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E o Brasileirão 2014 continua melhorando

Quem acompanha o Em Cima da Linha diariamente tem observado minha linha editorial bastante otimista desde a volta da Copa do Mundo. Tenho visto com bons olhos a disputa dentro de campo no campeonato brasileiro, se não tecnicamente perfeito, ao menos temos assistido diversos bons jogos, uma média de público maior dos últimos 4 anos e um campeonato, como é tradição no futebol brasileiro, altamente disputado.

Com certeza todos que lerem esse primeiro parágrafo pensarão, “como equilibrado, se o líder é o mesmo e muito dificilmente perderá o título?”. É verdade que o cruzeiro está muito bem encaminhado para conquistar o bi do brasileirão, mas ainda que eu acredite que é possível o cruzeiro perder esse campeonato, mesmo que não aconteça teremos outras tantas disputas fortíssimas até o fim do ano. É claro que o título sempre foi e sempre será a maior disputa dentro do futebol, mas talvez aí esteja um charme do campeonato de pontos corridos, toda rodada podemos ter uma final, podemos ter uma decisão, e todo jogo se torna essencial.

Se pararmos para analisar a tabela de jogos daqui até dezembro com certeza toda rodada destacaremos um jogo essencial, seja na luta pelo título, pela libertadores, seja um clássico, um jogo com histórico presente forte ou até mesmo pela luta contra o rebaixamento. Com foco nesse equilíbrio, vamos fazer um exercício e dividir a tabela de pontos com cada clube e em que disputa ele se encontrará daqui em diante no Brasileiro.

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Título

Cruzeiro –  claro o maior favorito

Do 2º colocado até o 5º colocado todos ainda tem chance, e dentro da distância de 10 pontos, não seria nada absurdo de ser tirado. Isso se o líder não fosse o Cruzeiro e a sua absurda estabilidade e ótima administração dos pontos que já dura quase 2 anos.

Muito, mas muito difícil que o Cruzeiro deixe que o São Paulo tire 7 pontos de diferença ou mesmo Inter, Corinthians, ou Grêmio.

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Libertadores

Cruzeiro – Óbvio estará presente na próxima edição.

Desde o começo do campeonato São Paulo, Internacional, Corinthians, Grêmio e Fluminense estão se alternando nas primeiras posições após o cruzeiro. Parece que estava estabelecida aí a batalha pela classificação para o torneio sul americano. Mas eis que nas últimas rodadas surgiu um adversário forte que parecia adormecido, o Galo, Atlético Mineiro.

Nesse momento do vice-líder São Paulo até o 9º colocado Santos, temos uma diferença de apenas 9 pontos, o que credenciaria todas essas equipes no bolo a possíveis classificados. Mas pela regularidade sabemos que o próprio Santos, que demitiu técnico e já está pensando em 2015, e o Sport Recife (8º colocado) pela falta de elenco, terão remotíssimas chances de alçar vôos maiores.

Por falar em elenco e justamente regularidade, seria uma grande surpresa que São Paulo, Inter (3º colocado) e Corinthians (4º colocado) não se classificarem também. Porém, vão ter forte concorrência do embalado 5º colocado Grêmio, que tem nesse momento com  Felipão a melhor defesa do campeonato, e do mais embalado ainda Atlético Mineiro que já está em 6º lugar e vem ganhando de todo mundo inclusive do líder e rival cruzeiro. Quem destoa um pouco desse grupo no momento é o Fluminense que caiu para 7º colocado e tem aumentado a distância para o G4

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Meio da tabela e já pensando em 2015

Além do Sport Recife e do Santos, temos mais 3 times que se não fizerem nenhum milagre ou nenhuma queda brusca provavelmente farão apenas figuração no restante desse campeonato brasileiro.

Goiás (10º), Flamengo (11º) e Atlético Paranaense (12º), em breve já deverão estar livres do rebaixamento e com a cabeça pro ano que vem.

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Rebaixamento – A batalha mais dura de todo fim de ano

Que todo ano a luta contra a degola e o Z4 é duríssima não resta dúvida, mas esse ano parece a coisa será ainda maior do que epopéia do ano passado envolvendo Fluminense, Vasco e Lusa.

Do 13º Figueirense ao 20º Palmeiras, todos os 9 times tem chances reais de rebaixamento pois a diferença entre eles é de apenas 4 pontos. É por isso que temos visto essa gangorra imensa de times que entram e saem a cada rodada da zona de queda pra série B.

O Figueirense que há 1 mês atrás estava em ascenção, com uma ótima defesa e uma boa sequencia de bons resultados, dispencou a perder e hoje parece bem provável que esteja na luta para não cair.

Logo abaixo na tabela vem o incrível Vitória que até 2 rodadas atrás era o lanterna e com 2 bons resultados já está em 14º. É o sobe e desce que falávamos.

Em 15º o inconstante Chapecoense que insiste em ter ótimos resultados seguidos de péssimas partidas. Não chega a cair para as últimas posições, mas também não consegue se distanciar da parte baixa da tabela.

Na primeira posição fora do rebaixamento, o bravo e guerreiro Botafogo que mesmo com todos problemas de atraso de salários, e diversos direitos trabalhistas, ainda assim consegue se manter por hora fora das 4 últimas posições. Terá contra si o peso da camisa e as constantes contusões das suas principais estrelas. Além do explosivo Emerson Sheik e suas constantes polêmicas com a CBF e arbitragens.

 

 

 

Escudo apagado, nome trocado e o marketing dos clubes indo para o espaço

Com os campeonatos estaduais em vias de estrear, clubes com sérias crises financeiras, viu-se no último fim de semana algo que ilustra bem o porquê uma mudança de panorama é tão difícil no futebol nacional.

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Depois de dois anos pouco nobres, 2015 será o ano da redenção?

Desde o fim de 2014, quando o Palmeiras não caiu, mais por sorte do que por juízo, o Nobre vinha sendo cobrado e pressionado(principalmente depois de sua reeleição) para que mudasse sua forma de conduzir o time, que nos dois primeiros anos tinha-se mostrado um grande fracasso.

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O Buraco Negro e o vácuo

Como bem disse o Fernando em post anterior, mas com outras palavras, o futebol brasileiro caiu em um buraco negro. Aliás, tentarei aqui não repetir muito o que já foi dito, mas com certeza esbarrarei em muitos conceitos já esposados.

Não trarei explicações para a derrota, são tantas e tudo já foi tão dito que não ajudaria em nada. Escolhi um tema para falar, e é quiçá o mais óbvio. A falta de treinadores bons no Brasil.

Falar dos erros do Felipão seria chutar cachorro morto, todos sabem seus erros. Mas o que me preocupa mais é o: e agora? Felipão cai, ok, mas quem entra?

Eu sou mais um adepto a trazer um técnico de fora

Parabéns Palmeiras!!! Buon compleanno Palestra!!!

Parabéns Palmeiras nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!!

Esse 26 de agosto, sem dúvida nenhuma é muito especial para qualquer um dos cerca de 16 milhões de palmeirenses espalhados pelo Brasil e tantos outros pelo mundo, pois é quando o Palmeiras torna-se centenário.

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Estrangeiros x cornetas

Hoje não vou entrar na questão da derrota, até porque não se tem muito o que falar em relação, pois juntou o nervosismo da falta de vitórias, com a falta de qualidade ainda do time(como faz falta um bom meia, deus do céu…) que resultou em um recuo excessivo depois do empate(via-se o Gareca desesperado mandando o time não recuar demais) e tanto levou pressão que acabou derrotado.

Alonguei-me até demais no tema, então vamos ao que realmente interessa: a chegada em massa de gringos no time.

O Gareca chegou e não conhece tantos jogadores brasileiros, até em função de muito poucos dos que estão aqui se destacarem lá fora, por conta disso pediu muitos que já trabalharam com ele, ou mesmo que ele já conheça ou tenha alguma informação(caso do Mouche).

Chegaram quatro(já estou considerando o Cristaldo, que logo será anunciado e apresentado), no caso o próprio Cristaldo, Tobio, Mouche e Allione.

Destes, dois já são titulares(Tobio e Allione) e outro ainda fica na reserva, talvez pelo Gareca estar tentando esgotar as chances com o Leandro e ver se ele volta a jogar, talvez para não colocar todos de cara.

Tobio começou um pouco inseguro, cometeu alguns erros(apesar de eu não achar o caso do Elias um erro, mas sim que ele teve de sair porque deixaram o cara livre), mas nesse último jogo contra o Galo, já mostrou um bom entendimento com o Lúcio.

Mouche ainda está bem irregular. Apesar de vir jogando melhor que o Leandro, ele ainda não mostra uma boa regularidade nos jogos, alguns entra bem, outros fica mais sumido. Acredito que seja muito em função de no seu time, na Turquia, ele ainda estar em pré temporada, ou seja já tinha um tempo sem jogar, ainda está recuperando o ritmo e como o Leandro já vem em meio de temporada, acaba tendo mais chances.

Allione então é um caso a parte. No amistoso já mostrou que poderia ser uma opção interessante, porém no jogo de hoje deu a entender que pode ser dos principais jogadores do time. Ainda que se discuta o fato de ele acertar ou errar os lances que tentou, em praticamente toda jogada a bola passava pelos seus pés. Clara mostra que ele procura e principalmente, aparece para o jogo. Tentou armar, aparecia na defesa roubando bola, tentou lançamentos, e até aparecer no ataque como elemento surpresa. Quem viu o jogo certamente deve ter gostado muito do que viu, isso que foi apenas seu primeiro jogo oficial.

Cristaldo deve chegar e assumir a posição de ataque, pois apesar do Henrique ser um cara esforçado e ter lá um faro matador(já deixou mais dois no brasileiro), ainda sim não é o cara pra ser o 9 do Palmeiras e o novo reforço parece ter muito mais recursos que ele, que sem dúvida nenhuma deve ficar no time, pois é uma excelente opção.

É mais do que notável que os argentinos qualificam demais o time do Palmeiras, que passa a ser bem mais respeitável com suas presenças, ainda sim o que mais se ouve são coisas como “e se o técnico for embora, como faz com eles?” ou “risco de panelas” ou ainda “jogadores de qualidade duvidosa”. Impressiona como a corneta rola solta e principalmente sem conhecimento de causa.

Primeiro que os vindos do Velez, foram campeões lá e destaque do time, qual então a dúvida que possam ser bons reforços?

Mouche foi destaque por anos no Boca, mas não deu tão certo na europa, igual muitos jogadores daqui, qual a dúvida então que ele possa ser um bom reforço também?

Sobre a questão do técnico ficar ou sair é simples: se eles forem bem jogam, se forem mal não jogam, qual a dúvida?

Isso só é mostra de como a imprensa passa pelo mesmo mal dos técnicos daqui: aparece uma coisa nova e nem esperam, já saem cornetando.

Evidente que o time vai ainda capengar até se acertar, até pelo simples fato de estar sendo montado no meio da competição(o que por si só é absolutamente terrível, total falta de planejamento, mas enfim). Tanto que se for olhar o time que estreou contra o Criciúma e o que jogou contra o galo, são muitas mudanças, praticamente todo o time.

Precisa sim cobrar, mas principalmente saber o que se está cobrando, porque ficar aí jogando crítica ao vento não é analisar o time, mas sim ser oportunista e querer criar manchete em cima de uma má fase ou mesmo uma fase de transição como a que o time vem passando.

Uma pena sim que esse ano do centenário ao que parece, será jogado no lixo, mas se houver o início de um renascimento, com o time voltando a ter um elenco respeitável e disputando títulos, pelo menos esse ano marcará a volta por cima.

Acredito muito no trabalho do Gareca, principalmente pelo fato de se ver o time com uma postura diferente dos tempos do Kleina. Se entrega mais, luta, joga com raça(tirando um ou outro que ainda estão dormindo), porém é preciso qualificar e esperar o time ajeitar as peças para que então sim se possa cobrar algo.

Libertadores 2014- Vamos Bolívar!

bolivar

 

Acabou a copa, voltamos a nossa realidade de campeonatos de clubes tanto nacionais quanto internacionais e aqui na América o futebol volta com a reta final da competição mais importante, a taça libertadores.

E a competição não podia voltar em data melhor, amanhã dia 24/07 comemoramos o aniversário do mais importante entre os libertadores da América, Simón Bolívar. E em homenagem ao espírito do libertador hoje temos em campo no estádio Nuevo Gasometro a equipe que carrega seu nome, o Bolívar de La Paz.

Com uma campanha surpreendente o Bolívar já superou dentro e fora de casa favoritos como o Flamengo do Brasil e o León do México e até o momento só sofreu uma única derrota na competição para os equatorianos do Emelec, os comandados pelo veterano treinador espanhol Javier Azkagorta tem uma equipe interessante que sabe se fechar fora de casa e matar os jogos como mandante. Com a transferência de seu principal jogador o uruguaio Willian Ferreira mercenário traidor que abandonou o time na reta final da libertadores para o futebol mexicano os destaques do time são os espanhóis Capdevilla e Callejón (irmão gêmeo do Callejón do Napoli) e o ex-corinthiano Arce.

Independente do favoritismo do San Lorenzo e das orações do Papa Francisco, hoje o futebol boliviano está em festa, desde o feito do Blooming em 1985 que nenhuma equipe boliviana chega tão longe em uma libertadores, e com alguma chance de passar mais adiante. Por isso uma caravana de 400 torcedores chegou hoje a Buenos Aires se juntando a comunidade boliviana residente na cidade porteña e promete fazer muito barulho apoiando os celestes, com destaque para o cantor de salsa norte-americano de origem porto-riquenha Marc Anthony que por sua amizade com o presidente/dono do Bolívar, o empresário Marcelo Claure, Anthony se tornou torcedor da equipe e hoje viajou a Buenos Aires para apoiar a acadêmia paceña.

O jogo promete ser acirrado e difícil, Azkargorta escalará uma equipe defensiva com 3 zagueiros e 2 volantes de marcação, apenas Callejón na armação e apostando na velocidade de Arce para puxar contra-ataques. Do outro lado os comandados de Edgardo Bauza entram com esquema mais ofensivo e apostando no talento de Romagnoli.

Com resultado positivo ou não, hoje a cidade de La Paz está em festa desde os boliches (como se chamam as baladas por lá) do centro e da zona sul, até as chicherías (bares) de El Alto. E toda a Bolívia (e grande parte da América do sul) está com Marc Anthony dizendo que hoje é Bolívar desde wawa (criancinha).

O legado da Copa para os voluntários

Falta menos de uma hora para começar a partida que vai definir a seleção campeã desta Copa, que foi considerada, a Copa das Copas.

Em campo, Argentina e Alemanha disputarão o título de melhor time do mundo. De um lado, craques como Lionel Messi e Di Maria. Do outro, Muller e Klose.

Mas, sem querer ofender ninguém, este não é o assunto principal deste texto. Quero falar, por exemplo, como está copa foi especial para todos nós brasileiros e que ela vai deixar muitas saudades assim que o juiz apitar o final deste partidão que será disputado no Maracanã.

Até a Copa da Rússia, daqui a quatro anos, vamos lembrar com carinho da invasão de turistas estrangeiros nas cidades-sedes. Vamos lembrar da alegria, da festa, da confraternização.

Mas para uma parcela bem menor de torcedores/brasileiros, esta copa vai deixar muito mais do que lembranças. Estou falando dos voluntários que atuaram, assim como eu, dentro e fora dos estádios, contribuindo para que a organização deste mundial fosse tão elogiada pela imprensa e pelos turistas.

Neste último mês, as perguntas que mais ouvia eram: por que você quis ser voluntária? O que você ganha sendo voluntária?

Por isto, vou tentar explicar. Para me ajudar a responder essas e outras perguntas, entrevistei alguns voluntários pelo país. Confira abaixo o resultado disto:

 

Tatiana Ferreira – Voluntária de Transportes na Arena São Paulo

Por que decidiu ser voluntária durante a Copa do Mundo?

Eu já atuo como voluntária em eventos esportivos e posso dizer que é uma experiência única. Além da oportunidade de contribuir para organizar e realizar o evento no país, é uma grande chance de conhecer outras pessoas do Brasil e de outros países. Além desta interação, a função traz outros benefícios para a vida e para a carreira profissional, como por exemplo, gera a oportunidade de treinar e praticar idiomas, de ver de perto a organização do evento, além disto, a organização do evento nos oferece cursos gratuitos de capacitação que abordam temas como o que é ser voluntário, hospitalidade, ética, excelência no atendimento, gestão de conflitos, gestão financeira pessoal, entre outros.

Como foi o processo para conseguir ser escolhida e o que fará durante o Mundial? Terá algo pago pela Fifa, alguma despesa?

Em me inscrevi em um pré-cadastro para voluntários em 2012. Em setembro de 2013, a FIFA e o Comitê Organizador da Copa do Mundo reabriram as inscrições para o Programa de Voluntários e tive que fazer uma atualização do primeiro cadastro.  Na sequência, foi feita a dinâmica em grupo e treinamento geral online. Já em 2014, foram feitas as entrevistas individuais. Os selecionados receberam e-mail confirmando a participação já divulgando as funções. Eu vou atuar no setor de Transportes dentro da Arena São Paulo. Basicamente é organizar a entrada, saída e estacionamento dos carros dentro do estádio. É um trabalho importante porque recebe desde os torcedores, as delegações, árbitros e vips.

Sim. Cada voluntário da FIFA recebe um kit com todo o uniforme necessário para a função, além de mochila e tênis. Os voluntários também recebem vale transporte nos dias que vai atuar, assim como alimentação e lanche.

Você atuou em quais jogos?

Já atuei no jogo teste entre Corinthians e Botafogo e, na Copa do Mundo, trabalhei em todos os jogos na Arena São Paulo, exceto no jogo entre Bélgica e Coréia.

É a primeira experiência como voluntária de um evento esportivo? Como foram as outras?

Não, esta não é a primeira vez que sou voluntária. Antes, já participei como voluntária nos XV Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, realizado em 2007. Meu cargo era Apoio de Tribuna, trabalhei no Riocentro 2 nas modalidades boxe e levantamento de peso e minhas funções principais eram: atendimento aos jornalistas presentes nos eventos, entrega de check – lists com os resultados das provas e informações sobre os atletas nas competições e organização da zona mista e coletivas de imprensa.

Também me inscrevi para participar dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, das Olímpiadas de Londres e das Copas das Confederações, mas nestes casos, não consegui concluir o processo de seleção por motivos pessoais e/ou incompatibilidade de agenda.

Qual sua opinião sobre as pessoas que te criticam por aceitar ser voluntária na Copa? Tem escutado muitas críticas de fato?

Pessoalmente, não recebi críticas por aceitar ser voluntária na Copa. Talvez porque as pessoas que convivem comigo tenham ciência do meu interesse e da minha vontade em participar deste tipo de evento. Tanto a minha família, como meus colegas de trabalho e meus amigos, estão felizes por me verem realizar mais um sonho.

Por outro lado, leio em posts nas redes sociais, críticas sobre o trabalho voluntário em geral. Eu respeito essas pessoas e esses comentários, porque acho que a democracia é isto, é cada um ter a sua opinião e defender o que acredita.

Para quem me pergunta, eu deixo muito claro que no meu caso, em específico, eu continuo achando que vale muito a pena ser voluntária na Copa, assim como ser voluntária em outros eventos sejam esportivos ou não. E sempre que tenho a oportunidade, eu me dedico a eles.

O jogador tem aquela expectativa de entrar em campo e você? Como são esses dias que antecedem a um evento desse porte?

Obviamente que gera uma ansiedade e uma expectativa muito grande. A gente fica ansiosa para saber se tudo vai dar certo, se vai ser útil, se vai dar conta do recado, fica repassando mentalmente as tarefas que iremos realizar. Hoje, com a facilidade das redes sociais, os voluntários trocam informações por mensagem de celular, por mensagem em grupos, etc.

Enfim, apesar de ser um trabalho voluntário, é uma missão muito importante: é contribuir para um evento de proporções mundial dar certo, no seu país, na sua cidade.

Explica como foram os treinamentos para exercer essa função?

O treinamento para a minha função foi dividido em duas etapas. A parte online que consistiu em um treinamento geral sobre a Fifa e a Copa do Mundo e um mais específico, explicando o que é o cargo, quais as funções iremos desempenhar e as responsabilidades da área.

Já a parte presencial: fomos ao estádio, fizemos uma visita a todos os setores do estádio, conhecemos os locais de trabalho, os coordenadores, as funções. Além disto, tivemos a oportunidade de participar dos jogos testes.

Você tem algum sonho que pretende realizar sendo voluntária?

Na verdade, já estou realizando o meu sonho. Sempre tive o sonho de participar, de alguma forma, dos três maiores eventos de esportes na minha opinião: do Pan-Americano, da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Posso dizer que já consegui alcançar 75% do seu sonho.

O que você esperava dessa Copa do Mundo como um todo?

Esperava que fosse de fato, um sucesso. Que tudo transcorresse na paz, com segurança e que a alegria do brasileiro fizesse mais uma vez a diferença. Que a gente pudesse comemorar, pudesse interagir com os turistas, que as seleções fizessem jogos memoráveis, que nossa seleção conquistasse o sexto título em um Maracanã lotado e que fizéssemos uma festa para nunca mais ser esquecida. Só errei o título do Brasil, pois os demais desejos foram todos alcançados. Para mim, está foi, sem dúvida, a Copa das Copas e vai deixar muitas saudades.

 

Cínthya Rocha – Voluntária de STS na Arena Pantanal em Cuiabá

– Por que decidiu ser voluntária durante a Copa do Mundo?

Sempre achei mágico eventos grandiosos como Olímpiadas, Copa do Mundo. Imaginava quem estava por trás de tamanha organização. Tanto que quando soube da inscrição corri para o computador para me fazer parte.

– Como foi o processo para conseguir ser escolhida e o que fará durante o Mundial?

O processo seletivo foi longo. Após o cadastro recebi um login para um site exclusivo da FIFA. No qual tinha diversas apostilas desde a história do futebol, FIFA, além de cursos de atendimento, comunicação, liderança entre outros que eu deveria ler e após estudar passar por uma avaliação inclusive para ver meu nível de inglês.

 

Sou jornalista, porém, não queria trabalhar com mídia e sim em algo diferente uma forma de aprender novas competências e ao mesmo tempo descobrir novas habilidades. Quis atendimento ao espectador.

 

Agendaram uma dinâmica de grupo. Tive a oportunidade de conhecer outros voluntários e disputar uma vaga. Foi emocionante.

 

Fui aprovada e próximo ao mundial tive que tomar vacinas obrigatórias contra h1n1 e tríplice viral.

 

Uma semana antes teve treinamento para conhecer a Arena Pantanal e ficar craque sobre entradas, saídas, portões para dar informações precisas aos torcedores.

 

E dias antes recebi o uniforme composto:

2 camisetas

1 boné

1 calça/ que se transforma em bermuda

3 pares de meia

1 par de tênis

1 agasalho

1 mochila

 

– Você já trabalhou e irá trabalhar em quais jogos?

Trabalhei nos 4 jogos. O horário foi bem puxado, das 10 às 22h. Meu trabalho era recepcionar os torcedores e ao mesmo tempo dizer o que era permitido e proibido no estádio. Foi bom demais dialogar com pessoas do mundo todo. Quando a língua era um impedimento (japão, russos, bósnios…) o jeito era usar a boa mímica : )

 

– Essa é sua primeira experiência como voluntária de um evento esportivo. Se não, como foram as outras?

Já tive experiência em entidades como CVV, AACC. Mas, num evento esportivo foi a primeira vez.

– Qual sua opinião sobre as pessoas que te criticam por aceitar ser voluntária na Copa? Tem escutado muitas críticas de fato?

Ouvi muitas críticas e em todos os lugares de pessoas que sempre admirei, de pessoas que nem tinha muita proximidade… Ouvia e agradecia a opinião (embora não tivesse pedido, rs) Para mim o fator de não receber nada, ser voluntário nunca foi visto como “escravidão”…

Aprendi nesses meus 32 anos que dinheiro é bom, é sinônimo de poder, proporciona conforto, realização dos sonhos.  Mas não é tudo.

 

Sempre fui muito determinada e quando coloco algo na cabeça vou em busca. Para mim foi um sonho realizado. Me proporcionou muitas conquistas. Conheci pessoas incríveis. Tive contato com profissionais fantásticos focados, entusiastas que inclusive serviu de exemplo de uma profissional que quer crescer cada vez mais.

 

– O jogador tem aquela expectativa de entrar em campo e você? Como são esses dias que antecedem a um evento desse porte?

Sempre que o dia do jogo se aproximava  dava um friozinho na barriga. E quando chegava o dia nem tinha fome e olha que lá serviam almoço, jantar e lanchinhos além de muita água para hidratar.

 

– Explica como foram os treinamentos para exercer essa função?

Minha função era importantíssima. Era o cartão de visita da FIFA.  Os torcedores passavam primeiro pela comissão de frente que tinha que sorrir e dar as boas vindas de forma mais calorosa possível. Tínhamos que dizer de forma acolhedora sobre o que podia e o que era proibido levar para o estádio. Alguns torcedores ficavam bravos. Aí tínhamos que usar o jogo de cintura para mantermos a energia positiva no grau máximo.

 

Tenho certeza que cumprimos bem esse papel. Tanto que na pesquisa uol com as 12 cidades sede Cuiabá recebeu a maior nota com 9.9 no quesito cordialidade do voluntário. E realmente a equipe estava muito entrosada. Nos divertimos muito com os torcedores.

 

– Qual o momento mais marcante que viveu?

Os Coreanos gostaram tanto dessa alegria que me deram 2 ingressos. Na fila tinha um casal com o filho. Na hora do raio-x se separaram. Questionei. Aí o pai disse todo sem jeito que o dinheiro só tinha dado para comprar um apenas. Então eles optaram pelo filho.

 

O jovem estava radiante e ao mesmo tempo triste por deixar os pais no portão. Os pais demonstravam estar felizes, mas dava para sentir que estavam arrasados por não poderem vivenciar esse momento juntos.

 

Fiquei sensibilizada com tamanho amor. E vi que podia mudar a vida daquela família. Peguei meus ingressos e disse:  Vai lá e mostre pra ele como é uma copa do mundo. A mãe nem sabia o que dizer de tão agradecida que estava. Já o pai nem  conseguiu dizer nada. Os olhos se encheram de lágrimas. Quando o filho viu começou a gritar e ai foram muitos abraços.

 

– Para finalizar, qual sua avaliação profissional e como torcedora sobre o estádio de MT?

 

O estádio ficou lindo. Foi muito bem projetado. Independentemente de onde esteja tem visibilidade de todo o campo. A organização estava de parabéns. Muitos banheiros, lanchonetes, enfim. Um arraso!!!

 

Andréa de Oliveira – Voluntária de STS no Estádio Mané Garrincha em Brasília

– Por que decidiu ser voluntária durante a Copa do Mundo?

Gosto de exercer trabalhos voluntários e a Copa por ser um evento mundial que aconteceria no meu país, despertou mais ainda (a vontade).

– Como foi o processo para conseguir ser escolhida e o que fará durante o Mundial?

Foi longo, contudo simples. Atuarei na área de serviço ao espectador (STS), que tem por objetivo receber e orientar o torcedor sobre a localização de entradas e assentos, bem como avisar as normas de segurança no estádio.

– Você já trabalhou e irá trabalhar em quais jogos?

Fui escalada para trabalhar nos 7 jogos marcados em Brasília.

– É a primeira experiência como voluntária de um evento esportivo? Como foram as outras?

Sim. Até então eu havia exercido o voluntariado em outros setores, como o religioso.

– Qual sua opinião sobre as pessoas que te criticam por aceitar ser voluntária na Copa? Tem escutado muitas críticas de fato?

Várias pessoas criticaram minha decisão. As considero como ignorantes, pois não possuem conhecimento suficiente sobre algumas áreas (política, financeira, etc.), pautam-se em informações do senso comum e consequentemente criticam. Tal opinião foi reforçada ao ter contato com outros voluntários, pois a maioria são pessoas formadas, servidores públicos, ou seja, nível intelectual e cultural vasto.

– O jogador tem aquela expectativa de entrar em campo e você? Como são esses dias que antecedem a um evento desse porte?

Também há expectativa. Apreensão em como será o setor que você irá atuar, as pessoas as quais surgirão dentre outros.

– Explica como foram os treinamentos para exercer essa função?

Virtual e presencial, explicando a função em cada setor.

– Você tem algum sonho que pretende (ou já conseguiu) realizar sendo voluntária?

Bom, não diria sonho, mas o desejo de ter contato com pessoas de várias culturas (países).

– O que espera dessa Copa do Mundo como um todo?

Primeiramente que o Brasil seja campeão (rsrs), e posteriormente, que o evento seja um espetáculo passivo. Além disso, que o espírito que permeia os jogos (união), seja estendido entre as pessoas.

– Qual o momento mais marcante que viveu?

O instante em que o hino nacional foi cantado. É um momento impressionante, que se torna difícil descrever.

– Para finalizar, qual sua avaliação sobre o estádio?

Positiva. Foi inaugurado em tempo hábil, um ano antes da copa, e bastante estruturado, sem ocorrências relacionados à obra.

Lilian d’Oliveira – Voluntária de STS na Arena São Paulo em São Paulo

Por que decidiu ser voluntária durante a Copa do Mundo?

São muitos motivos! Gosto muito do evento e sigo/torço por algumas seleções. Além disso, sou apaixonada por arquitetura esportiva e ter acesso aos estádios me permite compreender a arquitetura e o funcionamento em grandes eventos. Ser voluntário traz muitos benefícios, permite um contato intenso com outras culturas, proporciona também novos amigos e eternas lembranças.

Como foi o processo para conseguir ser escolhida e o que fará durante o Mundial?

O processo se iniciou com um cadastro online no site da FIFA e a partir dele foram feitas triagens conforme experiências, habilidades e profissão para escolher alguns que iriam para a fase seguinte de entrevistas em forma de dinâmica de grupo e então os treinamentos. Fui alocada na área de STS (Spectator Services) que consiste em auxiliar os torcedores de inúmeras formas, seja direcionando aos assentos e saídas adequadas como auxiliando pessoas com problemas de locomoção e informações em geral.

Você já trabalhou e irá trabalhar em quais jogos?

Fui escalada para trabalhar em todos os jogos que acontecem na Arena Corinthians, em São Paulo. Por enquanto já foram: Brasil x Croácia (somados à abertura), Inglaterra x Uruguai, Holanda x Chile, Bélgica x Coréia. O próximo acontece nesta terça Argentina x Suíça e então teremos a semifinal.

Essa não é sua primeira experiência como voluntária de um evento esportivo. Como foram as outras?

Fui voluntária nos Jogos Panamericanos de 2007 e na Copa do Mundo FIFA 2010, na África do Sul. Ambas foram bem distintas, aproveitei de formas diferentes, fiz amizades nacionais e internacionais que permanecem fortes até hoje e me agregaram muito valor como profissional e como atleta. Além disso, frequentemente sou voluntária em eventos pequenos de muay thai. É bastante prazeroso poder ajudar e conhecer um pouco mais de cada esporte, cada evento, acaba sendo um hobby também. Vai muito além do trabalho.

Qual sua opinião sobre as pessoas que te criticam por aceitar ser voluntária na Copa? Tem escutado muitas críticas de fato?

Desde o começo ouço esse tipo de comentário. No início, tentava mostrar que ser voluntário não era para todos, que é muito interessante para determinadas profissões, que abre oportunidades, permite contatos importantes para a carreira, mostrava os benefícios e que pra quem gosta de futebol é uma grande experiência. No entanto, isso vai desgastando, pois as pessoas entram numa onda de criticar a partir de conceitos rasos sobre algo que desconhecem, mas defendem com unhas e dentes, em massa, como moda. Da mesma forma foi a crítica contra a Copa, demorou para muita gente perceber que o problema não era a Copa, mas os corruptos que usam a copa como qualquer infraestrutura para roubar dinheiro público. Tentei mostrar a minha visão, o que conheço, mas não dá para lutar contra a ignorância se as pessoas não querem entender por preguiça de buscar informações. Hoje em dia eu simplesmente ignoro, mas já noto muitos olhares de inveja pelas oportunidades que tenho e outros comprando ingressos por preços exorbitantes ou querendo estar no estádio e não ter a oportunidade. Acho que isso tem sido o jeito de deixar mais claro o motivo que nos leva a ser voluntário.

O jogador tem aquela expectativa de entrar em campo e você? Como são esses dias que antecedem a um evento desse porte?

Os dias antes da Copa foram difíceis, pois não via a hora de começar, de rever amigos que vieram de fora do país e de recomeçar essa experiência agora em casa. Conforme os dias vão passando, parece que vai ficando melhor, mas já começa a ideia de que logo acaba e a expectativa começa a dar sinais de saudades por algo que sei que vou sentir falta. São muitas histórias, muita diversão. É realmente algo fora do comum.

Explica como foram os treinamentos para exercer essa função?

A FIFA, alguns meses antes, disponibiliza treinamentos online de diversos tipos para passar os conceitos da FIFA, do mundial, de sustentabilidade, hospitalidade, bons modos, ética e moral, etc. Posteriomente, eles dão um treinamento online sobre suas funções específicas e no estádio, pouco antes dos jogos começarem eles nos colocam em contato com o mapa do estádio e suas entradas e os tipos de ingresso. Essa foi a parte mais difícil, pois foi bem fraco por ser mostrado de longe, em grupos então levou um tempo para que ficássemos habituados aos ingressos para poder orientar direito. O jogo de abertura foi bem confuso, pois os próprios torcedores sabiam mais dos estádios que nós mesmos.

Você tem algum sonho que pretende (ou já conseguiu) realizar sendo voluntária?

Na África consegui abrir portas e ter visibilidade como profissional. Para mim foi o maior ganho. No entanto, existem sonhos como torcedora, que ainda não pude realizar. Um deles é ver a Itália ganhar um jogo! hahaha Só vi derrotas. Ver o Brasil campeão, conhecer jogadores, etc. Isso ainda não foi possível. Depende muito da área onde você é alocado. Infelizmente, no Brasil, peguei uma área muito restrita.

O que espera dessa Copa do Mundo como um todo?

Espero que seja a melhor de todas, temos capacidade e tudo para que possamos realizar um ótimo evento e mudar a cara do Brasil como povo e como profissionais. Acredito que isso possa ser a alavanca para o posicionamento global e desenvolvimento do país. Ainda mais com as Olimpíadas chegando.

Qual o momento mais marcante que viveu?

A abertura no Brasil, sem dúvida. O hino à capela, a paixão, o começo do evento em casa e a esperança de sermos hexa Mas ter visto e pegado na taça em 2010 também concorre ao posto de melhor momento!

Você é arquiteta e escreve para um blog sobre o assunto, então para finalizar, qual sua avaliação profissional e como torcedora sobre o estádio Arena SP?

O estádio marca um novo padrão, uma nova linha de infraestrutura esportiva no Brasil, que pode ajudar muito na visibilidade global dos clubes como fazem os europeus. Tem muita coisa boa, mas muita coisa estranha no estádio (não muito seguras, não muito bem solucionadas), mas a conclusão final só poderá ser vista quando o que é exclusivamente colocado para a Copa sair. Talvez a experiência com o mundial também ajude a modificar pontos que não tiveram um bom resultado.

Dentre os melhores pontos vejo o gramado, vestiários e aparência.

Dentre os piores: visibilidade e colocação de alguns assentos, materiais não muito seguros e passagens de alto fluxo interrompidas/afuniladas pela arquitetura.

De qualquer forma, vejo um estádio funcional, que melhora muito para o público e jogadores, montando um novo cenário.

 

Brunna Reis – Voluntária de STS no Mineirão em Minas Gerais

– Por que decidiu ser voluntária durante a Copa do Mundo?

Na verdade, decidi ser voluntária após os Jogos Pan-Americanos de 2007, ainda não sabia quando seria a Copa do Mundo, mas já tinha a certeza de que iria me candidatar como voluntária.

 

– Como foi o processo para conseguir ser escolhida e o que fará durante o Mundial?

Fui voluntária na Copa das Confederações e logo após a copa em julho de 2013 começaram alguns testes online, depois teve uma dinâmica de grupo e, por fim, alguns testes específicos para a área que escolhi ser voluntária: Serviços ao espectador.

 

– Você já trabalhou e irá trabalhar em quais jogos?

Trabalhei em todos os jogos que foram aqui no Mineirão e irei trabalhar na seminal do dia 08/07 e espero rever o Brasil por aqui.

– Essa não é sua primeira experiência como voluntária de um evento esportivo. Como foram as outras?

A minha primeira experiência como voluntária foi em 2007 no pan-americano no Rio de Janeiro, trabalhei no Parque Aquático Maria Lenk nos serviços ao espectador, e foi uma experiência incrível. Tive a oportunidade de conhecer pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo e fiz amigos que levo comigo até hoje.

– Qual sua opinião sobre as pessoas que te criticam por aceitar ser voluntária na Copa? Tem escutado muitas críticas de fato?

Na realidade, as pessoas desconhecem a energia e alegria de viver grandes eventos esportivos, somente quem vive sabe descrever o que é viver essa energia. Hoje tenho vários amigos e até familiares que se arrependeram quando ficaram criticando minha vontade de ser voluntária. Sempre ouço “nossa que legal, você está vendo todos os jogos, queria ter comprado ingressos” e “foi difícil o processo pra você ser voluntária?”…comentários que eu já sabia que iriam surgir, tanto que nunca me importei com as críticas porque eu sempre soube que iria valer a pena.

Pelo contrário, vejo as pessoas saírem felizes, contentes, até mesmo quando perdem o jogo. Acho que está tudo muito organizado, o contrário do que muitos esperavam. O trânsito está fluindo bem, os táxis estão dando conta da demanda, os visitantes estão sendo bem assessorados, a população local está sendo muito receptiva, a segurança está fazendo bem o seu papel.

Dentro do estádio (mineirão), nos voluntários estamos orientando bem o público, apesar das filas e do preço alto, o público não tem reclamado do atendimento nas concessões, não tem havido muitos problemas em relação aos ingressos e quando ocorre um, estão sendo rapidamente resolvidos pelo órgão competente. Um problema encontrado dentro do estádio diz respeito à equipe de seguranças, eles não são proativos, muitas vezes fingem que não estão vendo determinadas situações onde devem intervir e já foram vistos sentados assistindo aos jogos em assentos que não foram ocupados.

 

– O jogador tem aquela expectativa de entrar em campo e você? Como são esses dias que antecedem a um evento desse porte?

No dia dos jogos chegamos ao estádio 6hs antes do início da partida, como sou líder de uma equipe, primeiro fazemos um briefing com os demais componentes da equipe, analisamos o local em que vamos trabalhar naquele dia, em seguida nos deslocamos para o local de atuação onde distribuo os voluntários. No horário da abertura dos portões, que geralmente acontece 3hs antes do início do jogo, todas as equipes já devem estar alocadas. A emoção da abertura dos portões com a chegada do público, sinto ser uma emoção equiparada a do apito inicial do jogo.

Os dias que antecedem os jogos são de grande expectativa, principalmente agora na reta final já que não sabemos quem serão os times que virão jogar aqui. Mantenho contato com os integrantes da minha equipe e estão todos ansiosos para o jogo da semifinal que acontecerá aqui. Hoje recebi uma mensagem que traduz bem o que estamos vivendo: “Equipe Chile, estou ansiosa para o jogo de terça, mas meu coração já sofre pois será também a despedida…”, é uma emoção que o cansaço e alguns estresses não conseguem apagar.

– Explica como foram os treinamentos para exercer essa função?

Na realidade todos os treinamentos foram online, como líder de uma equipe do serviço ao espectador fiz cursos de línguas, liderança, sustentabilidade, boas práticas, segurança, saúde, dentre outros. Foram pra mim cursos que não tiveram muita relevância diante da minha experiência em outros eventos de grande porte, mas que para os voluntários iniciantes deve ter tido boa contribuição.

 

– Você tem algum sonho que pretende (ou já conseguiu) realizar sendo voluntária?

Na realidade o meu sonho para esta copa é que os turistas vejam um pais seguro, receptivo, com pessoas hospitaleiras, com paisagens exuberantes, com comidas maravilhosas…e que estes, sintam vontade e prazer de retornar ao nosso pais. A forma que temos de reaver tudo que foi gasto nesta copa é com a vinda de turistas, por isso a importância de fazermos uma copa maravilhosa.

– O que espera dessa Copa do Mundo como um todo?

Espero que seja apenas o início de uma nova era, a copa fez com a população acordasse e fosse as ruas reivindicarem por seus direitos. A população está revendo seus conceitos sobre os políticos atuais e os que estão por vir, sobre o que foi gasto indevidamente, sobre as condições em que vivemos neste país. Mas a realização ou não da copa, não mudaria esse cenário, por isso nunca apoiei nenhum tipo de manifestação contra a copa, apoiei manifestações contra os corruptos.

– Qual o momento mais marcante que viveu?

O momento mais marcante aconteceu no jogo entre Bélgica x Argélia. Eu estava alocando meus voluntários após o intervalo para o segundo tempo quando vi um pai passando com seu filho de aproximadamente três anos e, tristemente, o pai falava com o garoto que não tinha dinheiro para comprar um sanduíche para o filho, em todas as lanchonetes, o menino franzino puxava o pai em direção ao caixa e o pai o puxava no sentido contrário.

Não pude deixar que aquele menino passasse o segundo tempo todo com fome, corri atrás dos dois e falei com o pai que se ele não se importasse eu gostaria de comprar um sanduíche pro menino. Na ida a lanchonete, o Senhor me contou que tinha ganhado os ingressos em um sorteio na firma que ele trabalha e que escolheu o filho caçula para ir ao jogo com ele, mas que ele não imaginava que tudo fosse tão caro. Como estava muito quente, ele comprou água pra ele e para o garotinho no início do jogo e, que, por isso, não tinha dinheiro suficiente para o sanduíche. Sinto até agora o beijinho doce que recebi daquele lindo garotinho e agradeço a Deus por estar ali naquele momento e ter feito esse pequeno agrado ao pequeno Ian.

– Para finalizar, qual sua avaliação profissional e como torcedora sobre o estádio de BH?

Sinto-me mais uma vez realizada, desempenhei meu trabalho da melhor forma que eu pude e tenho consciência de que contribui para que a nossa Copa do Mundo fosse inesquecível. Tenho certeza de que todos que tiveram o prazer de ir ao Mineirão saíram encantados com a organização, limpeza, segurança, receptividade e alegria de todos que estavam presentes no estádio. Eu como uma torcedora apaixonada por futebol sei que tudo que eu vivi jamais poderei relatar com a riqueza de detalhes com que aconteceram, mas levarei para sempre em minha memória a alegria e a satisfação de ter vivido a nossa copa do mundo, a copa do MUNDO DO BRASIL.