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Seguindo a série do dossiê, hoje vamos analisar a questão das dívidas dos clubes.

Em tempo: não vou aqui colocar números sobre dívidas totais de clubes, primeiro porque eles não divulgar, segundo porque muitas vezes vazam valores divergentes, que deixam muitas dúvidas sobre a real saúde financeira de cada um, então vou me basear na questão mais evidente: investimentos, sejam eles em estrutura, jogadores, base e os compromissos básicos, como salários e contas do clube.

Partindo de casos recentes, pegamos casos como o do Botafogo(acho que ele ainda merecerá um capítulo à parte, de como ele pode acabar virando o exemplo para os outros times) que atrasa salários e simplesmente não tem de onde tirar dinheiro para pagar(caiu do céu a notícia que torcedores ricos vão bancar esse resto de ano, mas ano que vem volta tudo à mesma), ou do Palmeiras tomando empréstimos pelo Paulo Nobre, do São Paulo que atrasou salários, do Corinthians que teve denunciada sonegação de impostos no ano de 2010(porque não me surpreende o fato de o Andrés ser o presidente na época?) e indo um pouco além como o caso do Vasco que teve água cortada ou dos ratos no ct do Fluminense e por aí vai.

A irresponsabilidade dos dirigentes é algo muito antigo no futebol, muito em função do período romântico do mesmo, onde eles inventavam algumas contratações, tiravam dinheiro daqui e dali e muitas vezes o fato de o time conseguir um sucesso, aquilo acabava por não pesar tanto, sem contar também a diferença brutal de gastos de antes para hoje em dia.

O problema é que os dirigentes pararam no tempo e não se tocaram que o que gastavam antes não era mais o que se gasta hoje e agora os clubes vem pagando ano após ano por essas sandices.

Alguns bons exemplos de como essa transição foi mal feita foram os casos do Palmeiras com a Parmalat, Grêmio e Flamengo com a ISL, Vasco com o Bank of America.

Exagero? pois vamos aos fatos:

O Palmeiras teve um período multicampeão com a co-gestão com a Parmalat, mas depois que ela saiu, o time começou a patinar, vivendo períodos obscuros, que culminaram com duas quedas para a série b e apenas um paulista e uma copa do brasil desde a saída da empresa no ano 2000.

O Grêmio depois que a ISL faliu e deixou a dívida para o clube, ele caiu para a série b e conseguiu apenas 3 títulos gaúchos, e isso muito em função do baixo nível do estadual de lá.

O Vasco após a saída do Bank of America, em 2001, entrou em uma pindaíba que culminou em duas quedas para a série b(tanto que atualmente está nela) e conquistou apenas um carioca e uma copa do brasil.

O Flamengo talvez seja o ponto fora da reta desses casos, pois gasta o q não tem, monta times com salários de meses de 90 dias e hora ou outra dá algum resultado, tanto que o time hora briga pra cair, outra está disputando lá em cima. Desde a saída da ISL, o time ganhou 6 cariocas, 1 brasileiro e 2 copas do brasil. É título até demais para um time que faz as coisas de orelhada, gasta por conta, fica devendo a deus e o mundo, porém ele é uma das bandeiras que ainda justificam a forma amadora de se gerir futebol, pois contando em alguns casos com conjunção de fatores(ou quem poderia imaginar que o Petkovic com 37 anos jogaria o que jogou, assim com o Adriano, que lembrou seus velhos tempos de imperador no ano de 2009) e outros com a ruindade dos times do seu estado(lembremos que se a fase deles é ruim, a de Vasco e Botafogo são ainda mais pavorosas.

Além dos casos citados acima, tem aqueles de times que simplesmente se perderam pelo caminho, depois do fim da lei pelé(que será discutida futuramente), com o caso mais emblemático do Botafogo. O Atlético-MG foi outro time que desandou depois disso, mas tem conseguido se reestruturar muito em função do seu presidente e hoje em dia tem um time respeitável e dá a impressão que manterá esse nível por pelo menos mais um bom tempo. Voltemos então ao Botafogo.

Passado os anos 90, o time vem sofrendo com a montagem de times, caiu uma vez para a série B(não foram duas por conta da virada de mesa que gerou a copa joão havelange), tem dívidas que parecem impossíveis de sanar e a torcida também não parece se comover muito, haja visto que nem na época que o Seedorf estava lá, o time conseguia atrair um público decente para seus jogos.

Eles parecem ser um caso emblemático, pois é o time que acabou por não aguentar tantas gestões ruins, gastos mal feitos, dinheiro mal gerido para manter as finanças minimamente saudáveis… Em qualquer outro país mais sério, já teria entrado em processo de falência, mas aqui como é uma várzea, o time segue lá, nem tão firme, nem tão forte, mas vivo. Talvez se ele fosse o escolhido para ser falido, isso pudesse ligar o alerta para que os outros times aprendessem a ter maior responsabilidade.

Isso mostra apenas que nada é assim por acaso e que aquelas gestões amadoras, uma hora ou outra acabam por cobrar seu preço, pois esse dinheiro em algum momento terá de ser pago e nunca se sabe o que será do time quando isso acontecer. Pior de tudo é considerar que isso ainda não é tudo, ainda tem muito mais coisa que levou o nosso futebol ao atual estado que se encontra…

Atualizando a situação: um jogo da série D terminou em W.O. porque os jogadores do Barueri se recusaram a jogar contra o Operário-MT depois de terem 4 meses de salários atrasados. É pouco ainda, mas é um bom sinal de que as coisas já começaram a mudar.

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