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O Maior Carrasco Rubro Negro e Robinho

Ao longo dos 100 anos da equipe de futebol do Flamengo inúmeros foram os jogadores adversários que trouxeram tristeza para aquela que é considerada a equipe com maior número de torcedores do Brasil, no entanto, o maior causador de estragos rubro negros se apresentou da mesma forma que o Cavalo de Tróia.

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O dia em que o cavalo foi fenômeno

Era o ano de 1998, e o Paisandu não vivia seu melhor momento, com um time fraco e maus resultados, a torcida do Papão da Curuzú carecia de ídolos, eis que a solução da diretoria bicolor foi a contratação de um “fenômeno”. Naquele ano o fenômeno Ronaldo era o craque do momento, ídolo da seleção brasileira e da Inter de Milão, Ronaldo era o melhor e mais caro jogador da época e era obviamente uma aquisição impossível para os cofres do clube paraense. Mas em momentos em que o dinheiro falta, o ser humano tem que apelar para a criatividade, e criatividade é algo que não costuma faltar aos brasileiros, ainda mais quando falamos de dirigentes de futebol.

Muito distante de Milão e de Belém, no interior do estado do Rio de Janeiro, um jogador chamado Darci, já veterano, e com a alcunha de Cavalo (não se sabe se devido a muita força física, a pouca técnica, ou um mix de ambos) reunia as seguintes características, alto, forte, careca, dentuço, e com a fisionomia muito parecida com a do fenômeno. Com boas passagens por equipes menores do Rio, principalmente no Volta Redonda, Darci não era um jogador barato naquele difícil momento do Paisandu, mas também não era uma contratação impossível, tanto que com um esforço, o Papão conseguiu contratá-lo.

Muito diferente do que aconteceu anos depois quando o bicolor paraense formou um grande time com Iarley, Vélber e o matador Róbson (O Robgol). Naquele ano a situação era crítica, tanto que a chegada de um reforço que a torcida sequer conhecia virou a grande notícia do futebol paraense. Só se falava na chegada do tal Darci Cavalo. O Papão tinha seu Fenômeno, que mesmo antes de estrear já era o grande ídolo da torcida.

Darci chegou a Belém, foi apresentado como craque, recebido como grande ídolo da torcida e esperança de dias melhores, treinou por alguns dias, até que chegou o grande momento, a hora da estréia.

No grande dia o estádio lotou, a torcida vibrava, agora o Paisandu também tinha seu Fenômeno. O jogo começou, mas como darci estava no clube há poucos dias e ainda não estava entrosado com os companheiros, começou no banco. Como era de se esperar o Paisandu começou o jogo muito mal, um time fraco e nervoso em campo, rapidamente começou a ser vaiado pelos seguidos erros, tanto que aos 15 minutos do primeiro tempo, a torcida em coro já gritava: “CAVALO, CAVALO!!!”

Após um péssimo primeiro tempo não restou outra alternativa ao técnico, botou o Cavalo em campo. O estádio ferveu aos gritos de “CAVALO, CAVALO!!!”, E a substituição mexeu com o moral do time, que iniciava um bom segundo tempo, em poucos minutos Darci Cavalo recebeu a primeira bola, mas dominou de canela e perdeu seu domínio, obviamente devido ao nervosismo da estréia. Mais alguns minutos e o alto Darci teve a chance no que sempre foi o ponto fraco de seu sósia famoso, o cabeceio, mas a cabeçada descordenada por baixo da bola fez com que ela subisse demais passando muito longe do gol.

Os minutos se passaram e o moral do time paraense voltou a baixar, e os erros do primeiro tempo também voltaram, com isso a bola parou de chegar ao recém contratado, a torcida novamente perdia a paciência e voltava a vaiar o time Os únicos momentos de euforia eram quando a bola se aproximava de Darci.

Eis que no final da partida ocorre o momento iluminado e mágico que só pode ser atribuído aos Deuses do futebol, o time da casa arma um contra-ataque genial, com uma troca de passes impecável, o último passe milimétrico é dado em direção ao matador Darci, que muito grato a recepção calorosa dos torcedores pensa em presenteá-los com um lance digno de Ronaldo Fenômeno e ao invés de matar a bola, opta por abrir as pernas fazendo o famoso corta-luz (jogada em que o jogador finge ir na bola para atrair marcação, abre as pernas e deixa ela passar, fazendo com que um companheiro livre de marcação fique na cara do gol). O corta-luz foi de cinema, Darci atraiu a marcação de toda a defesa adversária com a jogada. Só houve um problema, empolgado com a jogada, darci não observou que não tinha nenhum companheiro para receber o passe, e a bola calmamente saiu pela lateral no lance que ficou conhecido como corta-luz para ninguém.

Não entendendo a complexidade e o ineditismo da jogada, os impacientes torcedores revoltados passaram a xingar Darci de tudo quanto foi nome, e após o final da partida só se escutava a palavra cavalo seguida de palavrões pejorativos.

E assim foi o dia em que o Cavalo virou Fenômeno, mas voltou a ser apenas Cavalo.

Contratar ou Revelar? Eis a questão!

Com a Final da Copa São Paulo, vendo a festa de meus amigos corintianos pelo merecido título, fui questionado por alguns destes amigos se o mais importante seria revelar jogadores ou vencer o torneio.

Tenho pensado sobre este questionamento e continuo em dúvida, pois quando um time vence a Copinha é mais fácil validar as revelações e muitas vezes quando o clube não vence o torneio são colocados em descrédito tanto os atletas quanto a estrutura (física e recursos humanos).

Olhando para os clubes brasileiros não consigo enxergar a prioridade das categorias de base, tão presente nos discursos dos diretores. O campeão da Copinha deste ano, por exemplo, tem somente um atleta das categorias de base em seu time titular (o goleiro Julio César – que é muitas vezes contestado), e perdeu vários atletas para mercados secundários ou times de menor expressão (Dentinho e William estão na Ucrânia, Lulinha é um nômade, sendo emprestado para clubes pequenos a cada inicio de temporada, Boquita não vingou nem na Portuguesa).

Outros clubes também passam pela mesma situação, mesmo aqueles que alegam ter as melhores estruturas, como é o caso do SPFC, que no time titular tem somente 4 jogadores revelados na base (Rogério, Denilson, Wellington e Lucas) e também “dispensou” muitas jogadores revelados recentemente (Jean, Aislan, Mazola, Sérgio Motta, Alex Cazumba, Juninho, Richard, Denner, Ronielli, Bruno César, entre outros).

Imagine se os clubes nacionais priorizassem de verdade as categorias da base, assim como o Barcelona faz na Espanha – são 8 revelações do clube entre os titulares (Valdes, Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, iniesta, Fábregas e Messi), o tricolor do Morumbi poderia ser escalado com: Rogério, Jean, Luiz Eduardo, Rodolpho, Cortes; Wellington, Casemiro, , Hernanes, e Kaká; Lucas e Luis Fabiano, assim como o Barcelona com 8 jogadores da base (em negrito).

Para que isto aconteça, os clubes precisam entender que entre um jogador mediano contratado e manter uma promessa da base, a revelação é que deve ser utilizada, ou você acha que o Luiz Eduardo é pior que o João Filipe (SPFC), ou o Moraes era melhor que o Lulinha (SCCP), ou Wellington Nem joga muito menos que o Souza (FFC).

Enquanto não tivermos jogadores da base nos elencos dos grandes clubes brasileiros, jogando, ganhando experiência, errando e acertando, não teremos categorias e base com qualidade no Brasil.

Alguns dizem, assim como o Paulo André em seu blog, que os garotos chegam verdes para treinar com os profissionais, mas como serão preparados se não são testados – pouco a pouco – em seus clubes. Jogadores consagrados, ídolos em seus clubes não forma lá muito em seu primeiro ano em um grande clube – o Raí, por exemplo, não jogou nada em seu primeiro ano no tricolor, o Hernanes só vingou depois de muitas idas e vindas.

É preciso colocar a garotada para jogar. O que você acha? Como ficaria seu time se escalado com pelo menos 8 jogadores da base? Comente, critique! Este assunto precisa e deve ser muito discutido.

 

 

Quem é desumano?

Ano novo, vida nova, competições começando, times reforçados, mas os velhos assuntos continuam os mesmos. Entre todos os assuntos chatos que rodeiam o mundo do futebol e ocupam inúteis horas de debates esportivos, um particularmente me irrita mais que todos os outros juntos. Esse assunto é a velha choradeira de parte da imprensa esportiva brasileira quando times tupiniquins tem que jogar em cidades com altitudes consideradas elevadas.

O ano de 2012 promete ser muito interessante para os amantes de futebol, e particularmente a copa Libertadores promete ser o grande destaque futebolístico do primeiro semestre. 3 grandes clubes cariocas vem com boas equipes e muita rivalidade. 2 grandes paulistas sendo um o atual campeão e favorito ao bi (bi em sequencia, tetra em títulos alternados) e o outro é o atual campeão brasileiro e vem com o velho trauma de nunca ter vencido a competição continental. Isso somado ao bom time do Internacional, a volta do Boca que não disputava há algum tempo, a sempre perigosa LDU, e o bom time da Universidad de Chile, entre outros, fazem da Libertadores de 2012 uma competição que promete ser uma das mais emocionantes da história.

Com tantos atrativos, podemos pensar que a imprensa está fazendo uma grande cobertura, mostrando destaques de várias equipes, etc. Mas não, a única coisa de que se fala (além das também chatíssimas contendas entre Ronaldinho e Luxemburgo) é sobre o Flamengo jogar na temida Potosí. Sobre a altitude “desumana”, um monstro mitológico que na boca de certos pseudo-intelectuais parece vestir a camisa 10 dos times locais, bater escanteios e cabecear a bola do escanteio que ela mesma cobrou.

O primeiro ponto que pretendo tocar sobre a “desumanidade” do assunto, é justamente o lado humano, imagine você, caro leitor, seja nascido onde for, que um “gênio” de um país estrangeiro saia dizendo por aí que a prática do que quer que seja na cidade em que você nasceu, ou vive, é desumana. Quer dizer que aqueles que conseguem praticar normalmente não são humanos? E os que nasceram e vivem nesses lugares? São o que? Animais? E Ts? Notaram o quanto esse tipo de declaração é no mínimo uma deselegância e uma tremenda falta de educação? Afinal de contas o que é mais desumano? Jogar futebol onde vivem milhões de pessoas e todos praticam esportes normalmente, ou dizer que fazer o que quer que seja em regiões habitadas por seres HUMANOS é desumano?

Outro ponto importante é o da saúde dos atletas, pois da última vez que o Flamengo atuou na mesma Potosí, a choradeira foi tão grande que chegaram até a fraudar relatórios médicos, e tudo que encontraram em toda a história foi a morte por ataque cardíaco de um atleta amador, em uma partida realizada na cidade de Oruro, do mesmo tipo que os que já mataram jogadores no Brasil, na França, em Portugal, entre outros países de altitudes baixas. E esse relatório obviamente nunca vai poder refutar os vários laudos sérios que comprovam que o risco de morte é o mesmo em altitudes altas ou baixas.

Aí os pseudo-intelectuais dirão que jogar na altitude é uma covardia, uma deslealdade, e que a diferença de desempenho de quem está adaptado para quem não está é absurda. Nesse caso também não é bem assim. Pra começar que jogar em casa é sempre uma vantagem, e quando se tem alguma particularidade ambiental que dificulte mais para o adversário, essa vantagem tende a aumentar. Exemplos não faltam, equipes que jogam em estádios grandes e com torcida distante do campo como o São Paulo por exemplo, sempre tem dificuldades de jogar na Vila Belmiro, ou na Arena da Baixada que são alçapões. O Juventude sempre usou o frio de Caxias, assim como o Paissandu o calor de Belém como uma arma a mais. Equipes italianas, e espanholas sofrem quando jogam no frio da Russia ou da Noruega. O Brasil teve uma grande vantagem quando enfrentou a Holanda em 94 no calor de mais de 40 graus de Dallas. Assim é o mundo em que vivemos, quente, frio, seco, úmido, alto, baixo.

Ainda no ponto da diferença técnica, muitos “especialistas” garantem que atletas profissionais praticamente não sentem dificuldades de respirar, mas que o problema maior é que a reação da bola é muito diferente, ela fica mais leve, e tem que colocar bem mais efeito para que ela faça curva. De fato isso é verdade, porém é uma situação com dois lados da moeda, pois quem está acostumado a jogar lá em cima, quando vem jogar em baixas atitudes sente a bola muito pesada (quase uma bola de futebol de salão) e rebelde, que faz muita curva, ou seja, o que dificulta um no jogo de ida, dificulta o outro no de volta.

Por fim dirão: “Se a altitude não é esse monstro, por que times tecnicamente superiores perdem tanto para equipes mais fracas?”. Isso se explica justamente pelo drama criado em alguns países sul-americanos (principalmente no Brasil) que não tem elevadas altitudes, quando seus times jogam lá. Simplesmente se criou um monstro tão grande, que ficou impregnado na cabeça das pessoas, nenhum jogador do Flamengo teme o Real Potosí, nenhum jogador brasileiro teme a hoje fraca seleção boliviana (que morre de saudade da geração de Baldevieso, Etcheverry e etc). Mas todos temem de forma exagerada e desnecessária o”jogador altitude”, e este fator psicológico faz toda a diferença. Posso citar dois exemplos que provam o quanto o medo da altitude provoca efeitos que ela não causa em ninguém.

Em 1992 quando o São Paulo, enfrentou o San José nos 3.700 Mts da cidade de Oruro, o vôo fez escala na cidade de Santa Cruz de la Sierra (que está praticamente no nível do mar) e por um imprevisto, a equipe brasileira teve que passar um dia na capital crucenha, como o Mestre Telê Santana não gostava de dormir em serviço, aproveitou o dia em Santa Cruz para treinar a equipe em um campo alugado. Eis que em poucos minutos de treino o atacante Macedo de tanto ouvir falarem sobre os males da altitude boliviana e com muito medo de passar mal naquele clima “desumano”, sentiu uma falta de ar insuportável e dizendo que não havia ar nenhum para se respirar, desmaiou. Sim, ele desmaiou devido ao “ar rarefeito” de uma cidade que está na metade da altitude de São Paulo!!!

Outro exemplo que posso citar é o exemplo pessoal meu, já estive em cidades de altitudes moderadas (Tarija e Sucre), e em cidades bem altas (La Paz, Potosí, El Alto, e Copacabana). Em minha primeira vez na Bolívia tive uma indisposição intestinal quando o avião estava prestes a aterrizar no aeroporto de El Alto, e devido a isso, meus primeiros minutos a mais de 4.000 mts de altitude foram de uma intensa corrida e descida de escadas em busca de um banheiro, e posso dizer que não senti nada de muito diferente do que senti quando tive de correr devido a apertos parecidos no Brasil. Nas cidades de La Paz, e Potosí, além de caminhar muito em subidas e descidas, fiquei hospedado em edifícios altos e sem elevadores (isso não é raro por lá) e cheguei a ter que subir escadas correndo sem problemas. Em Copacabana (não a praia carioca, mas sim a belíssima cidade nas margens do lago Titicaca) tive a experiência de jogar futebol com alguns garotos locais, e a única dificuldade que tive foi ter que usar de minha habilidade para chapelar uma ovelha que pastava ao lado da quadra, e sabe-se lá por que invadiu a quadra no meio do jogo.

Tenho um exemplo que comprova a importância do fator psicológico. Na escalada ao topo do pico Chacaltaya que fica há mais de 5.000 mts de altitude, na excursão rumo ao lindo pico nevado famoso pela pista de esqui mais alta do mundo, mais da metade dos turistas eram brasileiros, sendo a outra metade dividida em gente de várias partes do mundo, no final da escalada rumo ao pico estavam no topo, além dos guias locais, turistas noruegueses, israelenses, americanos, japoneses, ingleses(todos de países que não tem cidades muito altas), e dos brasileiros apenas meu irmão asmático, e eu chegamos no topo, todos os outros brasileiros pararam alegando que estava difícil respirar. O que mais pode explicar brasileiros sentirem um “mal da altitude” que o inglês não sente? A única explicação que encontro é um temor criado por gente que transforma uma coisa normal em um monstro.

Por fim recomendo que as pessoas antes de fazerem julgamentos, conheçam esses países belíssimos como Bolívia, Peru e Equador, e que todos os torcedores disfrutem muito dessa Copa Libertadores de nossa querida e diversificada América.

 

 

 

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25 vezes Ferguson

Nesta semana o Sir Alex Ferguson comemorou a incrível marca de 25 anos no comando do poderoso Manchester United, para coroar esse feito postarei 25 fatos da carreira e da vida do melhor técnico da história do futebol.

    1. Escocês nascido em Glasgow no dia 31 de dezembro de 1941, Alexander Chapman Ferguson, mais conhecido como Sir Alex Ferguson, além de técnico também foi um bom centroavante.
    2. Começou a carreira no pequeno Queen’s Park de Glasgow, e após grandes temporadas pelo mediano Dunfermline nas quais marcou 66 gols em 88 partidas, foi contratado por seu time de coração, o Rangers.
    3. Chegou ao Rangers com status de ídolo, e dentro de campo correspondeu marcando mais de 1/2 gol por jogo, porém uma polêmica em sua vida pessoal encurtou sua passagem pelo clube protestante de Glasgow. Apesar de ser de família protestante (o que na época era pré-requisito obrigatório para jogar pelos Rangers) Ferguson se casou com uma mulher católica, o que gerou um profundo mal-estar no clube. Após afirmar que havia se casado por amor e que era casado com Cathie e não com a igreja ou com o clube, acabou sendo forçado a deixar os light blues e se transferir para o Falkirk.
    4. No Falkirk acumula as funções de jogador e treinador, mas após a contratação de outro técnico, volta a ser apenas jogador.
    5. Após encerrar a carreira no Ayr United, inicia sua carreira de treinador no pequeno East Stirlingshire, um clube tão modesto que sequer tinha um goleiro de ofício, mesmo com todas essas limitações fez um grande trabalho que o levou a um clube maior, o St Mirren.
    6. No St Mirren fracassou e acabou despedido, mesmo assim os dirigentes do Aberdeen viram seu talento e resolveram apostar no talento do até então desconhecido e inexperiente Ferguson.
    7. Assumiu o Aberdeen em 1978 e começou a série de incríveis façanhas que se tornariam rotina em sua carreira. O clube não ganhava um título há longos 23 anos e em 8 temporadas no clube ganhou nada mais que: 3 campeonatos escocêses, 4 copas da Escócia, 1 copa da liga, 1 recopa européia e 1 super copa da europa. Isso com um clube mediano, em um campeonato dominado por 2 clubes (Rangers e Celtic) que monopolizam praticamente todos os títulos do país.
    8. Após comandar a seleção escocesa em grande campanha na copa de 1986, Ferguson teve a grande oportunidade de sua vida, assumindo o Manchester United.
    9. No início o  Manchester passou por grandes dificuldades e em sua primeira temporada acabou apenas em 11° lugar.
    10. Disciplinador, logo ao assumir os red devils tocou o terror afastando os astros beberrões Norman Whiteside, Paul McGrath e Bryan Robson.
    11. Na temporada seguinte, com alguns bons reforços, Ferguson levou os red devils ao vice campeonato inglês.
    12. Na temporada 89/90 a equipe alternou um longo período entre empates e derrotas e chegou a sofrer uma acachapante goleada de 5 a 1 para o arqui-rival Manchester City.
    13. Ainda na temporada 89/90 Ferguson teve seu trabalho questionado por grande parte da torcida que não aceitava ver um trabalho de longos 3 anos ainda não apresentar nenhum grande resultado.
    14. Em uma consulta informal a dirigentes do Leeds, Ferguson perguntou meio que de brincadeira sobre o atacante francês Eric Cantona, acabou contratando o jogador que mudou a história do Manchester united, transformando-o em um dos maiores clubes do mundo.
    15. Em 1999 na final da Champions league contra o forte time do Bayern de Munique colocou no final da partida os atacantes Ted Sheringhan e o norueguês Ole Gunnar Solskjaer. E aos 43 minutos do segundo tempo os bávaros venciam a partida por 1 a 0, mas a partida acabou 2 a 1 para os red devils com gols de Sheringhan e Solskjaer.
    16. Apesar de seus detratores o acusarem de ser mais um gerente do que um técnico propriamente dito, Ferguson não apenas comanda a parte tática do time, como também fez fama como criador de surpreendentes jogadas ensaiadas, as quais seus auxiliares obrigam os jogadores a repetir exaustivamente em treinamentos.
    17. Apesar de assumidamente míope, tinha o hábito de ver partidas sem óculos, até que após uma derrota entrou nos vestiários “cuspindo abelhas africanas” pra cima do goleiro dinamarquês Peter Schmeichel que supostamente havia falhado em um gol. Após a educada explicação do goleiro de que a bola havia desviado, Ferguson retrucou dizendo: “Só se desviou na sua mãe”. No dia seguinte Feguson viu o gol (e o desvio) pela TV em sua casa, pediu desculpas para o goleiro e nunca mais voltou a acompanhar uma partida sem óculos.
    18. A fama de durão não é à toa, após uma discussão com o astro David Beckhan, arremessou uma chuteira no jogador, cortando-lhe o supercílio.
    19. A quantidade de títulos de Ferguson no Manchester United é simplesmente surpreendente, são: 12 campeonatos ingleses, 5 copas da Inglaterra, 4 copas da liga, 7 super copas inglesas, 2 títulos da UEFA Champions League, 1 recopa européia, 1 super copa da Europa, 1 copa intercontinental e 1 mundial de clubes.
    20. Quando assumiu os red devils o maior campeão ingês era o Liverpool com 16 títulos, enquanto que o Manchester United tinha ganho o campeonato inglês 7 vezes.
    21. Hoje o Liverpool possui 18 títulos, enquanto que o Manchester é o maior campeão inglês com 19 conquistas.
    22. Assim como o histórico Matt Busby, Ferguson revelou grandes jogadores nas categorias de base, fazendo com que os garotos revelados por ele ganhassem o apelido Ferguie babyes em homenagem aos Busby Babyes revelados por Matt.
    23. Se entre os Busby Babyes surgiram talentos como George Best e Bob Charlton, os Ferguie Babyes David Beckhan, Paul Scholes, Gary Neville e etc não ficam atrás.
    24. Em 25 anos comandou os red devils em muito mais de 1000 partidas e escalou o craque Ryan Giggs mais de 800 vezes.
    25. Assumiu um clube já grande e de história centenária, e em 25 anos conseguiu aproximadamente 2/3 das conquistas do clube.

Encerro a homenagem a um dos maiores vencedores do futebol com uma frase de minha autoria: “Ferguson não é o Pelé dos técnicos, Pelé que é o Ferguson dos jogadores.”

Qual o tamanho do Mito Rogério ceni?

Dias após a comemoração do milésimo jogo de Rogério Ceni pelo São Paulo Futebol Clube e o assunto ainda está na pauta do jornalismo esportivo.

Até que ponto é o tamanho do Mito Rogério Ceni?  Muitos adversários, em sua maioria os rivais paulistanos, contestam a qualidade do goleiro em baixo das traves, o que é indiscutivelmente é a sua função principal, e com isso alegam que se trata apenas de um caso bem sucedido de mídia.

No meu entender essa avaliação de que Rogério é fraco como defensor, é a única saída, único argumento (infundado) pra que torcedores rivais não deem o braço a torcer por esse monstro do futebol chamado Rogério Ceni.

Números de recordes de Rogério são intermináveis, não são meros detalhes, não são apenas número de jogos, ou de gols. São recordes de jogos sem levar gol, minutos sem levar gol, recorde de bolas de pratas da revista placar como melhor goleiro, jogador que mais recebeu bola de prata na história, único goleiro a receber bola de ouro, único capitão a erguer 3 vezes seguidas a taça do brasileirão e por aí vai. São 31 títulos e dezenas de recordes pelo mesmo clube.

Estreia como profissional contra o Tenerife na espanha, e ele defendeu um pênalti. Campeão da Copa Conmembol como titular, quando ainda era junior.

Rogério é iluminado, isso é inegável. Quantos e quantos momentos que o SPFC precisou dele, seja final, ou um simples jogo de campeonato, e o goleiro fez milagre, defendeu aquele pênalti, fez aquele gol.

Isso é talento, é concentração, é determinação, é força de vontade. É sinal de quem nasceu pra vencer, de quem tem algo a mais que os demais, algo genial.

Rogério não levou 63.000 torcedores (PM estipulou mais de 5000 do lado de fora sem ingresso) para o Morumbi, apenas por estar a 21 anos vestindo essa camisa. Ou por ter feito gols, ou mesmo ganhado um mundial. Rogério Leva uma nação a um estádio porque ele veste a camisa e porque ele é BOM. É CRAQUE.

Bem articulado, inteligente, independente, sempre enfrentou dificuldade no trato com a imprensa acostumada a jogadores sem cérebro, sem pensamento próprio. Até por isso RC sempre teve afinidade com jornalistas acima da média intelectual. Armando Nogueira, Alberto Helena, Juca Kfouri, Calçade, Mauro Beting, etc.

Rogério é Mito no Brasil e no exterior, doa a quem doer. Quando atua fora na libertadores é sempre o centro das atenções. Dá autógrafo atrás de autógrafo, entrevistas, especiais, documentários, e por aí vai. Não a toa foi escolhido pela IFFHS o 13º melhor goleiro da década, e o primeiro na lista a atuar exclusivamente fora da europa.

O que faltou para Rogério ser o maior goleiro da história foi ter abaixado a cabeça para a CBF e ter disputado uma copa como titular. Mas ele não teve a sorte que tiveram Marcos e Dida de o técnico do clube deles ter sido técnico da seleção.

Para concluir, só digo uma coisa e que será repetido por uma geração, ou gerações. Não vi Pelé, mas vi Rogério Ceni. Só os dois foram Mitos ou como diz a torcida São Paulina, M1TO. E quem viver verá. Nunca se esquecerão de Rogério Ceni, como nunca se esqueceram de tantos e tantos Mitos dos esportes, música, cinema, artes, etc.

 

 

Rogério Ceni – o MITO dos 1000 jogos

Presenciei boa parte dos mil jogos realizados pelo capitão Rogério Ceni na meta tricolor. Como já tenho mais de 30 anos, assisti jogos do Rogério desde os juniores, como no título da Copa São Paulo de 1993, vi seus jogos pelo “Expressinho” campeão da Conmebol de 1994, sofri no período em que diziam que ele nunca conseguiria um título de expressão pelo tricolor (culminando com o Paulistinha de 1998), tive o privilégio de vê-lo erguer por 3 vezes a taça de campeão brasileiro (2006, 2007 e 2008) e também as taças de campeão da Libertadores e Mundial (ambas em 2005).

Muitos jogos passam pela minha cabeça: a final do Mundial 2005 foi muito marcante, assim como o jogo do recorde de gols contra o Cruzeiro em 2006, uma das poucas notas 10 distribuídas pelo Prêmio Bola de Prata da Placar, o jogo do centésimo em 2011 contra o SCCP, mas a partida que considero a melhor atuação do MITO com a camisa tricolor foi a vitória épica contra o Rosário Central nas oitavas da Libertadores de 2004.

Esta era a primeira Libertadores do tricolor em 10 anos, desde a final de 1994, o tricolor não havia conseguido se classificar para o torneio mais desejado das Américas. O tricolor havia perdido o primeiro jogo em Rosário por 1X0 e precisava vencer por 2 gols de diferença para se classificar (não existia a babaquice do desempate por gols fora).

O tricolor saiu perdendo logo aos seis minutos do primeiro tempo, com um gol de Herrera, em uma besteira da defesa tricolor. O São Paulo se abateu com o gol, os argentinos pressionavam e o Rogério mostrava segurança quando era exigido. Aos 22 minutos o lance que poderia ser a redenção tricolor, pênalti (mal marcado) para o tricolor – o lance havia sido fora da área. Luis Fabiano bate e o goleiro defende a cobrança.

Aos 47, Grafite de cabeça empata o jogo. Ao final do primeiro tempo o tricolor não desce para os vestiários, e recebe as orientações do técnico Cuca no gramado do Morumbi.

No segundo tempo, o tricolor pressionou do inicio ao fim.  Perdia muitos gols até que aos 32 minutos, surge o gol mais sofrido que já vi, Grafite, de novo, aos trancos e barrancos faz 2X1.

O jogo foi para os pênaltis, logo na primeira cobrança Cicinho perde, os argentinos acertam 4 cobranças seguidas e o tricolor acerta as 3 seguidas com Grafite, Luis Fabiano e Fabão.

O jogo estava agora nas mãos e nos pés do capitão, ele precisa converter sua cobrança e pegar o pênalti seguinte para que o tricolor empatasse a disputa e levasse para as cobranças alternadas.

Ele bateu com maestria a sua cobrança e empatou a disputa. Na sequência com a frieza que só os grandes jogadores da história têm defendeu a 5ª cobrança dos argentinos no cantinho ­direito – é bom lembrar que ele não escolheu um canto e sim aguardou a cobrança e foi em direção da bola depois da cobrança direito – e manteve as esperanças dos tricolores.

Nas cobranças alternadas Gabriel fez para o tricolor e o MITO defendeu a cobrança do argentino, desta fez no canto esquerdo.

O São Paulo, infelizmente, não venceu aquele torneio, porém escolho este jogo como o jogo inesquecível do MITO, pois esta atuação fez com que os torcedores tricolores tivessem certeza que a trajetória de glórias do tricolor continuar.

Esta partida mostrou que Rogério Ceni é um excelente goleiro, embora seus feitos com a bola nos pés façam com que muitos críticos se esqueçam de suas qualidades debaixo das traves, um grande líder e principalmente um jogador capaz de mesmo nos momentos mais difíceis de uma partida de demonstrar a frieza necessária.

Hoje é dia de celebrar os 1000 jogos do maior e melhor goleiro da história do futebol brasileiro, de um jogador que honra a camisa que veste, de um vencedor (são 31 títulos com a camisa tricolor).

Portanto, torcedor tricolor no jogo de hoje no Morumbi esqueça as vaias, esqueça as fragilidades da equipe, a defesa de brucutus, o meio sem criatividade e o ataque que não faz gols. Celebre, aplauda, incentive e comemore no jogo de hoje.

Porque todos têm goleiro, nós temos Rogério Ceni!

A história de como se assiste futebol no Brasil.

Que todos nós apaixonados por futebol adoramos assistir e comentar futebol é inegável. Mas se pararmos para analisar, a forma como fazemos isso mudou demais com o passar dos anos.

Quando o futebol se popularizou no Brasil, isso no início do século passado, o meio de comunicação de massa único era o rádio. Foi através dele que se acompanhou as primeiras copas do mundo, inclusive a de 50 e o fatídico “Maracanazzo”, os primeiros campeonatos regionais e nacionais de futebol, entre outros torneios até então amadores. O rádio através da sua forma imaginária, e folclórica, atenuou bastante o amor que o brasileiro tem por esse esporte. Eram comuns grupos, famílias, amigos, se reunirem para torcerem pelo seu time e pela seleção. Esses grupos muito mais que assistir, comentavam, discutiam, ou seja, já faziam por merecer o título de milhões de técnicos que temos em nosso país. Nessa época surgiram também os primeiros programas de debates esportivos, apenas migrando de bares e ruas, para o rádio.

Com a chegada da televisão e sua rápida popularização, muito se imaginava o fim da era do rádio nas transmissões e debates esportivos. Mas na verdade isso não ocorreu. Seja pelo alto custo das televisões até então, pelo baixo número de jogos televisionados, ou até mesmo pela tradição criada pelos jogos narrados no rádio. Passadas décadas, mas precisamente nos anos 80, a televisão entre forte nas transmissões esportivas. Com isso crescem o número de jogos televisionados e surgem diversos programas de debate sobre futebol também na TV. Esses programas em sua maior parte contavam com integrantes oriundos do rádio e que mostravam sua cara na telinha.

Você deve pensar que o Rádio nesse momento, enfim, começa sua decrescente no número de público, de ouvintes. Mas novamente não é o que ocorre. Os jogos televisionados em sua maioria são os jogos fora das cidades e ainda assim eram transmitidos poucos jogos, com exceção de finais.

Na década de 90, temos o “boom” de programas de discussão sobre futebol na TV, que popularmente acabou conhecido como “Mesas Redondas”. Eram poucos canais que domingo a noite não tinham em sua grade um programa que seja sobre o assunto. Nessa década, temos dois acontecimentos que mudariam radicalmente a transmissão de futebol no país. Primeiramente a Rede Globo de Televisão entra com todo seu forte capital na disputa pelos direitos dos campeonatos de clubes e com isso começam as alterações de horários, datas, entre outros interesses. Outro fator que revolucionou a relação TV e futebol no Brasil foi o projeto iniciado pela TVA, juntamente com o canal ESPN Brasil, de transmitir para quem pagasse pelo canal pago, os jogos realizados na cidade de origem dos assinantes.

Como a Globo percebeu que financeiramente o futebol era uma mina de ouro, no final da década de 90 é criado pela Globosat o canal Sportv também para planos a cabo de televisão, e no início da década de 00 os canais Globosat compram o direito exclusivo de transmissão do brasileirão, criam o sistema PPV (Pay Per View), onde além do assinante pagar a TV a cabo, ele deveria pagar pela exibição de todos os jogos do campeonato e a rede Globo mais do que nunca define horários, datas, estádios e o que mais puder na realização dos campeonatos nacionais e estaduais. A patir da copa de 2002 a Rede Globo monopoliza também a cobertura de copas do mundo para a TV aberta, e com isso, nos jogos da copa do Japão e Coréia obteve um dos seus maiores índices de audiência de sua história.

É também no início da década de 00 que a maior revolução da comunicação começa a se popularizar e com isso a Internet chega também ao futebol. São centenas de blogs e grandes portais de notícias que chegam com equipes esportivas. Com o avanço da tecnologia, esses portais inserem vídeos de jogos, gols, melhores momentos e debates sobre as partidas em seus sites. São criados também na grande rede, podcasts, rádio´s e TV´s Web, dessa forma, criando canais alternativos e mais democráticos de cobertura esportiva.

A partir de 2004, temos o início do auge das redes sociais, e através do Orkut temos a criação das comunidades internas de discussão sobre futebol. Nesse momento temos novamente, como foi com o início da era do rádio, concentrações de torcedores discutindo futebol, ainda que não fisicamente. Hoje temos a consolidação dos debates esportivos nas redes sociais através do facebook e principalmente do twitter, onde populares podem interagir ao mesmo tempo com amigos, jornalistas e os próprios jogadores, dessa forma potencializando em grandes números o percentual de comentaristas de futebol.

Como se percebe, o futebol vive se adaptando ao mundo em que vivemos e aos meios de comunicação. A grande paixão nacional se modifica, e porque não dizer, modifica muita coisa no país também. Para nós que amamos o futebol fica a satisfação de ter sempre onde assistir e debater futebol. Seja no rádio, na TV e até na internet. O importante é viver o futebol.