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Quando foi feito o novo acordo de televisão do futebol brasileiro, muitos ficaram preocupados que se repetisse o que ocorre na Espanha nos dias de hoje(o que ao meu ver aqui, se ocorrer, terá um número maior de clubes favoritos, dada a grandeza dos mesmo e a benevolência com as dívidas dos mesmo, mas esse não é o tema aqui) e que a curto prazo não parece que será resolvido.

Duas das mais caras transferências dessa janela, foram do Álvaro Negredo(27 milhões de euros) e Jesus Navas(30 milhões de euros) do Sevilla, para o Manchester City. Na Inglaterra eles se juntam a: David Silva, no próprio City, além de De Gea(United) Pepe Reina(Liverpool), Mata, Torres e Azpilicueta(Chelsea), Cazorla(Arsenal) como jogadores selecionáveis da Fúria.

Não é muito comum ver uma seleção de ponta como a Espanha(de ponta principalmente nos últimos anos) e um dos campeonatos que tinham a tradição de ser dos mais fortes e ricos, tendo uma debandada tão grande de bons nomes. Até nomes de menor expressão como Callejon e Albiol preferiram sair do país a continuar na Espanha.

Isso é o resultado prático da mudança nas negociações de cotas de tv, que ocorreu há alguns anos. Antes pode-se pegar as classificações finais do campeonato e se via outros times tirando Barcelona e Real Madrid dos primeiros lugares, tendo inclusive campeões diferentes(Atlético de Madrid, La Coruña e Valência tendo sido os mais recentes fora os dois), porém de uns anos para cá, a fonte dos outros times foi secando e o abismo que separa os demais das duas potências, chegou a níveis nunca antes vistos.

Havia equilíbrio, a distância dos campeões não era tão grande, porém nos últimos tempos beirou 20, até 30 pontos dos dois para os demais. Acabou tornando-se desinteressante até para os jogadores da seleção citados anteriormente, que não veem mais perspectiva de disputa estando em outro time, que não sejam Real e Barça.

O negócio “la liga” deixou de ser um dos campeonatos mais ricos e hoje perde em faturamento até para a Bundesliga, que é um campeonato mais “modesto”(exceção feita ao Bayern), mas que apesar de tudo tem muito mais equilíbrio(haja visto que mesmo com a diferença de faturamento dos times para o gigante bávaro, se voltarmos no mesmo período que na Espanha, encontraremos: Stuttgart, Werder Bremen, Borussia Dortmund, Kaiserslautern e Wolfsburg como campeões, alguns até mais de uma vez), justamente porque ninguém quer ver um campeonato que a única emoção que se tem é saber qual dos dois que ganham na disputa entre eles e ver os outros dezoito disputando para ver quem fica em terceiro, o “título” dos demais.

A situação chegou em um nível que recentemente os dois gigantes até aceitarão diminuir suas cotas, para aumentar a receita dos demais, como forma de retomar o equilíbrio, porém o estrago está feito já e a curto prazo não será desfeito. Alguns times definharam, como o La Coruña, que até por conta de ter um “patrono”, depois que a fonte secou foi sumindo e hoje está na segunda divisão, mesma situação que passou Villareal, semifinalista da Champions, que caiu e voltou agora.

Times como o Sevilla, que chegou a ser bicampeão da Copa da Uefa, ou Valência, que nesse século foi o único a quebrar a hegemônia dos dois, vivem agora momentos de ostracismo, o primeiro perdeu suas principais estrelas, o segundo esteve afundado em dívidas e agora que vem se recuperando. Dos demais o que tem a melhor situação é o Atlético de Madrid, mas mesmo ele ainda sim não tem um time à altura para competir com Real e Barça, ainda mais depois da perda do Falcão para o Mônaco.

Muitos acham que essa questão da cota está certa e que quem dá mais audiência deve receber muito mais, porém isso é só meia verdade: ele deve sim receber mais, porém times como o Real Madrid e Barcelona, tem muitas outras fontes de arrecadação e dependem menos das cotas de tv, do que times menores, ou seja o fato de eles receberem mais, mas não muito mais, para eles não muda em nada, eles continuarão a ter uma fortuna e poderão gastar muito mais que os demais, porém os outros recebendo muito menos, terão poucas condições de montar bons times e mesmo de segurar suas principais estrelas, tornando assim o campeonato como um todo, muito menos atraente, pois o maior atrativo de uma competição é ter muitos times em condição de candidatos ao título e não apenas dois.

A lição da Espanha está dada, pois por mais algum tempo, seu campeonato será um “escocês com grife”(escocês que ficou ainda mais precário com a falência do Glasgow Rangers), exemplo de como nenhum campeonato deve ser administrado se você almeja equilíbrio e atratividade para o mesmo. Uma pena, pois era dos mais interessantes campeonatos de se assistir, mas hoje em dia, está um tédio… interesse apenas nos duelos Real x Barça e para os brasileiros ver o desempenho do Neymar, o que é muito pouco para um campeonato do tamanho do espanhol e que tem a seleção campeã mundial.

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