Fim dos investidores no futebol: o que pode mudar?

Na esteira do dossiê que venho publicando, surgiu uma notícia que pode fazer a médio/longo prazo os clubes brasileiros avançarem um pouco mais à caminho da profissionalização: que foi a proibição de investidores no mundo do futebol.

Na pratica o que isso significa?

Pegando o exemplo mais emblemático desse ano, proibiria a tal Doyen Sports de contratar o Leandro Damião e repassá-lo ao Santos.

Tirando esse que chamou a atenção por ser a venda mais cara da história do futebol brasileiro, pode-se ir a qualquer clube, que se encontrará uma quantidade gigantesca de “jogadores pizza” que tem parte dos direitos com o clube, parte com empresário, parte com fundo de investimento, etc.

Fazendo isso, a FIFA espera(e eu também) que o poder de influência desses fundos e empresários reduza de forma bastante considerável, haja visto que o jogador deve agora ser 100% de um clube.

O problema é que grandes empresários, talvez já antevendo esse problema, criaram clubes de aluguel(casos de Rentistas(URU) do Juan Figger, Desportivo Brasil da Traffic e Tombense do Eduardo Uram), onde o jogador assina contrato e é emprestado a outro clube ou então vendido sem nem mesmo chegar a jogar por algum deles.

A vantagem é que nem todos empresários tem condição de criar e manter um clube como esses grandes, então pode ser que muitos deles acabem simplesmente desaparecendo, ou então se juntando e criando(ou assumindo) outros clubes, para fazê-los de clubes de aluguel, tal qual os que citei.

Em termos práticos a tendência é que as coisas comecem a se dificultar e a influência dos mesmos nos clubes venha a diminuir com o tempo, o que será muito benéfico para os clubes, principalmente se pensando nas categorias de base, que podem ficar mais à salvo.

E o que muda para os clubes com tudo isso?

Tirando evidentemente a questão citada dos clubes de aluguel(que virará praticamente a única alternativa para a continuidade da atuação deles), poderemos ver algumas questões envolvendo clubes:

– empresários emprestando o dinheiro para o clube contratar e depois cobrando esse dinheiro quando o cara for vendido e se valendo também dos juros do período(até porque o clube não terá dinheiro para devolver a curto prazo).

– diversos jogadores da base vinculados a clubes de aluguel e emprestados ao seu clube de origem.

O lado bom de tudo isso é que existe uma grande chance dos clubes aproveitarem isso para começar a se reorganizar e voltar a serem realmente donos dos seus jogadores, sem ficarem tão reféns dos fundos e empresários como são atualmente.

Seriam necessárias para isso algumas atitudes dos clubes em conjunto, como por exemplo reduzir a folha salarial de jogadores, desinflacionar os preços dos mesmos e obivamente não gastar mais do que pode, até porque se não tiver dinheiro para pagar os jogadores, eles pegam e vão embora.

No longo prazo, se bem aproveitada, essa lei vai dar aos clubes grande parte da autonomia deles de volta, além de deixá-los de novo com a chance de lucrar efetivamente com eventuais vendas.

Outro ponto interessante é que com isso existe a chance de que os ídolos dos times permaneçam por um tempo maior nos clubes, haja visto que não será sempre que outros times terão essa grana para levá-los embora. Pode ser bom para que não hajam mais tantos desmanches como costuma ter todo ano aqui no Brasil.

Claro que não acredito, nem sou tão inocente a ponto de achar que com isso os empresários irão sumir, porém acho que isso é uma bola dentro da FIFA para ao menos conseguir diminuir a influência deles no mundo do futebol, coisa que vem sendo tão nociva ao longo dos anos(muito em função dos clubes terem permitido isso, claro).

Os clubes nesse meio tempo da implantação efetiva disso, precisarão se readaptar e digo mais, deveriam se reunir e rediscutir essa política inflacionada, principalmente de salários, para assim conseguirem manter a competitividade e não correrem riscos de estourarem o caixa e passarem a perder jogador por falta de pagamento. Os clubes aqui do Brasil vão precisar com isso repensar para ontem seu método de agir, senão acabarão a míngua.

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