DUNGA. A Melhor Escolha?!

Muitos têm questionado a contratação de Dunga como técnico da Seleção Brasileira de Futebol. As reclamações vão desde o seu relacionamento com a imprensa, passando pela falta de educação, pela falta de experiência e até por ser retranqueiro, e embora todas estas queixas tenham fundamento elas são facilmente derrubadas com os números da primeira passagem do treinador gaúcho pela Seleção (42V-12E-6D, 76,7% de aproveitamento) que são muito melhores do que os da última comissão técnica.

Porém, é preciso entender que a razão da mudança de técnicos na CBF é em teoria iniciar um processo de renovação visando a Copa de 2018 na Rússia – porque na prática a verdadeira razão é a derrota por 7×1 contra a Alemanha – e sendo assim o novo treinador deveria ser alguém capaz de mesclar experiência e juventude nas convocações dos próximos quatro anos até a convocação final para o próximo Mundial, alguém que observe e aproveite jogadores das seleções de base, alguém que observe os Jogos Olímpicos e aproveite jogadores desta equipe.

Dentro deste “projeto de renovação” (deixei entre aspas, pois na verdade não existe um projeto) devemos analisar a primeira passagem de Dunga na Seleção para vermos se ele tem o perfil necessário para renovar a seleção.

Em sua primeira passagem pela Seleção Dunga convocou  80 jogadores (9 goleiros, 16 laterais, 13 zagueiros, 15 volantes, 12 meias, 15 atacantes). Destes jogadores os mais convocados e que mais jogaram por posição foram: Julio César (GOL), Maicon (LD), Lúcio (ZAG), Gilberto (LE), Gilberto Silva (VOL), Elano (MEI), Robinho (ATA), todos eles estiveram na lista final de Dunga.

O primeiro jogo de Dunga como técnico da seleção foi um empate de 1X 1 contra a Noruega com gol do hoje gordinho Daniel Carvalho, dos convocados em seu primeiro jogo nove estavam presentes na Copa de 2010 (Gomes, Juan, Lucio, Luisão, Maicon, Gilberto, Elano, Julio Baptista, Robinho).

Dunga não era muito chegado em convocar jogadores jovens, deixou fora da lista final da Copa (e não convocou nenhuma vez) os dois melhores jogadores brasileiros na época: Ganso (21 anos) e Neymar (18 anos), além de ter utilizado somente dois jogadores da Seleção medalha de bronze nas Olimpíadas de 2008 (Thiago Silva e Robinho – dois dos três jogadores acima da idade nos Jogos). O jogador mais jovem em sua seleção na Copa era Ramires com 23 anos.

O treinador com nome de anão priorizou a experiência em seu trabalho anterior. A média de idade da seleção de 2010 era de quase 29 anos (28,7 anos), dos 23 convocados, 9 tinham experiência em Copas do Mundo – Julio César (2006), Luisão (2006), Lúcio (2002 e 2006), Juan (2006), Gilberto (2006), Kleberson (2002), Kaká (2002 e 2006), Gilberto Silva (2002 e 2006), Robinho (2006) – tendo inclusive vários jogadores com mais de 30 anos de idade.

O que isto significa? Nem o treinador e muito menos a CBF estão preocupados com o processo de renovação da seleção ou com um trabalho de longo prazo visando à próxima Copa (2018) e a continuidade de uma base para as Copas seguintes (2022 e 2026). O trabalho é de curto prazo visando à competição mais próxima (Copa América) e será reavaliado a depender dos resultados. Não havendo nenhuma garantia de que o treinador seguirá depois da Copa América, ou seja, estamos colocando um “band-aid” em uma fratura exposta.

A seleção continuará sendo um “catado” que se reúne de vez em quando para enriquecer a CBF e os seus dirigentes. Não veremos nenhuma mudança na filosofia de trabalho muito menos o resgate do jeito brasileiro de jogar futebol.

Diante de tudo isto só se pode dizer que Dunga é um excelente nome para (falta de) o projeto da CBF. A CBF merece o Dunga e o Dunga merece a CBF.

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