Depois de dois anos pouco nobres, 2015 será o ano da redenção?

Desde o fim de 2014, quando o Palmeiras não caiu, mais por sorte do que por juízo, o Nobre vinha sendo cobrado e pressionado(principalmente depois de sua reeleição) para que mudasse sua forma de conduzir o time, que nos dois primeiros anos tinha-se mostrado um grande fracasso.

Partindo do princípio que ele realmente aprendeu algo com tantas bobagens, desde o fim do brasileiro o que se nota é um Palmeiras com uma nova cara, com alguns aspectos que valem muito a pena serem enaltecidos:

Elenco: tirando a espera pelo Arouca e a busca por um goleiro confiável(tirando o Prass, não confio em nenhum dos que estão lá), o time já está praticamente definido para 2015, com possivelmente alguns acertos no meio do ano.

Chegaram até o momento:

  •  victor Hugo, Victor Ramos e Jackson, para a zaga.
  •  Lucas, para a lateral direita
  •  Zé Roberto e João Paulo, para a lateral esquerda.
  •  Andrei, Gabriel e Amaral, para volante.
  •  Robinho, Alan Patrick e Ryder Matos, para o meio campo.
  •  Rafael Marques, Dudu, Kelvin e Leandro Pereira, para o ataque.

Permaneceram do elenco de 2014:

  •  Fernando Prass, Fabio e Jaílson, para o gol(eu deixaria só o Prass, mas ainda precisa de um substituto).
  •  João Pedro, para a lateral direita.
  •  Tobio, Nathan e Wellinton, para a zaga.
  •  Victor Luis, para a lateral esquerda.
  •  Renato, para a posição de volante.
  •  Valdívia, Mendieta e Allione, para o meio campo.
  •  Mouche, Cristaldo e Leandro, para o ataque.

Foram ainda reintegrados depois de voltar de empréstimo

  •  Ayrton, para a lateral direita
  •  João Denoni, para volante
  •  Maikon Leite, para o ataque(esse eu mando embora na primeira oportunidade).

– Dispensas: mais do que trazer peças novas, era preciso descartar o tanto de refugos que estavam no time e até o momento isso vem sendo feito com muita competência, pois os que ainda não saíram, pelo menos já estão afastados, apenas esperando algum corajoso contratá-los.

Já saíram ou estão afastados em busca de outras equipes:

– Bruno, Deola, Weldinho, Wendel, Gabriel Dias(que acho que vale só emprestar) Victorino, Lúcio, Juninho, Eguren, Washinton, Felipe Menezes, Bruno César, Wesley, Rodolfo, Mazinho e Patrick Vieira(esse talvez jogando no Naútico, seu novo clube, consiga se acertar, porque potencial tinha, mas desandou).

Ainda tem os que voltaram e já saíram, casos de Vinícius, Tiago Real, Tinga, entre tantos outros refugos que nem deveriam ter sido contratados.

Comissão técnica: Depois de um ano deplorável, onde o Palmeiras teve 4 treinadores diferentes no comando(Kleina, Valentim, Gareca e Dorival), coisa impensada e que até então eu nunca havia visto no Palmeiras, ele começou trocando e trazendo uma das melhores opções disponíveis no mercado: Oswaldo de Oliveira, que depois de diversos bons trabalhos(os últimos no Botafogo e no Santos) , chega com um salário mais aceitável do que o que por exemplo o Mano pedia(cerca de 600 mil), além do fato de ser um técnico melhor e mais bem relacionado.

– Direção: depois de esperar 2 anos para ver que o Brunoro era um grande incompetente, ele foi atrás daquele que atualmente é um dos mais qualificados diretores de futebol do Brasil: o Alexandre Mattos. A eficiência com que ele trabalha e rapidez para fechar ou não um negócio é aquilo que sempre faltou no Palmeiras. O time conseguiu muitos negócios interessantes e fez algumas apostas com um baixo custo(pagando apenas os salários), exceção apenas para o Robinho(que custou 2,5 milhões), Leandro Pereira(5 milhões) e o Dudu(19 milhões).

O caso do Dudu ainda vale uma consideração especial, visto que foi feito superando os rivais Corinthians e São Paulo, que fizeram negociações arrastadas e não conseguiram fechar com o jogador, seja pela falta de verbas, seja pelo desinteresse do jogador.

Como sempre disse durante as negociações, não acho nenhum fora de série, mas um bom jogador que estava supervalorizado. Achei inclusive um valor elevado o pago pelo Palmeiras, porém simbolicamente foi um negócio que valeu tanto a pena, que até esse detalhe do alto valor, ficou em um segundo plano. A chegada dele disparou o número de adesões no programa de sócio-torcedor, pôs novamente o clube em evidência, pois ele conseguiu trazer aquele que era o jogador mais disputado da janela de transferências até então e principalmente fez o clube voltar a ser atraente para os jogadores, pois ao ver um time que ainda está em reconstrução, ser escolhido em detrimento a dois que vivem melhores momentos e estão disputando a libertadores, já faz com que os jogadores que possam vir a interessar ao time, olhem de forma diferente, considerando que ali eles tem chance não só de aparecer, mas de disputarem títulos. Por tudo isso, foi uma contratação excelente.

– Patrocínio master: o que aconteceu nesta quinta foi sem dúvida o mais duro golpe na disputa Palmeiras x São Paulo até o momento. A Crefisa, que vinha negociando há algum tempo com o time do Morumbi, fechou com o Palmeiras em apenas pouco tempo de negociação, afirmando que além do projeto ser mais interessante, a ausência de escândalos e o fato de o clube estar com tudo em dia, pesou na decisão favorável ao clube alviverde. Patrocínio esse que renderá 23 milhões ao clube(pelos próximos dois anos), um negócio até próximo dos 25 milhões que o Nobre tanto proclamava que seria o mínimo a se aceitar e bem acima dos negócios antigos(sendo o mais alto, o de 17 milhões da Kia).

– Programa sócio-torcedor: um dos poucos pontos que sempre elogiei na gestão do Nobre, ele agora não só consolidou-se como o terceiro maior do país(cerca de 78 mil sócios), como está prestes a passar o do Grêmio(que tem pouco mais de 80 mil), o que será histórico, pois desde que é feita essa medição, nenhum time havia tomado os dois primeiros lugares dos gaúchos e da forma como vai o programa palmeirense(só esse ano já houveram mais de 10 mil adesões), não só o lugar do Grêmio, como até mesmo o do Internacional pode começar a correr riscos.
Por tudo isso, posso dizer que o início da segunda gestão do Paulo Nobre está sendo impecável. Se renderá títulos ou grandes resultados nesse primeiro ano? Sinceramente não sei, mas ver o time avançando já anima qualquer palmeirense.
Sobre o Paulo Nobre? Não mudo uma palavra do que disse sobre ele em relação aos dois primeiros anos de sua gestão. Ele foi extremamente incompetente, avaliou mal trabalhos(não devia ter renovado com o Kleina e devia ter demitido o Brunoro muito antes), não deu suporte ao Gareca, trouxe o Dorival, sendo que meses antes ele mesmo havia considerado que ele não era o mais adequado para comandar o time.

Errou em praticamente TODAS as contratações(as únicas que ainda tem potencial para dar certo, são a dos argentinos), além deles o que sobrou daquele time:

  •  Prass e Valdívia não foi ele que contratou.
  •  Nathan, João Pedro, Renato, Wellinton são da base.

Apenas Mendieta e Leandro foram jogadores que ele contratou e ainda sim são jogadores totalmente dispensáveis(o caso do Leandro é o pior, pois ele gastou um valor alto com ele e deixou o Kardec ir).

Não vetou o medonho negócio da venda do Barcos.

Vendeu o Henrique(zagueiro) e não trouxe um jogador de nível para seu lugar.

Contratou refugos como: Lúcio, Diogo, Felipe Menezes(esse um contrapeso na vinda do Kardec, e que foi feito um contrato longo), Josimar, Weldinho, Victorino, Ananias, Ronny(quem?), Rondinelly, Leo Gago, Kleber(quem?), André Luiz(que nunca tinha ouvido falar, antes tivesse continuado sem saber quem era), Serginho(quem?), Tiago Alves(certamente um dos piores zagueiros que já vi jogar), França(quem?), Paulo Henrique(nem jogou de ruim que é), Rodolfo(quem?), Bruninho, Bernardo(esse só tava mais magro, mas a disposição era a mesma do Bruno César) e Washinton.

Os menos piores foram o Vilson, Marcelo Oliveira, Charles, Henrique(atacante) Marquinhos Gabriel e Willian Matheus, sendo que salve o Henrique que não ficou, pois era caro e não valia o investimento, ou eles não tiveram os contratos renovados(caso de Vilson, Marcelo Oliveira e Charles) e alguém pior foi trazido no lugar, ou foram embora porque o time era obrigado a liberá-los em caso de proposta(casos de Marquinhos Gabriel e Willian Matheus). O Alan Kardec entraria nesse caso, mas ele já foi citado acima.

Pegou para si o “passe” de seis jogadores que contratou na sua gestão(Leandro, Mendieta, Allione, Tobio, Mouche e Cristaldo), o que totaliza 43 milhões amortizados da dívida de cerca de 150 milhões que ele tem com o clube. Pode-se dizer que isso é um ato louvável, mas ele apenas amenizou um pouco as bobagens que fez.

Grande parte da dívida se deveu ao fato de não ter negociado um patrocínio master, mesmo que fosse em valores menores, mas que mantesse uma entrada maior de verba, além de gastar muito com salários dos tantos refugos citados acima. Não cabe aí a questão de dizer que foram apostas, pois eles não vieram sequer com destaque, eram em muitos casos jogadores encostados, que vinham em má fase e os poucos melhorzinhos que trouxeram, não mantiveram.

Sequer fez bons negócios, pois vendeu o Henrique por um valor baixo, trocou o Barcos sem um retorno financeiro decente(podia ter vendido para a europa ou mesmo trocado em uma condição mais vantajosa) e no caso do Valdívia, vendeu na hora errada e sem trazer alguém à altura para seu lugar, tendo depois de arcar com o prejuízo de ter ficado sem ele durante parte dos jogos do brasileiro(e foi notória a diferença dele durante as partidas).

Ainda que a injeção dessa verba extra tenha sido providencial para o clube, não teria sido necessário um aporte tão grande, se boa parte dos fatos citados acima tivessem sido melhor planejados, pois gastar errado é uma das piores formas de desperdiçar dinheiro.

Pagou caro pelo Brunoro e o manteve mesmo depois de diversos erros e errou duplamente quando quis interferir no trabalho dele, atrapalhando as pouquissímas coisas boas que ele fez(caso da renovação do Kardec por exemplo). Não teve peito para mandá-lo embora na hora que deveria, deixando o 2014 ser ainda mais tenebroso que o 2013(só não foi pior porque o time não caiu).

Prometeu fazer uma base para o time, coisa que hoje inexiste, pois salve o Prass, Tobio e Valdívia(que sabemos bem, é alguém que nunca s sabe quando dá pra contar), todo o time titular será mudado, ou seja, legado zero dos dois primeiros anos de mandato.

Com tantas besteiras que ele fez nos dois primeiros anos, o máximo que a torcida do Palmeiras pode fazer por ele até o momento, é dar um voto de confiança, pois até pelo fato de ele não ter pedido desculpas por tantos erros na administração anterior, ainda podem gerar dúvidas se ele realmente os reconheceu e agora está apenas buscando corrigí-los. Tudo indica que sim, mas ainda é muito cedo para saber, por hora ele ainda está arrumando a casa que ele ajudou a bagunçar.

 

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