Muita calma nessa hora

O primeiro jogo do Allianz Parque entre Palmeiras e Corinthians, acabou virando um verdadeiro pesadelo para a torcida palmeirense. O time ainda em formação, com apenas 3 jogadores do time titular que estavam também em 2014(Prass, Tobio e Allione) e com alguns jogadores ainda por estrear(casos de Cleiton Xavier e Arouca), acabou perdendo por 1 a 0 para o time misto do Corinthians(que contava também com jogadores chegados em 2015, porém em número bem menor, casos de Edílson, Edu Dracena e Mendoza).

Doeu pela falha ridícula do victor Hugo, que errou em uma recuada de bola para o Fernando Prass, que foi tomada pelo Petros, que passou para o Danilo marcar.

Independente do fato de ser por uma falha, a derrota acabou se consumando e entrará para a história dos clássicos, isso é fato. Sem dúvida nenhuma que um jogo desses nessa altura da preparação foi uma ingrata situação do destino, pois o time sem dúvida teria problema com um clássico com um time que tem entrosamento de mais de ano, além de que, uma derrota dessas, principalmente pela repercussão negativa que tem, vai ecoar por algum tempo ainda no Palmeiras(principalmente por conta da provocações rivais, algo absolutamente normal).

Para piorar, essa derrota vem logo após um revés para a Ponte Preta, um time obviamente muito mais fraco, mas que contou com o fator de ter um entrosamento maior também, além do Palmeiras ter contado com a estreia de 3 jogadores entre os 11 iniciais(João Paulo, Alan Patrik e Dudu)e também do Rafael Marques, que entrou durante o jogo.

Duas derrotas para o padrão brasileiro, de resultado para ontem, somada a uma falta de paciência da torcida(que é plenamente compreensível, dada a quantidade de vezes que tiveram as expectativas frustradas) é exatamente o tipo de coisa que o time não vai precisar para esse momento de renovação.

O Palmeiras contratou 19 jogadores para 2015(pensando por exemplo, em uma copa do mundo, 23 jogadores são convocados, apenas para se ter uma noção do quanto isso representa). O time precisou basicamente partir de uns 10, 20%(que pode ser colocado pelos jogadores que ficaram), simplesmente porque o resto que estava lá era uma porcaria(nada pessoal, apenas eram jogadores horríveis), não agregou nada, não criou uma base titular, nada, zero!

Para se ter uma ideia: dos 3 que citei antes do ano passado, o Allione era reserva, entrava de vez em quando e vinha em má fase. O Tobio vinha de titular e foi preterido no último jogo e o Prass passou boa parte do campeonato machucado.

Temos ainda o Nathan e o João Pedro, que estavam na seleção sub-20. O primeiro tem grandes chances de assumir a posição de titular, ao passo que o segundo deve disputar pau a pau com o Lucas(ainda acho que o João Pedro fica com a posição). Sem contar claro o Valdívia, que está machucado, para variar…

As duas crias da base que citei, muito provavelmente vão acabar sendo titulares(o Nathan é muito melhor que o Victor Hugo, que não é ruim diga-se, e o João Pedro tem potencial para ser melhor que o Lucas, que por sinal é um bom jogador) e o Valdívia nem preciso comentar, com condições era o único diferencial do time, porém agora terá com quem dividir as responsabilidades.

O time no clássico usou a seguinte formação:

Prass
Lucas
Tobio
Victor Hugo
Zé Roberto
Amaral
Gabriel
Robinho
Allione
Maikon Leite
Leandro Pereira

Notadamente o Oswaldo apostou no maior entrosamento(já que esse time treinou mais tempo junto durante a pré temporada) como forma de diminuir um pouco a defasagem tática em relação ao rival. De certa forma funcionou, pois o time corintiano não conseguiu se impor, apesar de claramente ter lances mais trabalhados devido ao entrosamento. Assim como o time sofreu com a retranca corintiana depois da expulsão do Cássio(muito justa, diga-se… se fizessem sempre isso, o jogo renderia mais) por conta de tudo que foi explicado. Mérito corintiano que soube se aproveitar disso.

Apenas para que o torcedor tenha uma noção do quanto o time vai mudar, muito provavelmente o time será montado assim(com todas as peças disponíveis):

Prass
João Pedro(Lucas)
Tobio
Nathan
Zé Roberto
Gabriel
Arouca
Cleiton Xavier
Valdívia
Dudu
Cristaldo

Olhando aí, notamos que em torno de 6 ou 7 jogadores mudarão, isso em relação ao time que jogou hoje!

Praticamente o time que jogou hoje é quase um misto do Palmeiras, mas atualmente é o principal sim, pelas condições de jogo(ou falta delas) das outras peças.

Diferentemente de outros anos, nesse tem como se acreditar que o time realmente pode almejar grandes coisas no ano, primeiro porque o time buscou bons valores no mercado, além de peças que podem desequilibrar o jogo(casos de Arouca e Cleiton Xavier). Não é como por exemplo no ano passado, onde se dependia que um Bruno César emagrecesse para jogar feito gente, ou que um Felipe Menezes tivesse um raro dia iluminado, que o Mendieta não estivesse dormindo, que o Diogo acertasse um chute no gol, que o Juninho não fosse uma avenida na lateral, ou que o Lúcio não jogasse, entre outros perebas.

O ano sem dúvida é promissor, mas o torcedor precisará de paciência, coisa que se sabe, ele tem muito pouca(e não por acaso, que fique bem claro).

Acredito que o time estará em condição de ser cobrado realmente por um bom futebol no segundo semestre(um bom futebol, leia-se por se impor em grandes jogos por exemplo). Até lá, o time terá condições de passar pelos fracos rivais da primeira fase do paulista, assim como pelos primeiros rivais da copa do brasil. Clássicos e grandes jogos em um primeiro momento dependerá um pouco mais da raça.

Olhando pela atual situação, o jogo mais equivalente será entre Palmeiras x Santos, pelo fato de serem dois elencos muito mexidos. Contra o São Paulo, o jogo será tão difícil quanto o do Corinthinas(talvez até mais, dependendo do time que for a campo pelo lado tricolor) pelo mesmo motivo citado: o time é praticamente o mesmo do ano passado, com muito poucas mudanças e sem dúvida também é um time muito qualificado.

Digo mais: o Oswaldo é o cara certo para comandar essa transição. Técnico com muita visão de futebol, inteligente, sabe conduzir bem um grupo(dificilmente era noticiado problemas internos em elencos que ele comandava), assim como ele mostra ter muito conhecimento tático(as mexidas podem até não ter o efeito desejado, mas é notável que ele costuma ler bem o jogo). Outro ponto positivo é o fato de ele agir como para-raio dos seus comandados, ou seja, prefere que caiam matando em cima dele, do que jogar a culpa nos jogadores.

A coletiva dele inclusive resumiu bem o que disse aqui, quando ele diz que seguirá o planejamento sem se deixar abalar por esses percalços, o que mostra claro equilíbrio e sensatez da parte dele, ignorando a suposta pressão que se pode criar pela imprensa em situações como essas.

Cabeça fria agora é a palavra de ordem para a torcida. Ter calma, aproveitar a sequência de jogos mais fáceis com adversários muito menos qualificados para ver algumas vitórias, por enquanto engolir em seco a tiração de sarro dos rivais(que será implacável, ainda mais com a expectativa criada em torno da equipe), pois ao final do ano o torcedor poderá dizer que novamente se orgulha do time que torce.

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