Destruindo Mitos

Resolvi criar uma série. E bom, se o título não prima pela criatividade, é fiel ao objetivo e conteúdo da série. O futebol é um esporte pródigo em superstições, em lendas urbanas, em mitos.

Ocorre que o tempo passa e as pessoas não evoluem, continuam reféns de coisas que até poderiam fazer sentido há 50 anos, mas agora não mais. O maior símbolo disso é gente citando Nelson Rodrigues para “explicar” a Copa e a participação do Brasil. Sério, 60 anos depois? Nelson Rodrigues foi sensacional, sim naquele tempo, e mesmo naquele tempo, muito do que fala era simbológico, mas tem muita gente com preguiça de interpretar.

Feita a necessária introdução, vamos quebrar o primeiro mito.

“Futebol é uma caixinha de surpresas!” Não, não é! E os fatos comprovam.

Podemos comparar o futebol a outros esportes e assim, diante de algumas características (como a possibilidade de manter a bola em sua posse sem limite de tempo, tratar-se de esporte com tempo de jogo e não necessidade de fazer uma quantidade de pontos) dizer que o futebol permite maiores surpresas que a maioria dos outros. Mas daí a “caixinha de surpresas” é forçar a amizade.

Vamos aos fatos: Que campeão de Copa do Mundo não estava entre os favoritos? Respondo, NENHUM! Ah mas a Itália não era o melhor time de 82, o Brasil de 94 também não era genial. Tudo bem, mas para se dizer ser uma caixinha de surpresa, precisamos mais do que isso.

Ué, e o Maracanazzo? Bom o Maracanazzo está mais na cara que nariz. A preparação da seleção brasileira para qualquer pessoa que tivesse seriedade na análise era um motivo suficiente para se acreditar no Uruguai.

Como eu disse, sim, podemos pinçar na história uma ou outra zebra, mas isso acontece na vida, isso acontece em todos os esportes e fora dele. E vou além, Guga em Roland Garros 97 foi muito mais zebra que qualquer uma das supostas acima no futebol.

Só um pouquinho sobre 1982 antes de passar adiante. Não houve zebra nenhuma. Telê foi avisado pelos jogadores que atuavam na Itália, que a Azzurra atacaria por aquele lado e por isso deveria equilibrar nosso meio campo, que pendia para um lado, mas ele preferiu não. Vejam, de novo, falha na preparação!

É amigos, o 7×1 não é coincidência, nem novidade, repetimos a mesma soberba e ausência de preparação adequada.

E foi mais além um pouco. As poucas zebras reais diminuirão ainda mais. Futebol, como todos os esportes, tem que dar retorno aos investidores, e também por isso temos mais campeonatos por pontos corridos. E nesses então, é impossível de se ter uma zebra. Ganha o melhor, ou a menos o mais preparado, aquele que sabe fazer os pontos no momento certo.

Desculpem, futebol não tem sorte ou azar, como tudo na vida tem trabalho. Pelé sempre disse que no dia que a jogada não estava dando certo ele corria mais que todos os outros. Zico é famoso não só pela perfeição na cobrança de faltas, mas sim pela quantidade de treino que se submetia para atingir aquela eficiência.

Se você ficou tão surpreso, tenha certeza, não é o futebol que é uma caixinha de surpresa, é você que não sabia que aquilo poderia acontecer.

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