogo qualquer, mas sim no jogo mais difícil da trajetória alemã até aqui. Os alemães perdiam por 2 x 1 para seleção de Gana e   Klose entra com a missão de ajudar sua seleção a empatar o jogo e em seu primeiro toque na bola, em um lance sofrido, de carrinho e todo sem jeito – detalhe ninguém doou este gol ao “velhinho”, foi um gol de artilheiro, sofrido, na raça.

O recorde batido ontem, também não foi simples, o jogo ainda não estava resolvido. O maior artilheiro de todas as Copas não entrou em campo quando estava 5X0, não fez gol depois que a Seleção Brasileira perdeu o rumo, fez o segundo gol. O gol que desabou o já fragilizado sistema defensivo brasileiro, um gol que também foi sofrido – ele chutou para defesa do Julio César e fez no rebote do goleiro.

Miroslav Klose não é um craque, longe disto, mas é um batalhador. Esteve presente no vice-campeonato de 2002, chorou a derrota em casa em 2006, perdeu a segunda semifinal seguida em 2010. Depois destes três fracassos, aos 36 anos, tinha tudo para se sentir um fracassado, mas escolheu e foi escolhido para tentar de novo e pode neste domingo se sagrar campeão do mundo (o que coroaria ainda mais sua carreira), mas mesmo que não seja campeão,será um vitorioso.

Mas, e o Brasil? Talvez tenhamos um “Klose” em nosso elenco. Alguém que possa ser o símbolo de lições aprendidas nesta histórica derrota (por goleada e em casa). Alguém que vá resistir às críticas (mais emocionais que racionais), que usará a derrota como combustível para a vitória futura, que mesmo diante  da vergonha deste jogo consiga se levantar e começar uma nova história.

E, esta nova história começa a ser escrita na disputa de terceiro lugar neste sábado. Sábado é final! É o dia de levantar a cabeça e jogar. Com honra, com vontade e se derramando de corpo e alma em campo (apesar das feridas não terem sido cicatrizadas). É hora de começar a escrever a história do hexa.

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