Editorial – Acabou a copa, Fica o legado

Esperei passar um pouco a emoção da grande final para escrever por aqui.

Na condição de editor chefe do Em Cima da Linha (cargo que criei dois dias antes da copa e dei a mim mesmo mas todo mundo sabe que não apito nada no site), acho que devia umas palavras a vocês.

Foram 30 dias de muita, muita alegria e futebol. Foram quase 100 posts (deve ter algum jeito de ter o número exato, mas a preguiça me domina agora), mais de 3.000 visitas aqui no site, fora as mais de 20.000 visitas em nossa página no Facebook, quase 100 curtidas novas, alguns programas na rádio, e por aí vai.

Em outras palavras, juntos, respiramos futebol. Em casa, no trabalho, no estádio, na escola ou na faculdade, quando ouvíamos aquele Oooeeeaa da abertura da Fifa o coração já batia mais forte e corríamos para a frente da Televisão.

Jogos bons (a maioria), não tão bons (alguns) e ruins (pouquíssimos) aconteceram, polêmicas como a mordida do Suarez e a contusão do Neymar, gols antológicos, uma festa inesquecível dentro e fora das arquibancadas.

Deixando a política de lado, a copa agradou a todos. A quem achava que ela seria ruim, ela foi surpreendentemente boa, e a quem achava que seria boa, ela superou as expectativas.

E agora, nesse vazio que sentimos, já órfãos dos jogos, fica a pergunta: qual o verdadeiro legado desta copa?

Dentro de campo, não tivemos nenhuma revolução tática e nenhum jogador brilhou mais do que o normal, assim como nenhuma seleção será lembrada como um super time.

Tivemos uma campeã que se destaca pelo planejamento, pelo jogo coletivo, troca de passes. Apesar de eu discordar, o senso comum diz que a Alemanha não tem nenhum grande craque (pra mim o Bastian Schweinsteiger é um dos grandes jogadores desta geração – completo, moderno, versátil) e o grande destaque é a capacidade de compactação e movimentação da equipe.

De qualquer forma, acredito que seja tendência daqui pra frente equipes que valorizem a posse de bola mas não da forma chata como a Espanha fazia em 2010, e sim com velocidade e agressividade como esta Alemanha faz.

Para o futebol brasileiro, a copa de 2014 foi uma grande lição do quanto estamos atrasados e precisamos evoluir tática, técnica, física e psicologicamente. O resultado final mostra que estamos a milhas de distância de nossos adversários, e a torcida que fica é que essa vergonha seja apenas uma pequena mancha na história monstruosa de nossa seleção.

Do lado de fora das quatro linhas, também temos um legado interessante. Além dos estádios (alguns, como já sabíamos, serão gigantescos elefantes brancos, mas muitos serão utilizados e quem sabe virem referência para os estádios mais antigos), a infra estrutura ao redor dos mesmos podem e devem ser aproveitados pelas equipes, mas acredito que o maior legado não é material.

Não vamos nem ao céu nem ao inferno.

Para os pessimistas que achavam que não ia ter copa, vimos que foi possível fazer uma festa maravilhosa, e é consenso entre torcedores, jornalistas e jogadores que foi a maior copa da história em termos de animação e emoção.

Para os otimistas, que sempre achavam que ia ser tudo perfeito, é importante lembrar que algumas cidades tiveram sérios problemas de locomoção e principalmente de estadia – pode parecer lindo oferecer o sambódromo para os estrangeiros, mas isso só evidencia a falta de rede hoteleira, por exemplo.

Porém, vamos focar no grande legado desta copa: foi provado que nós, brasileiros, somos capazes de proporcionar um espetáculo de primeira grandeza. Que isso fique para nossas competições, e o torcedor possa ser respeitado com acesso aos estádios, preservação dos lugares marcados, venda de ingressos pela internet, jogos de alta qualidade, e tudo o mais que tivemos nessa copa do mundo.

Parece até piada, mas no país da impunidade a grande notícia, para mim, foi o desbaratamento de uma quadrilha de cambistas que agia debaixo das asas da FIFA, com a prisão dos principais responsáveis pelas mutretas. Há quem diga que a casa de muita gente poderosa no futebol ainda vai cair por causa disso. Torçamos.

De nossa parte, o maior legado do Em Cima da Linha é a continuação do trabalho sensacional feito por essa equipe. Luiz Mutsa, Vinicius Belli, Bernardo Marchesini, Diogo Cutinhola, Marcos Bogo, Henrique Siqueira, James Watzel, Fabio Rossini, Tatiana Ferreira, Luciano Sant’Anna, Igor Cavalcante e todos que direta ou indiretamente colaboraram para que este projeto fosse realizado, fica aqui o meu MUITO OBRIGADO! Espero contar com vocês na sequência de nosso trabalho, no campeonato brasileiro, e se alguém que está lendo aqui quiser fazer parte de nossa equipe, tiver alguma ideia de coluna legal ou nova plataforma de atuação para o Em Cima da Linha, estamos de braços abertos para novas propostas.

Amanhã já tem campeonato brasileiro e temos muito trabalho pela frente, mas não posso deixar de dizer antes de finalizar: #tevecopasim #tevemuitacopa

Um forte Abraço a todos,

Fernando Rossini

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