O dia em que um ‘santo’ disse adeus

 

Santo que é santo está sempre por perto. A gente reza e pede (e faz promessa pra garantir um incentivo). Mas somente alguns pedidos são ouvidos e transformados em milagres.  No fundo isso não é o mais relevante. O que importa mesmo é a calmaria e tranquilidade que a fé naquela figura nos transmite. Imaginar perder um santo é quase impossível. Digo quase, porque hoje, isso aconteceu.

A imensa maioria dos torcedores do Palmeiras sabem do que estou falando: nosso Santo se aposentou. Agora não adianta mais olhar para os céus e pedir para ele acertar o canto, defender um pênalti ou salvar o time de uma derrota. Isso é coisa do passado. Estamos órfãos.

Se já não bastasse não ter mais diretoria, estádio, time…agora também não temos mais nosso goleiro-milagreiro. Talvez os maias estejam certos e 2012 seja mesmo o fim.

Pelo menos é esse o sentimento que sentimos nesse 11 de janeiro, dia do anúncio oficial da decisão de encerrar a carreira do camisa 12 palestrino.

Marcos é (ou foi) um excelente goleiro. Basta lembrar suas inesquecíveis atuações em 99 e 2000 ou mesmo suas defesas incríveis na Copa do Mundo de 2002 que asseguraram o Pentacampeonato ao Brasil.

Mas ele é mais do que isso. É exemplo de pessoa, de caráter, de homem, de atleta e de dignidade. Nunca precisou ofender ou pisar em alguém para chegar onde chegou. Nunca fez média com imprensa, com colega, com clube, com diretoria, com ninguém. E mesmo, assim, conquistou sua legião de fãs pelo Brasil e fora dele.

Como não se lembrar das suas palavras antes do último troféu da carreira: o Paulista de 2008, conquistado sobre a Ponte Preta. “Tanto tempo que eu fiquei quebrado no vestiário, fazendo tratamento para poder voltar. Eu me quebro tudo de novo. Juro por Deus, eu me quebro tudo de novo. Mas não vou perder nem a pau. Eu quebro minha perna, quebro meu pescoço, mas não vou perder, porque eu sei o que sofri para estar aqui e sei o que vocês sofreram também. Então, eu não vou ter medo de errar. Se eu errar, fod***. Mas eu vou arriscar. Se tiver que jogar de líbero, eu jogo. Mas eu não vou perder! Eu não vou perder! A gente sabe o que fez para estar aqui!”. 

 

Mas ouso dizer que o episódio que evidencia a diferença entre Marcos e outros jogadores comuns aconteceu quando Marcos preferiu vestir a camisa do Verdão na Série B do Campeonato Brasileiro, em 2003, recusando uma oferta milionária para jogar fora no Arsenal, da Inglaterra.

Quanta lição hein garotada!!!! Pois é. Marcos é santo e exemplo. E aposentado ou não, será sempre exemplo e modelo para outros garotos. Que eles não deixem o talento subir à cabeça. Pé no chão e humildade é o segredo do verdadeiro sucesso.

 

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