Monopólio na cobertura esportiva – A briga continua

 Nesta quarta-feira tivemos o início da taça Libertadores da América, ainda que na sua fase pré-torneio, ou pré-Libertadores.  Aqui no Brasil, a transmissão do campeonato em TV fechada, com a exibição da maioria dos jogos, era feita há anos pela SPORTV e o grupo Globosat.  A partir deste ano de 2012 a FOX Sports, detentora dos direitos em praticamente toda América Latina, fez a aquisição de exclusividade das transmissões e será o único canal a transmitir todas as partidas no Brasil. Como a FOX Sports só entra no ar no dia 5 de fevereiro no país, os primeiros confrontos foram exibidos pelos canais do grupo FOX, o Speed Channel e o FX.

A chegada do maior canal esportivo da América Latina ao maior país do continente da América do Sul foi e ainda é motivo de muitos entraves. As Organizações Globo reagiram com algumas ações para tentar atrasar essa estreia e o eminente crescimento imediato. A principal atitude é a cobrança extra pela exibição do canal em qualquer pacote de TV por assinatura, ainda que a FOX Sports ocupe o espaço em que já era exibido o Speed Channel. Para contornar e diminuir ainda mais o mercado da concorrência, existem negociações de aquisição de outro canal, a BANDSPORTS, também pelo grupo FOX.

Como já discutido, inclusive em outros posts no site, o mercado esportivo mais do que nunca se tornou uma briga enorme entre grandes conglomerados financeiros de comunicação. A briga Globo x Record, onde o canal paulista adquiriu os direitos das Olimpíadas e do Pan-Americano, a ação, para mim decepcionante, da ESPN Brasil, que monopolizou a transmissão da NFL no Brasil, e agora esse conflito pela Libertadores.

Não é nem preciso dizer que o maior perdedor é o telespectador, o apaixonado esportivo, pois ele perde opções, estilos diferentes, coberturas diferentes. Onde não há concorrência na prática, se perde a cobrança por resultados e se diminui a busca pela qualidade,  visto que resta apenas uma opção de exibição já com a audiência garantida.

Em um mundo cada vez mais digital e democrático graças à Internet, é uma ofensa ao senso de liberdade de expressão e de comunicação assistirmos a essas brigas monopolizadoras, ainda mais de algo tão agregador e importante para as sociedades como um todo que é o esporte.  Cabe aos consumidores, ou seja, nós, cobrarmos e exigirmos produtos de qualidade, independente da empresa que exibe as transmissões.

Lembramos que através da Internet temos as chances de criarmos produtos independentes, próprios, de qualidade, e que sejam contrapostos a essas buscas de monopólio por parte das grandes companhias. É claro que não é algo que hoje afete qualquer que seja a emissora, mas é uma forma de termos expressão e voz para quem quiser nos ouvir. O Em cima da Linha é um grande exemplo disso.

 

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