Dunga Sim

O velho novo treinador da seleção brasileira.
O velho novo treinador da seleção brasileira.

Nos últimos dias, tomou conta da grande mídia a confirmação extra-oficial de que Dunga será o próximo técnico da seleção.

O comandante de 2010, muito contestado por uns, idolatrado por outros, está de volta, sendo quase uma unanimidade que não deveria ser ele o novo técnico. Pois eu sou completamente a favor, e explico.

Não acho que seja possível fazer uma avaliação sobre o trabalho do treinador Dunga. Ele ficou na seleção por um período de quase 4 anos, conseguiu bons resultados (uma Copa América, uma Copa das Confederações e a liderança nas eliminatórias) e foi eliminado nas quartas-de-final contra a Holanda em um jogo no qual o Brasil poderia ter matado a classificação ainda no primeiro tempo e a arbitragem foi extremamente prejudicial ao Brasil (o árbitro, para quem não lembra, era o japonês que inventou aquele pênalti no Fred contra a Croácia na copa de 2014). Perder de uma seleção forte como a Holanda, que foi vice-campeã naquele ano, não acredito que seja uma vergonha.

Após isso, Dunga ficou um tempo no Inter, não fez um trabalho brilhante mas conseguiu ganhar o estadual (parece óbvio, mas o tão aclamado Vanderlei Luxemburgo não conseguiu isso no Grêmio) e depois saiu em meio a um fraco campeonato brasileiro.

Considerando que muitos dizem que aquela seleção era formada taticamente pelo Jorginho (assim como a atual era formada pelo Parreira), há muito pouco o que ser dito sobre o Dunga treinador.

Não vou me alongar sobre o Dunga jogador ou o Dunga cidadão, porque acho que isso não vem ao caso.

Muitos idolatraram o Dunga por ele supostamente ter proibido o acesso irrestrito da Globo aos treinos e concentração. Outros dizem que não era bem assim. Confesso que pra mim não faz diferença se a Globo tinha mais ou menos acesso, o importante é que em seu pequeno reinado à frente da seleção o treinador impediu invasões abusivas no treino e a seleção realmente trabalhou – e aí pode-se discutir se o trabalho era bem feito ou não.

Também nunca ouvi falar do Dunga ter conchavo com este ou aquele empresário. Mesmo as convocações mais absurdas, como a do tal do Afonso Alves, eram tomadas – aparentemente – pela teimosia (burrice) do treinador, e não por interesses financeiros. Se não há nem indícios da convocação dele “pelo bolso” como tivemos com outros treinadores, devemos dar a ele o benefício da dúvida, neste caso.

E por fim, não vai fazer muita diferença quem será o novo técnico, porque a estrutura do futebol e a condução da seleção brasileira não mudaram nada. Trazer um técnico “top de linha” agora seria queimar um cartucho de alta qualidade em uma parede intransponível. Falaram de Guardiola, Mourinho, entre outros. De técnico estrangeiro, eu traria o Klinsman. Mas você que está aí sentado (ou de pé, ou deitado) lendo esta coluna, me responda: um técnico desses resolveria o problema da seleção – e mais importante – do futebol brasileiro?

Lembremos que a CBF continuará muitos anos nas mãos da dupla Marin-Del Nero; que o todo poderoso coordenador geral das seleções agora é o recém aposentado empresário Gilmar Rinaldi (leiam este texto brilhante sobre o tema); o coordenador da molecada é o glorioso Gallo, que disse semana passada que as categorias de base brasileiras têm sido conduzidas com um trabalho brilhante, inovador e irretocável, e que não falta estrutura nem fundamento para os jovens, que ainda segundo ele, jogam sempre pro ataque; e o nosso campeonato começou 3 dias após a final da copa, com arquibancadas vazias e jogos de péssimo nível técnico.

Sendo assim, como o momento não é propício para colocar um técnico de ponta, acho que o Dunga é sim a melhor solução. Se fosse um Tite, um Muricy, um Marcelo Oliveira da vida, também seria a melhor solução. Poderiam até chamar o Emerson Leão de volta. Não vai mudar coisa alguma mesmo.

Aliás, importante ainda lembrar que daqui pra frente o novo técnico terá obrigação de escalar entre 30 e 50% do time principal com jogadores de idade olímpica. Pior do que ter que fazer essa renovação é fazer assim, na marra. Vejo muitos jovens jogadores sendo queimados em praça pública nessa caça às bruxas que virou o nosso futebol. Só estamos esquecendo de caçar no lugar certo. Os jogadores e o técnico são no máximo os anões da Branca de Neve. As bruxas, sabemos bem que são. E nós, nesse conto de fadas, continuamos acreditando em unicórnios e esperando um final feliz.

 

Deixe uma resposta