O Maior Carrasco Rubro Negro e Robinho

Ao longo dos 100 anos da equipe de futebol do Flamengo inúmeros foram os jogadores adversários que trouxeram tristeza para aquela que é considerada a equipe com maior número de torcedores do Brasil, no entanto, o maior causador de estragos rubro negros se apresentou da mesma forma que o Cavalo de Tróia.

Na história grega, o inimigo se infiltrou nas trincheiras adversárias sob a forma de presente, sendo celebrado, sem se saber que o cavalo trazia em seu interior um exército inimigo. Na história do clube carioca, ninguém causou mais estragos do que um jogador gerado em um dos seus maiores inimigos, o Vasco da Gama. Nenhum jogador viceíno, vestindo a camisa feiona, causou mais estragos ao Flamengo do que Edmundo, vestindo rubro negro. E ele só jogou no Mengão por seis meses, no segundo semestre de 1995. O Animal, como ficou conhecido o jogador vascaíno nos tempos em que defendeu o Palmeiras foi comprado em uma transação explicada pelo então presidente Mulambo, Kleber Leite, como fruto de uma “engenharia financeira” que causou tantos estragos que até os dias atuais, e por muito mais tempo, nenhum torcedor do mais querido poderá se esquecer por mais algum tempo.

Esta transação fez com que inúmeros bons jogadores formados na Gávea tivessem que ser vendidos a preço de banana, outros inúmeros abandonaram o Flamengo por falta de salários. Outros simplesmente desprezaram qualquer proposta de contrato com o rubro negro em função da falta de pagamento de salários, e toda esta situação em muito se deve ao poder avassalador do atacante Edmundo.

O primeiro jogo, dos 23 que fez pelo Flamengo ocorreu em 27 de julho de 1995. Chegou ao Flamengo ao custo de 6 milhões de Reais, algo em torno de 6 milhões de Dólares, na época. Além de ter acabado como centenário rubro negro, criando um clima péssimo entre ele, Romário e Sávio, as consequências da tal engenharia financeira, foram definidas neste ano de 2014. O clube foi condenado a pagar 65 milhões de reais a um grupo financeiro. A tal dívida foi contraída, graças a um empréstimo, que o ex presidente Kléber Leite, jura que foi uma doação, para a aquisição do atacante. O empréstimo/doação foi feito em função de uma promessa de que o doador poderia construir um shopping center na sede do Flamengo, no cobiçado bairro da Gávea. A proibição da construção do shopping fez com que os doadores do dinheiro iniciassem uma batalha judicial, finalizada quase vinte anos depois, e cujas consequências financeiras têm gerado grande esforço administrativo da atual diretoria.

Para entendermos as consequências financeiras daquela maneira de administrar, o Flamengo, naquele mesmo ano, já havia contratado Romário. Para os mais jovens esta compra precisa ser melhor explicada. Romário havia sido eleito em dezembro de 1994 o melhor jogador do mundo e em janeiro de 1995 estava vestido com o Manto Sagrado. Algo como se algum clube brasileiro, nos dias de hoje, tivesse no mês de janeiro contratado Cristiano Ronaldo. Até 2022 Romário receberá mensalmente cento e cinquenta mil Reais de salários, em consequência daquela loucura. Contratar Edmundo foi a gota d’água que transbordou o copo das finanças rubro negras. As derrotas em campo, protagonizadas no período de Edmundo, com todo os investimentos que haviam sido feitos, levaram o clube rubro negro a cair no ridículo e a criar uma cultura de não pagar pontualmente os salários.

Muitos dos males administrativos vividos pelo Flamengo nas duas últimas décadas se originaram a partir da chegada de Romário (também formado no Vasco) e Edmundo.  Uma prova cabal de que o maior inimigo do Flamengo foi alimentado pelo próprio clube. Por coincidência, o ex-presidente, que fez todas estas loucuras, nos bastidores da Gávea, nesta semana voltou a falar em engenharia financeira para trazer Robinho. Se isto ocorrer, sinceramente, acho que a lição do Animal, disfarçado de cavalo luso, não terá valido nada.

 

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