Como fazer os bons jogadores do Brasileirão brilharem?

Que nós brasileiros atravessamos uma entre-safra absurda de craques de futebol não nos resta dúvida.  Mas ainda assim estamos com grandes dificuldade de fazer até mesmo com que os bons jogadores, e possíveis craques, rendam o que podem, ou teoricamente poderiam produzir dentro de campo.

O exemplo mais claro e nítido atualmente disso é o time do São Paulo. Que torcedor brasileiro nunca sonhou ter um ataque com Ganso, Kaka, Kardec e Pato? Podemos dizer que em outros tempos esse poderia ser o ataque da seleção brasileira. Inicialmente poderíamos pensar, quem vai parar esse time? Esse ataque vai ser demolidor. E na prática não está sendo bem assim, ao menos não regularmente. O time vem alternando bons e maus jogos, e ainda que em franco crescimento, não conseguiu chegar ao ápice dele esperado.

É claro que um time não ganha campeonato só com atacantes, mas se analisarmos apenas o rendimento do setor ofensivo, ainda veremos que falta um bocado para que cheguem os 4 jogadores ao que deles é esperado. Em uma análise pessoal eu diria que grande parte da dificuldade é culpa do futebol tático que hoje é jogado no Brasil. Os técnicos não estão acostumados a terem diversos jogadores habilidosos juntos, com isso eles mesmo não estão acostumados a render com esse tipo de jogo.

Mas também é verdade que a covardia deles muitas vezes é a culpada por freiar as atuações dos jogadores. Há pouca ou nenhuma paciência com o jogador que tenta a jogada individual, que faz algo diferente do habitual marasmo. Mas por outro lado, também não vamos abster a culpa dos próprios jogadores. Não há dúvida que o atacante hoje precise ajudar taticamente principalmente na marcação, mas quantos jogadores ofensivos estão acostumados e sabem fazer isso hoje no futebol brasileiro?

Quer ver um exemplo que desenha bem essa situação? Nos dois últimos jogos do SPFC, Pato e Ganso, que apesar da parada da copa estão no meio da temporada, ambos saíram no meio do jogo por estarem exaustos de tanto correr e marcar. Mas Kaka, que teoricamente está em início de temporada e sem ritmo de jogo, completou as duas partidas do início até o fim marcando, correndo e cobrindo lateral.

Isso se chama saber correr, saber marcar, se chama ter consciência tática. Coisas que Pato, Ganso e Kardec não tem e precisarão aprender. Um bom jogador, ou mesmo um craque, não brilha se não tiver função tática bem desempenhada. Ah não ser que seja um Messi ou CR7, porque de resto, Até Ribery e Robeen correm o jogo todo atrás do adversário.

Como paradoxo ao time do São Paulo podemos mostrar o Cruzeiro que tem peças individuais muito boas como Everton Ribeiro, Goulart, Marcelo Moreno, Borges, Dagoberto, Julio Baptista e Wiliam e qualquer um desses que esteja jogando de titular sempre sabe como executar defensivamente e ofensivamente suas funções. Não a toa é o atual campeão brasileiro com sobra absurda e tem tudo para ser bi-campeão e papar mais uma vez o brasileirão.

O futebol brasileiro tem ainda poucos, mas bons jogadores. O que precisam é que atletas e técnicos entendam como fazer nesse futebol moderno com que jogadores que cresceram nas bases se preocupando apenas em driblar, chutar e fazer gols,  que eles aprendam a juntar isso ao desempenho tático principalmente de composição de campo e saída de jogo.

Físico pra isso eles tem, habilidade também, falta treinamento e força de vontade. Ah, e está na hora de mudarmos nossas categorias de base. Não tem mais espaço pra menininho da vóvó ou craque dos 1000 gols que chega no profissional com status de craque. Jogador da base é só mais um, e precisa chegar no topo com ideias e mentalidade de que precisam conquistar algo um dia, e não que já conquistaram.

 

 

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