Escolha uma Página
Como a contratação de James Rodríguez resolve vários problemas do Real Madrid de uma vez só

Como a contratação de James Rodríguez resolve vários problemas do Real Madrid de uma vez só

jamesrodriguez4afp

Assim como aconteceu após a Copa de 2010, quando contratou dois dos destaques da competição (Özil e Khedira), o Real Madrid trouxe mais dois galácticos para se juntar à sua constelação.

Depois de Toni Kroos, meia/segundo volante alemão ex-Bayern de Munique e um dos melhores jogadores da Copa segundo a FIFA e enquete com torcedores, hoje foi a vez do colombiano James Rodríguez, ex-Monaco. O meia de 23 anos foi o artilheiro da Copa do Mundo e autor do gol premiado como o mais belo do campeonato, o que o credenciou como uma das principais estrelas da competição. (mais…)

Curiosidades – Maldição dos campeões mundiais europeus

Curiosidades – Maldição dos campeões mundiais europeus

Ano de 2014, copa no Brasil, Espanha eliminada na primeira fase e uma maldição que se iniciou com a França, continua a assombrar os times europeus: vencer uma copa do mundo e na seguinte dar vexame de ser eliminado na primeira fase em seu grupo.

Há alguma semelhança entre os casos? Ou seria apenas um novo tipo de praga a assolar os times europeus? Vamos analisar então cada um dos casos.
França

Em 1998:

O time base era: Barthez, Lizarazu, Leboeuf, Desailly, Thuram, Karembeu, Djorkaeff, Zidane, Petit, Deschamps e Guirvach.

Na copa – O time era excelente, porém o ataque como se nota era patético, pois quando o Guirvach não jogava, entrava o Dugarry, de nível muito contestável também e Henry e Trezeguet ainda estavam “verdes” nessa época.

Resultado – Campeã em 1998 em cima do Brasil por 3 a 0

Em 2002:

Grupo da França – França, Senegal, Uruguai e Dinamarca.

Time base era: Barthez, Thuram, Desailly, Leboeuf, Lizarazu, Petit, Vieira, Zidane, Djorkaeff, Henry e Trezeguet.

Na copa – O time que já era muito bom, conseguiu dois matadores de primeira linha, que vinham ainda em excelente fase na época e pegou um grupo que pelo nível do seu time não tinha nada de especial, pois contava com um Senegal novato, Uruguai com um time bem meia boca(se salvava o Recoba só) e uma Dinamarca que nem de longe lembrava a de 98, pois já haviam se aposentado os irmãos Laudrup e o Schmeichel.

Resultado – eliminada na primeira fase perdendo de 1 a 0 para Senegal, empatando em 0 a 0 com Uruguai e perdendo de 2 a 0 para a Dinamarca

zidane eliminado

Avaliação – O time chegou com excesso de confiança e muita, mas muita soberba e mesmo com uma seleção com totais condições de ganhar o título, acabou parando em um grupo médio, por simplesmente achar que poderia ganhar a qualquer hora. Os jogadores do time vinham em boa fase ou pelo menos em uma fase razoável e mesmo os veteranos(caso por exemplo de Desailly), não vinham comprometendo. Caso clássico do time que perde para ele mesmo.

 

Itália

Em 2006:

O time base era: Buffon, Cannavaro, Materazzi, Zambrotta, Grosso, Gattuso, Perrota, Camoranesi, Pirlo, Totti e Toni.

Na copa – Certamente um dos campeões de futebol mais feio das últimas copas(eu diria até mais feio que o Brasil de 94), parecia adepto do estilo “melhor ataque é uma boa defesa” e terminou campeão tendo levado apenas 2 gols(o que mostra que apesar de tudo foi muito eficiente), não para menos que nesse ano o zagueiro Canavarro foi eleito o melhor do mundo(com muita justiça diga-se, pois ele jogou demais). Vale destaque para Buffon, Totti e Pirlo, que fizeram excelente copa também.

Resultado – Campeã em 2006 nos pênaltis sobre a França.

Em 2010:

Grupo da Itália – Itália, Eslováquia, Nova Zelândia e Paraguai.

Time base era: Buffon, Zambrotta, Cannavaro, Chielini, Grosso, De Rossi, Camoranesi, Marchisio, Pirlo, Gilardino e Iaquinta

Na copa – Diferente da França, o time italiano, que já era feio, conseguiu ficar ainda pior, pois além de não ter conseguido renovar sua seleção(apostava ainda nas estrelas do título passado, que já não vinham mais em tão boa fase), além de ter perdido o pouco talento ofensivo que tinha, no caso com Totti. Pegou um grupo fraco, com a inexpressiva Nova Zelândia, a mediana Eslováquia e o bom time do Paraguai. Com um grupo desses, mesmo com o time meia boca que tinha, o mínimo era passar da primeira fase, nem que fosse para cair nas oitavas(haja visto que pegaria Espanha ou Suiça, que vinham com bons times).

Resultado – eliminada na primeira fase empatando em 1 a 1 com o Paraguai, 0 a 0 com a Nova Zelândia e perdendo de 3 a 2 para a Eslováquia.

buffon eliminado

Avaliação – Não dá para dizer que o time entrou com soberba como foi no caso da França, o time era simplesmente ruim, entretanto a eliminação não dá pra se justificar apenas por isso, pelo simples fato de que não caiu em nenhum grupo da morte ou coisa do tipo. Olhar seleção por seleção dá para dizer sem dúvida que foi um vexame maior que o da França, porém as condições para um bom papel eram muito piores que as do selecionado francês.
Espanha

Em 2010:

O time base era: Casillas, Sergio Ramos, Pique, Puyol, Capdevila, Busquets, Xabi Alonso, Xavi, Iniesta, David Villa e Pedro.

Na copa – Campeão daqueles que todo mundo considerava justo, talvez o primeiro em tempos(nem Itália, Brasil, França apenas para ficar nos últimos, tinham esse favoritismo). O time veio de uma conquista da euro, tirando a pecha de fúria amarelona e na copa, com o futebol que vinha de um período de sucesso destacado pelo Barcelona, que levou o “tiki-taka” para o mundo. Estilo muito eficiente, mas que eu particularmente acho extremamente tedioso. Foi muito eficiente durante toda a copa(apesar de um ou outro percalço), tanto que até a final tinha uma posse de bola muito superior a de todos adversários. Justo na época por sem dúvida ser o melhor futebol.

Resultado – Campeã em 2010 vencendo a Holanda na prorrogação por 1 a 0.

Em 2014:

Grupo da Espanha – Espanha, Holanda, Chile e Austrália.

Time base: Casillas, Azpilicueta, Sergio Ramos, Pique, Jordi Alba, Busquets, Xabi Alonso, Iniesta, Xavi, Pedro e Diego Costa.
Na copa – O time da Espanha nessa copa pode-se dizer um misto do que foram França e Itália, pois era um time envelhecido, com jogadores que foram destaque no mundial passado já não mais em tão boa fase(Xavi talvez seja o maior exemplo), além da soberba que dominava o time(Casillas chegou a declarar que estavam vindo para cá apenas para buscar a taça). O grupo mostrava ter sérios problemas de ego, além do notado problema do técnico de não mexer no time nas peças que já mostravam não estar rendendo, talvez por gratidão, talvez medo ou simplesmente teimosia. Perdeu de forma vexatória para a Holanda e ao tentar mudar um pouco o time para o jogo contra o Chile, numa tentativa desesperada de dar um chacoalhão no time, já era tarde… o time continuava insosso, foi dominado e perdeu.

Resultado – eliminada na primeira fase tendo perdido de 5 a 1 para a Holanda, 2 a 0 para o Chile e vencendo a Austrália na despedida por 3 a 0.
Avaliação – Despedida melancólica daquela que foi a melhor geração da história da Espanha. Jogadores como Fernando Torres, Villa e Pedro(um pouco menos o Villa) já vinham em má fase, ao contrário do Llorente e Negredo que fizeram boas temporadas pelos seus times. Xavi fez uma péssima temporada, diferente do Koke que foi dos destaques do Atlético de Madrid. Talvez levar algumas das peças, mas modificar o time titular como forma de deixar o time mais dinâmico seria uma excelente alternativa. O sistema de troca de passes nessa copa nada mais era do que um toca pra lá e pra cá sem objetividade nenhuma. Time lento onde jogadores pareciam achar que o time marcaria a qualquer hora e depois de ver que a coisa não era assim, sucumbiram ao nervosismo e da falta de alternativas, pois quando tiveram de sair da sua zona de conforto simplesmente não sabiam o que fazer.

O dia em que o cavalo foi fenômeno

Era o ano de 1998, e o Paisandu não vivia seu melhor momento, com um time fraco e maus resultados, a torcida do Papão da Curuzú carecia de ídolos, eis que a solução da diretoria bicolor foi a contratação de um “fenômeno”. Naquele ano o fenômeno Ronaldo era o craque do momento, ídolo da seleção brasileira e da Inter de Milão, Ronaldo era o melhor e mais caro jogador da época e era obviamente uma aquisição impossível para os cofres do clube paraense. Mas em momentos em que o dinheiro falta, o ser humano tem que apelar para a criatividade, e criatividade é algo que não costuma faltar aos brasileiros, ainda mais quando falamos de dirigentes de futebol.

Muito distante de Milão e de Belém, no interior do estado do Rio de Janeiro, um jogador chamado Darci, já veterano, e com a alcunha de Cavalo (não se sabe se devido a muita força física, a pouca técnica, ou um mix de ambos) reunia as seguintes características, alto, forte, careca, dentuço, e com a fisionomia muito parecida com a do fenômeno. Com boas passagens por equipes menores do Rio, principalmente no Volta Redonda, Darci não era um jogador barato naquele difícil momento do Paisandu, mas também não era uma contratação impossível, tanto que com um esforço, o Papão conseguiu contratá-lo.

Muito diferente do que aconteceu anos depois quando o bicolor paraense formou um grande time com Iarley, Vélber e o matador Róbson (O Robgol). Naquele ano a situação era crítica, tanto que a chegada de um reforço que a torcida sequer conhecia virou a grande notícia do futebol paraense. Só se falava na chegada do tal Darci Cavalo. O Papão tinha seu Fenômeno, que mesmo antes de estrear já era o grande ídolo da torcida.

Darci chegou a Belém, foi apresentado como craque, recebido como grande ídolo da torcida e esperança de dias melhores, treinou por alguns dias, até que chegou o grande momento, a hora da estréia.

No grande dia o estádio lotou, a torcida vibrava, agora o Paisandu também tinha seu Fenômeno. O jogo começou, mas como darci estava no clube há poucos dias e ainda não estava entrosado com os companheiros, começou no banco. Como era de se esperar o Paisandu começou o jogo muito mal, um time fraco e nervoso em campo, rapidamente começou a ser vaiado pelos seguidos erros, tanto que aos 15 minutos do primeiro tempo, a torcida em coro já gritava: “CAVALO, CAVALO!!!”

Após um péssimo primeiro tempo não restou outra alternativa ao técnico, botou o Cavalo em campo. O estádio ferveu aos gritos de “CAVALO, CAVALO!!!”, E a substituição mexeu com o moral do time, que iniciava um bom segundo tempo, em poucos minutos Darci Cavalo recebeu a primeira bola, mas dominou de canela e perdeu seu domínio, obviamente devido ao nervosismo da estréia. Mais alguns minutos e o alto Darci teve a chance no que sempre foi o ponto fraco de seu sósia famoso, o cabeceio, mas a cabeçada descordenada por baixo da bola fez com que ela subisse demais passando muito longe do gol.

Os minutos se passaram e o moral do time paraense voltou a baixar, e os erros do primeiro tempo também voltaram, com isso a bola parou de chegar ao recém contratado, a torcida novamente perdia a paciência e voltava a vaiar o time Os únicos momentos de euforia eram quando a bola se aproximava de Darci.

Eis que no final da partida ocorre o momento iluminado e mágico que só pode ser atribuído aos Deuses do futebol, o time da casa arma um contra-ataque genial, com uma troca de passes impecável, o último passe milimétrico é dado em direção ao matador Darci, que muito grato a recepção calorosa dos torcedores pensa em presenteá-los com um lance digno de Ronaldo Fenômeno e ao invés de matar a bola, opta por abrir as pernas fazendo o famoso corta-luz (jogada em que o jogador finge ir na bola para atrair marcação, abre as pernas e deixa ela passar, fazendo com que um companheiro livre de marcação fique na cara do gol). O corta-luz foi de cinema, Darci atraiu a marcação de toda a defesa adversária com a jogada. Só houve um problema, empolgado com a jogada, darci não observou que não tinha nenhum companheiro para receber o passe, e a bola calmamente saiu pela lateral no lance que ficou conhecido como corta-luz para ninguém.

Não entendendo a complexidade e o ineditismo da jogada, os impacientes torcedores revoltados passaram a xingar Darci de tudo quanto foi nome, e após o final da partida só se escutava a palavra cavalo seguida de palavrões pejorativos.

E assim foi o dia em que o Cavalo virou Fenômeno, mas voltou a ser apenas Cavalo.

Contratar ou Revelar? Eis a questão!

Contratar ou Revelar? Eis a questão!

Com a Final da Copa São Paulo, vendo a festa de meus amigos corintianos pelo merecido título, fui questionado por alguns destes amigos se o mais importante seria revelar jogadores ou vencer o torneio.

Tenho pensado sobre este questionamento e continuo em dúvida, pois quando um time vence a Copinha é mais fácil validar as revelações e muitas vezes quando o clube não vence o torneio são colocados em descrédito tanto os atletas quanto a estrutura (física e recursos humanos).

Olhando para os clubes brasileiros não consigo enxergar a prioridade das categorias de base, tão presente nos discursos dos diretores. O campeão da Copinha deste ano, por exemplo, tem somente um atleta das categorias de base em seu time titular (o goleiro Julio César – que é muitas vezes contestado), e perdeu vários atletas para mercados secundários ou times de menor expressão (Dentinho e William estão na Ucrânia, Lulinha é um nômade, sendo emprestado para clubes pequenos a cada inicio de temporada, Boquita não vingou nem na Portuguesa).

Outros clubes também passam pela mesma situação, mesmo aqueles que alegam ter as melhores estruturas, como é o caso do SPFC, que no time titular tem somente 4 jogadores revelados na base (Rogério, Denilson, Wellington e Lucas) e também “dispensou” muitas jogadores revelados recentemente (Jean, Aislan, Mazola, Sérgio Motta, Alex Cazumba, Juninho, Richard, Denner, Ronielli, Bruno César, entre outros).

Imagine se os clubes nacionais priorizassem de verdade as categorias da base, assim como o Barcelona faz na Espanha – são 8 revelações do clube entre os titulares (Valdes, Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, iniesta, Fábregas e Messi), o tricolor do Morumbi poderia ser escalado com: Rogério, Jean, Luiz Eduardo, Rodolpho, Cortes; Wellington, Casemiro, , Hernanes, e Kaká; Lucas e Luis Fabiano, assim como o Barcelona com 8 jogadores da base (em negrito).

Para que isto aconteça, os clubes precisam entender que entre um jogador mediano contratado e manter uma promessa da base, a revelação é que deve ser utilizada, ou você acha que o Luiz Eduardo é pior que o João Filipe (SPFC), ou o Moraes era melhor que o Lulinha (SCCP), ou Wellington Nem joga muito menos que o Souza (FFC).

Enquanto não tivermos jogadores da base nos elencos dos grandes clubes brasileiros, jogando, ganhando experiência, errando e acertando, não teremos categorias e base com qualidade no Brasil.

Alguns dizem, assim como o Paulo André em seu blog, que os garotos chegam verdes para treinar com os profissionais, mas como serão preparados se não são testados – pouco a pouco – em seus clubes. Jogadores consagrados, ídolos em seus clubes não forma lá muito em seu primeiro ano em um grande clube – o Raí, por exemplo, não jogou nada em seu primeiro ano no tricolor, o Hernanes só vingou depois de muitas idas e vindas.

É preciso colocar a garotada para jogar. O que você acha? Como ficaria seu time se escalado com pelo menos 8 jogadores da base? Comente, critique! Este assunto precisa e deve ser muito discutido.

 

 

Quem é desumano?

Quem é desumano?

Ano novo, vida nova, competições começando, times reforçados, mas os velhos assuntos continuam os mesmos. Entre todos os assuntos chatos que rodeiam o mundo do futebol e ocupam inúteis horas de debates esportivos, um particularmente me irrita mais que todos os outros juntos. Esse assunto é a velha choradeira de parte da imprensa esportiva brasileira quando times tupiniquins tem que jogar em cidades com altitudes consideradas elevadas.

O ano de 2012 promete ser muito interessante para os amantes de futebol, e particularmente a copa Libertadores promete ser o grande destaque futebolístico do primeiro semestre. 3 grandes clubes cariocas vem com boas equipes e muita rivalidade. 2 grandes paulistas sendo um o atual campeão e favorito ao bi (bi em sequencia, tetra em títulos alternados) e o outro é o atual campeão brasileiro e vem com o velho trauma de nunca ter vencido a competição continental. Isso somado ao bom time do Internacional, a volta do Boca que não disputava há algum tempo, a sempre perigosa LDU, e o bom time da Universidad de Chile, entre outros, fazem da Libertadores de 2012 uma competição que promete ser uma das mais emocionantes da história.

Com tantos atrativos, podemos pensar que a imprensa está fazendo uma grande cobertura, mostrando destaques de várias equipes, etc. Mas não, a única coisa de que se fala (além das também chatíssimas contendas entre Ronaldinho e Luxemburgo) é sobre o Flamengo jogar na temida Potosí. Sobre a altitude “desumana”, um monstro mitológico que na boca de certos pseudo-intelectuais parece vestir a camisa 10 dos times locais, bater escanteios e cabecear a bola do escanteio que ela mesma cobrou.

O primeiro ponto que pretendo tocar sobre a “desumanidade” do assunto, é justamente o lado humano, imagine você, caro leitor, seja nascido onde for, que um “gênio” de um país estrangeiro saia dizendo por aí que a prática do que quer que seja na cidade em que você nasceu, ou vive, é desumana. Quer dizer que aqueles que conseguem praticar normalmente não são humanos? E os que nasceram e vivem nesses lugares? São o que? Animais? E Ts? Notaram o quanto esse tipo de declaração é no mínimo uma deselegância e uma tremenda falta de educação? Afinal de contas o que é mais desumano? Jogar futebol onde vivem milhões de pessoas e todos praticam esportes normalmente, ou dizer que fazer o que quer que seja em regiões habitadas por seres HUMANOS é desumano?

Outro ponto importante é o da saúde dos atletas, pois da última vez que o Flamengo atuou na mesma Potosí, a choradeira foi tão grande que chegaram até a fraudar relatórios médicos, e tudo que encontraram em toda a história foi a morte por ataque cardíaco de um atleta amador, em uma partida realizada na cidade de Oruro, do mesmo tipo que os que já mataram jogadores no Brasil, na França, em Portugal, entre outros países de altitudes baixas. E esse relatório obviamente nunca vai poder refutar os vários laudos sérios que comprovam que o risco de morte é o mesmo em altitudes altas ou baixas.

Aí os pseudo-intelectuais dirão que jogar na altitude é uma covardia, uma deslealdade, e que a diferença de desempenho de quem está adaptado para quem não está é absurda. Nesse caso também não é bem assim. Pra começar que jogar em casa é sempre uma vantagem, e quando se tem alguma particularidade ambiental que dificulte mais para o adversário, essa vantagem tende a aumentar. Exemplos não faltam, equipes que jogam em estádios grandes e com torcida distante do campo como o São Paulo por exemplo, sempre tem dificuldades de jogar na Vila Belmiro, ou na Arena da Baixada que são alçapões. O Juventude sempre usou o frio de Caxias, assim como o Paissandu o calor de Belém como uma arma a mais. Equipes italianas, e espanholas sofrem quando jogam no frio da Russia ou da Noruega. O Brasil teve uma grande vantagem quando enfrentou a Holanda em 94 no calor de mais de 40 graus de Dallas. Assim é o mundo em que vivemos, quente, frio, seco, úmido, alto, baixo.

Ainda no ponto da diferença técnica, muitos “especialistas” garantem que atletas profissionais praticamente não sentem dificuldades de respirar, mas que o problema maior é que a reação da bola é muito diferente, ela fica mais leve, e tem que colocar bem mais efeito para que ela faça curva. De fato isso é verdade, porém é uma situação com dois lados da moeda, pois quem está acostumado a jogar lá em cima, quando vem jogar em baixas atitudes sente a bola muito pesada (quase uma bola de futebol de salão) e rebelde, que faz muita curva, ou seja, o que dificulta um no jogo de ida, dificulta o outro no de volta.

Por fim dirão: “Se a altitude não é esse monstro, por que times tecnicamente superiores perdem tanto para equipes mais fracas?”. Isso se explica justamente pelo drama criado em alguns países sul-americanos (principalmente no Brasil) que não tem elevadas altitudes, quando seus times jogam lá. Simplesmente se criou um monstro tão grande, que ficou impregnado na cabeça das pessoas, nenhum jogador do Flamengo teme o Real Potosí, nenhum jogador brasileiro teme a hoje fraca seleção boliviana (que morre de saudade da geração de Baldevieso, Etcheverry e etc). Mas todos temem de forma exagerada e desnecessária o”jogador altitude”, e este fator psicológico faz toda a diferença. Posso citar dois exemplos que provam o quanto o medo da altitude provoca efeitos que ela não causa em ninguém.

Em 1992 quando o São Paulo, enfrentou o San José nos 3.700 Mts da cidade de Oruro, o vôo fez escala na cidade de Santa Cruz de la Sierra (que está praticamente no nível do mar) e por um imprevisto, a equipe brasileira teve que passar um dia na capital crucenha, como o Mestre Telê Santana não gostava de dormir em serviço, aproveitou o dia em Santa Cruz para treinar a equipe em um campo alugado. Eis que em poucos minutos de treino o atacante Macedo de tanto ouvir falarem sobre os males da altitude boliviana e com muito medo de passar mal naquele clima “desumano”, sentiu uma falta de ar insuportável e dizendo que não havia ar nenhum para se respirar, desmaiou. Sim, ele desmaiou devido ao “ar rarefeito” de uma cidade que está na metade da altitude de São Paulo!!!

Outro exemplo que posso citar é o exemplo pessoal meu, já estive em cidades de altitudes moderadas (Tarija e Sucre), e em cidades bem altas (La Paz, Potosí, El Alto, e Copacabana). Em minha primeira vez na Bolívia tive uma indisposição intestinal quando o avião estava prestes a aterrizar no aeroporto de El Alto, e devido a isso, meus primeiros minutos a mais de 4.000 mts de altitude foram de uma intensa corrida e descida de escadas em busca de um banheiro, e posso dizer que não senti nada de muito diferente do que senti quando tive de correr devido a apertos parecidos no Brasil. Nas cidades de La Paz, e Potosí, além de caminhar muito em subidas e descidas, fiquei hospedado em edifícios altos e sem elevadores (isso não é raro por lá) e cheguei a ter que subir escadas correndo sem problemas. Em Copacabana (não a praia carioca, mas sim a belíssima cidade nas margens do lago Titicaca) tive a experiência de jogar futebol com alguns garotos locais, e a única dificuldade que tive foi ter que usar de minha habilidade para chapelar uma ovelha que pastava ao lado da quadra, e sabe-se lá por que invadiu a quadra no meio do jogo.

Tenho um exemplo que comprova a importância do fator psicológico. Na escalada ao topo do pico Chacaltaya que fica há mais de 5.000 mts de altitude, na excursão rumo ao lindo pico nevado famoso pela pista de esqui mais alta do mundo, mais da metade dos turistas eram brasileiros, sendo a outra metade dividida em gente de várias partes do mundo, no final da escalada rumo ao pico estavam no topo, além dos guias locais, turistas noruegueses, israelenses, americanos, japoneses, ingleses(todos de países que não tem cidades muito altas), e dos brasileiros apenas meu irmão asmático, e eu chegamos no topo, todos os outros brasileiros pararam alegando que estava difícil respirar. O que mais pode explicar brasileiros sentirem um “mal da altitude” que o inglês não sente? A única explicação que encontro é um temor criado por gente que transforma uma coisa normal em um monstro.

Por fim recomendo que as pessoas antes de fazerem julgamentos, conheçam esses países belíssimos como Bolívia, Peru e Equador, e que todos os torcedores disfrutem muito dessa Copa Libertadores de nossa querida e diversificada América.

 

 

 

.