Desgraça anunciada

Domingo, antes do Derby, tive a oportunidade de cruzar com alguns ônibus levando torcedores de uma uniformizada para o estádio.

Eu, acostumada a frequentar estádios desde bebê, confesso que fiquei assustada com a cena que vi enquanto esperava dois policiais escoltarem os ônibus e van dos torcedores pelos faróis vermelhos de uma das avenidas mais movimentadas da cidade.

Ali, parada com meu carro no farol vermelho, fiquei chocada com a agressividade gratuita da torcida. Torcedores pendurado nas janelas dos ônibus, gritando, brigando, xingando e fazendo provocações para torcedores até de outros clubes que passavam tranquilamente com suas famílias pelas ruas.

O que vi ali, não vou esquecer tão cedo, o que senti ali naqueles minutos não vou esquecer tão cedo: foi o prenúncio de uma tragédia anunciada.

Confesso que não quis ver o jogo. Fui para um parque e só nos minutos finais fui atrás de uma TV para saber o resultado. O jogo nem tinha acabado. Mas pra mim, quem ganhasse ou quem perdesse, já tinha saído no prejuízo. O resultado mesmo, já não tinha mais tanto valor.

A briga (ou seria GUERRA) entre torcedores antes do jogo já tinha decretado quem tinha ganhado e quem tinha perdido.

Ganhou a intolerância, o preconceito, o medo e a dor. Perdeu a vida, a alegria e o futebol.

Nosso futebol está agonizando na UTI e antes que ele dê seu último suspiro, quero dizer que estou em luto desde já.

Mas antes de terminar esse texto, faço uma provocação: tem mesmo que ser assim?

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