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Eliminada precocemente após perder os dois primeiros jogos em 2014, campeã em 2010, ridicularizada em seu próprio país antes de sua primeira grande conquista, se tem uma seleção controversa nos últimos tempos, essa é a Espanha.

Mas imaginemos se esses últimos 4 anos nos quais ela foi super bajulada (a admiração de alguns por esse time beirou a idolatria em alguns momentos) a história tivesse ocorrido de uma maneira um pouco, só um pouco diferente. Pois é, detalhes podem mudar a história de vida das pessoas, de nações e também de um time ou uma seleção de futebol. E a história dessa boa geração de jogadores espanhóis passou muito perto de ser completamente diferente, me refiro especificamente ao jogo das quartas de final da copa de 2010 entre Espanha e Paraguai, sendo mais específico, falo do pênalti perdido por Óscar Cardozo no final da partida e que mudou mais que a história de um jogo, a história de toda a seleção espanhola de futebol.

Johannesburg, 3 de julho de 2010, naquele dia se enfrentaram Espanha e Paraguai. Até então a Espanha vinha jogando um excelente futebol, porém devido a fantasmas de seu passado em copas do mundo gerava desconfiança sobre a possibilidade de ganhar o título. Do outro lado tínhamos a seleção paraguaia, também com uma equipe de muita qualidade, mas que apesar de na primeira fase ter eliminado a campeã Itália com méritos não passava nenhuma confiança de que lutaria por título. Outros componentes que apimentavam mais o jogo eram o fato do Paraguai ter sido um dos grandes algozes da Espanha em 1998 (ocasião em que os espanhóis voltaram pra casa na primeira fase condenando a geração Raúl, enquanto o Paraguai fez bonita campanha consagrando a geração de Gamarra, Arce e Chilavert), e também o confronto de estilos, a Espanha com um time ofensivo, técnico com predominância de jogadores de baixa estatura, oposto ao time defensivo, forte e guerreiro do Paraguai.

O jogo foi muito bom (na minha opinião um dos melhores daquela copa) com um equilibrado confronto de estilos em que ora parecia pender para a técnica espanhola, ora para a força e raça paraguaia, até que já no segundo tempo do jogo chegamos no momento em que parecia que a maldição espanhola em copas ia seguir prevalecendo. Pênalti para o Paraguai! O excelente centroavante Óscar “Tacuara” Cardozo pega a bola e assume a responsabilidade de executar a cobrança. Toda a esperança nos pés do Tacuara (bambu em guarani, apelido dado devido ao biotipo alto e magro do matador benfiquista), espanhóis em pânico, e paraguaios esperançosos, quando Tacuara Cardozo cobra muito mal e Iker Cassillas defende a cobrança. Após o pênalti perdido, os paraguaios se abatem, os espanhóis ganham moral e vencem com gol de Davi Villa e o restante da história todos nós conhecemos.

Mas como seria se Cardozo tivesse feito o gol? (no caso a imaginação é minha e imagino que a Espanha perderia o jogo) Em desvantagem no placar, os espanhóis certamente se abateriam, o aguerrido time paraguaio não deixaria a Espanha chegar em sua área e sairia vencedor, não vou chutar quem seria o campeão, pois isso não vem ao caso, acredito que o Paraguai cairia na semi-final contra a Alemanha o que já seria um grande feito para los guaraníes. Mas o que teria sido da tão idolatrada geração tic tac nos quatro anos seguintes? Um time que foi rotulado por alguns como épico, revolucionário, que mudaria a forma do mundo jogar futebol, cheguei a ver gente (louca) dizendo que os pupilos de Del Bosque eram a melhor seleção de todos os tempos. Me pergunto se essas pessoas que tanto endeusaram um time inegavelmente bom (mas que acaba de nos provar que não é fantástico) teriam o mesmo discurso se o mesmo time, jogando o mesmo bom futebol tivesse caído nas quartas de final frente ao Paraguai? Pois não tenho a menor dúvida de que 99% dos que idolatram esse time estariam fazendo piada da Espanha desde 2010 até hoje.

Pois é, fica a reflexão, um pênalti bem ou mal batido, pode mudar o destino de equipes e gerações, e o nosso conceito sobre elas.tacuara

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