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Foi bom, pero no mucho.

E acaba de terminar a primeira  fase para os times do Grupo F.

Argentina, com 9 pontos, e Nigéria, com 4, são as equipes classificadas. A Bósnia com 3 e o Irã com 1 voltam para casa.

Se por um lado os eliminados saíram até melhor que o esperado (Se bem que achei que a Bósnia classificaria), Argentina e Nigéria ficaram devendo nesta primeira fase.

Por um lado, os hermanos mostraram uma excessiva dependência de Lionel Messi. Para se ter uma ideia, dos 6 gols marcados pela Argentina, 4 foram de La Pulga, e um foi contra. Ou seja, apenas um gol foi marcado por outro jogador de nossos vizinhos-irmãos. Porém, refletindo um pouco mais profundamente, talvez seja melhor ter um Messi de quem depender, e ele corresponder, do que não ter nenhum talento no time ou os talentos não fazerem o que deles se espera. Vejo a situação da Argentina muito parecida com a de Portugal, com a diferença de que o Cristiano Ronaldo não está conseguindo render, fisicamente.

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De qualquer forma, as dificuldades da defesa argentina bem como a armação deficitária são evidentes, e no confronto da próxima fase, muito provavelmente com a Suíça, prevejo dificuldades.

Já a Nigéria, conforme falei aqui, demonstrou a mesma dificuldade das outras seleções africanas, com uma generalizada falta de talento, habilidade e criatividade. Classificou-se mais pela inocência da Bósnia, que poderia ter vencido o confronto direto, do que por méritos. Acredito que seja saco de pancadas para a França, e pode consagrar o Benzema na artilharia.

Agora é esperar os jogos do final da tarde para ter a confirmação dos adversários. Mas pelo que mostraram na primeira fase, os times do grupo F têm muito com o que se preocupar, e ainda bem que a partir das oitavas-de-final as coisas podem mudar completamente.

Um dia na copa (ou o dia em que amei Cuiabá)

Sábado, 21 de Junho de 2014. Aeroporto de Guarulhos.

Encontro com o Henrique Siqueira no aeroporto para iniciarmos uma jornada épica em nossas vidas: assistir a um jogo de copa do mundo em nosso país.

O clima já é completamente diferente do normal. Gente vestida de todas as cores, falando todos os idiomas possíveis. Me chama a atenção o grande número de Colombianos presentes no aeroporto. Embarcamos rumo a Cuiabá para assistirmos a Nigéria x Bósnia e Herzegovina – que se não era o jogo dos sonhos, era o que tinha ingressos disponíveis.

Confesso que embarquei preparado para o pior. Achei que teríamos muita bagunça, desorganização, cambistas para tudo quanto é lado, violência, falta de estrutura. Então qualquer coisa melhor que isso me surpreenderia positivamente. Durante o vôo, uma irritação profunda no olho direito é o presságio de que a jornada será muito ruim (agora, dois dias depois, sei que se trata de uma conjuntivite viral, provavelmente). A lente de contato sai do olho, e eu fico pensando se encontrarei uma farmácia para comprar colírio, já que levei apenas uma camiseta e um livro comigo.

Ao nosso lado, no avião, um indiano. Atrás, mais colombianos. À frente, bósnios e nigerianos. A copa do mundo é algo realmente fantástico e democrático. Começo a me impressionar com a paz e o clima de confraternização entre todos no mesmo ambiente. É uma sensação diferente, de que estamos todos indo para a mesma festa, mas ninguém briga pelo prêmio da melhor fantasia. Quanto mais gente fantasiada e pronta para curtir, melhor.

Chegando a Cuiabá, a primeira surpresa. O Aeroporto é muito bonito e bem estruturado. Faltaram pessoas para dar informação em um primeiro momento, é verdade, mas deu pra perceber uma praça de alimentação razoavelmente boa e um espaço para descanso, sobre o qual falarei mais tarde. Ainda faltam 3 horas para o jogo e começamos a ficar com fome.

Dúvida cruel: comer no aeroporto ou correr o risco de ter que pagar uma fortuna por um lanche de qualidade discutível no estádio? – ou, pior: correr o risco de não ter comida no estádio, conforme relatos de jogos anteriores. Decidimos ir ao estádio, e começamos a buscar opções de transportes.

O estádio fica a cerca de 6 km do aeroporto. Perguntamos a um taxista, que cobraria 40 reais pela corrida. De ônibus, R$ 2,75 para cada um. Me parece que não existem motivos para haver dúvidas. O ônibus estava vazio, fomos sentados e não demoramos nem 15 minutos para chegar na Arena Pantanal. Descemos a uns 500 metros do estádio, onde algumas ruas já estavam isoladas e não havia trânsito de veículos.

No caminho pudemos ver obras do monotrilho que não ficou pronto a tempo para a copa. Parece que em dezembro estará disponível para a população, e irá ajudar bastante na locomoção – não sei se tem trânsito em Cuiabá e se é uma obra necessária, mas vai ficar bem bacana, acreditem.

Descemos e começamos a caminhar para o estádio, e aí a cena começou a ficar surreal. Nem parecia que dali a pouco menos de três horas teríamos um jogo do maior evento do mundo (pode não ser o maior em termos de grandeza, mas nenhum evento do porte de uma copa do mundo dura um mês), me sentia como em uma cidade do interior, ou até mesmo uma pequena cidade praiana – só que sem a praia.

Passamos por uma lanchonete – na verdade um boteco – no meio do caminho, a Lanchonete da Nice, como dizia a fachada, e resolvemos parar pra comer alguma coisa. Um lugar bastante simples, com um senhor atendendo no balcão. O sr. Pereira deve ter uns 60 anos e uns cinquenta quilos. Três gringos assistiam ao jogo da Alemanha em uma televisão do bar, e tomavam cerveja como se não houvesse mais nada a se preocupar na vida (e cá entre nós, naquele momento não havia mesmo). Pedimos um bolinho de mandioca com carne e palmito (muito bom) e um Guaraná Marajá (também aprovado com louvor). Sentamos, desfrutamos por alguns momentos daquela cena e fomos finalmente ao estádio.

Na porta, muita alegria, organização e festa. Voluntários com megafones orientavam e brincavam, torcedores tiravam fotos, compartilhavam bandeiras, roupas e adereços, a polícia observava de longe com tranquilidade e NENHUM cambista nos abordou em momento algum. Não sei se pelo visual do Henrique (barba e cabelo ruivos), pela minha mochila da Alemanha ou por ambos, mas todo mundo que se aproximava de nós perguntava antes de mais nada se falávamos português e éramos brasileiros. Um homem nos aborda e quando penso que será o primeiro cambista, ele informa educadamente que uma casa em frente à arena serve como guarda volumes, caso tivéssemos algo que não pudesse entrar no estádio. Nos dirigimos ao portão, passamos pelos detectores de metais (um grande, como aqueles do aeroporto, e depois um manual), e em todos os momentos os funcionários e voluntários são simpáticos e educados.

Passada a primeira catraca, nos encaminhamos para a segunda, onde o ingresso é verificado e o acesso ao estádio propriamente dito liberado. Lá dentro, o visual de tudo é simplesmente fantástico. Várias atrações dos patrocinadores, como um telão da Budweiser, um local do Itaú para pintar os torcedores ou até mesmo a loja oficial de produtos da copa prendem a atenção de todos e entretêm aqueles que como eu e o Henrique chegamos duas horas antes do jogo.

Damos uma volta, tiramos algumas fotos e nos dirigimos aos nossos lugares. Estamos no 4º andar, e a subida pelas escadas é cruel. Muitos e pequenos degraus são um desafio constante para quem tem sobrepeso e preguiça, e demoramos uns cinco minutos para chegarmos às nossas cadeiras. Mais uma vez, ponto positivo para a organização, que indicou por onde subir e como chegar aos assentos marcados no ingresso. O estádio em si é maravilhoso. Grande, imponente, impressiona. Apesar de estarmos em um lugar muito alto, a vista do gramado é perfeita.

Enquanto os jogadores aquecem, tiramos mais algumas fotos um pouco mais abaixo e contemplamos o belo pôr do sol local. Não sei vocês, mas se tem algo que pra mim serve como referência da beleza de algum lugar é o final da tarde. E neste quesito Cuiabá foi aprovada com louvor, mérito e todos os elogios que eu possa fazer. Aliás, na hora do intervalo foi curioso notar que do lado esquerdo o sol se punha enquanto ao lado direito já era noite. E a gente ainda reclama do Brasil e muitas vezes quer viajar pro exterior…

Mas voltando ao jogo e ao estádio, demos mais uma volta pelas arquibancadas e retornamos ao nosso assento. Faltando meia hora para o jogo, a impressão era que ia sobrar muito, mas muito lugar. Acho que nem 30% das cadeiras estavam ocupadas. Não sei se isso ocorreu porque o torcedor estrangeiro tem o hábito de chegar em cima da hora (enquanto nós aqui no Brasil acostumamos a chegar duas horas antes para precaver do trânsito e pegar um lugar bom) ou se era segurança por parte dos torcedores devido ao lugar marcado do estádio. Mas o fato é que já fazíamos planos para sentar mais próximo ao estádio depois do intervalo, achando que ia sobrar um monte de lugar.

Outra coisa interessante que reparei foi que a FIFA colocava no sistema de som de tempos em tempos a vibração da torcida. Olhando pelo telão, deu pra imaginar que aquilo acontecia sempre que a transmissão entrava no ar, e era pra dar uma sensação de que o estádio estava lotado – o que estava muito longe de acontecer naquele momento. E cá entre nós, como a música tema desta copa é chata né? Principalmente se compararmos com o Waka Waka da Copa 2010.

Times aquecidos, o estádio começa, de uma hora pra outra, a encher. Creio que todo mundo estava nas áreas de entretenimento esperando dar o horário, comendo, bebendo, indo ao banheiro (que estava incrivelmente limpo, antes do jogo). As seleções se perfilam, os hinos são tocados, e a festa é impressionante. Torcedores organizados da Bósnia se posicionam em uma arquibancada próxima a nossa, e parece que estão torcendo no quintal deles, tamanho o barulho que fazem – desconfio que a acústica do estádio favorece isso.

Começa o jogo, e a única coisa que não gostei até ali é a posição dos telões, que impossibilita que possamos ver alguma coisa – ou era a minha vista irritada? A torcida para a Bósnia parece ser um pouco maior, porém os simpatizantes da Nigéria sempre respondem em alto e bom som, principalmente abaixo das tribunas, onde podemos ver uma grande concentração de nigerianos – algo em torno de uns 1500, 2000 torcedores. Na verdade, o que menos importa ali é o jogo. A torcida quer ver gol, e vibra tanto no tento anulado da Bósnia quanto no validado da Nigéria. A essa altura, os únicos dois lugares vazios são ao meu lado, e exceto um casal de idosos meio perdidos por não terem consultados os voluntários sobre o exato posicionamento de seus assentos, não vejo nenhum sinal de confusão ou insatisfação.

Por volta dos 25 do primeiro tempo, chegam um são paulino (tinha que ser) e um brasileiro com camisa da Argentina e sentam ao meu lado, completando as únicas cadeiras ainda vazias de nossa arquibancada, atrás do gol da Bósnia no primeiro tempo. O jogo é morno (sobre ele falarei em outro post), mas a torcida se anima. Faz ola, canta, solta o indefectível (e brega, na minha humilde opinião) “sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor”, xinga o bandeirinha, a Dilma (sejamos justos: em um primeiro momento, apenas uma parcela do estádio xingou, e foi vaiada. Depois, o estádio inteiro xingou em uníssono), e mostra um carinho especial quando descobre através do telão que Joseph Blatter está presente – eu não fazia ideia do quanto ele era odiado por aqui.

Um torcedor com uniforme do Guarani torce enlouquecidamente para a Nigéria e passa a ser a grande figura da torcida. Intervalo, levanto para esticar as pernas e pentelhar o pessoal aqui em São Paulo. Aliás, tanto se falou que telefone e internet não funcionariam nos estádios, mas não só meu 4G está perfeito como tinha Wi Fi disponível das quatro operadoras. Mais um cala boca nos pessimistas como eu. Pensei em comprar algo para comer ou beber, mas os altos preços e a perspectiva de fila me impediram. Ledo engano. Meus vizinhos de arquibancada saíram assim que o árbitro apitou e voltaram ainda antes que se iniciasse o segundo tempo. Sinal de que os serviços funcionaram, considerando o copo de cerveja na mão dele, e o de refrigerante com o seu amigo.

Volta o jogo, a Bósnia pressiona, não vira, e eu começo a me preocupar com outra etapa de nossa epopéia – a volta. Fiquei imaginando que com as quase 41 mil pessoas presentes querendo voltar de ônibus, demoraríamos horas para conseguir chegar ao aeroporto, e comecei a cogitar mentalmente a possibilidade de pagar uma fortuna pelo taxi ou até mesmo andar o percurso, que como já tínhamos visto não era tão grande. Na descida das arquibancadas, o único defeito que encontrei no estádio (e olha que procurei muito) – os degraus muito pequenos e a ausência de um corrimão causou alguns tombos, inclusive do Henrique, que deu uma escorregada nas escadas.

Chegamos ao térreo e depois de procurar por três lanchonetes diferentes, conseguimos comprar refrigerante e água (na verdade queríamos o copo, que era personalizado para aquele jogo). Achei que foi bobeira da administração do estádio fechar as lanchonetes após o estádio, mesmo tendo abundância de bebida e comida lá dentro. Mas devo imaginar que seja estratégia para esvaziar rapidamente o estádio. Do lado de fora, os voluntários não estavam mais lá, mas o clima de festa continuava. A fila na porta da casa/guarda volumes era grande, mas pelo visto estava tranquilo e os objetos sendo devolvidos em segurança.

Fomos andando de volta até o ponto de ônibus, e para nossa surpresa em menos de 8 minutos já havíamos embarcado, e estávamos sentados! A oferta de ônibus era tão grande que deu vazão à multidão que ia para o aeroporto ou então para a Fan Fest. Lá dentro, puxamos papo com três nigerianos – um deles chama Keley, pelo que entendi, e um pai brasileiro que foi com seus dois filhos ao estádio pela primeira vez.

Enquanto nosso conterrâneo dizia o quanto era prazeroso poder levar seus meninos pra ver um jogo pessoalmente, os africanos estavam extremamente felizes com a vitória (Exceto um, que pelo que entendi estava bravo porque não deixaram-no sentar no chão) e animados para o próximo jogo, contra a Argentina. Inclusive tentei trocar minha camiseta (do Santa Cruz – RN, já levei pensando em trocar) com a camisa da Nigéria, mas eles ainda utilizariam no último jogo, e depois certamente trocariam. Já de volta ao aeroporto (menos de trinta minutos depois do apito final), fomos comer alguma coisa, porque ninguém é de ferro.

Comemos em uma lanchonete, mas se quiséssemos rodízio de carne ou até mesmo pizza, tinha opção próxima. Finalmente compramos o colírio para eu tratar dos olhos e rumamos para o aeroporto prontos para uma espera de cerca de cinco horas para o nosso vôo de volta para São Paulo. Preparados para muito tédio, a surpresa: o aeroporto estava cheio e agitado. Tinha um espaço preparado para receber os turistas, a Fun Fest, com pufes, sofás, videogame, jogo de botão, pebolim (totó para os cariocas), televisão.

Víamos dezenas de bósnios cansados e mal humorados pela desclassificação, que se espalharam pelo local e dormiram enquanto não chegava a hora do vôo. Os nigerianos já se embarcavam para o próximo destino, fazendo festa pela vitória e possível classificação. Recarreguei o celular (tomadas aos montes estavam disponíveis, pensaram em tudo), encontrei um ex-aluno que fez a mesma loucura que eu e curti mais um pouco daquele clima de copa. Tentei puxar papo com alguns bósnios para ver se conseguia trocar a camisa, mas eles estavam muito bravos com o time e a arbitragem para que fosse possível uma música mais amistosa.

Três adolescentes brincavam um jogo de dados meio estranho mas para que eles parecia a coisa mais divertida do mundo – pelo que entendi, as combinações dos seis dados, que eram jogados de um copo, davam algum tipo de pontuação.

Às 2h55, embarquei de volta para São Paulo, com uma alegria indescritível. Eu tinha visto um jogo de copa. A primeira vitória da Nigéria desde 98, uma das três partidas da Bosnia em sua primeira participação, um dos jogos na Arena Pantanal. Escolham o motivo que quiserem, mas admitam, foi um jogo histórico. Não só para a copa, mas acima de tudo para a minha vida, e certamente para a vida do Henrique também. Valeu a pena o sacrifício para conseguir ingresso, passagem, fazer essa maratona, sentir incômodo no olho durante todo o dia, voltar todo torto no avião e atrapalhar o tratamento das hérnias de disco (sim, sou podre), ficar o domingo inteiro com sono…

Mas acima de tudo valeu por ver pessoas de todos os cantos do mundo, falando todos os idiomas imagináveis. Conversar em inglês (macarrônico) com as pessoas, ficar somente ouvindo os gringos falando em seus idiomas nativos, rir dos colombianos que estavam desde sábado no aeroporto esperando o jogo de terça-feira (banho pra quê, né?), e principalmente ver o quanto nós, brasileiros, estávamos sim preparados para organizar um evento dessa grandeza. Fica a tristeza por não ter ingresso pra nenhum outro jogo, a vontade de conhecer Cuiabá e viajar pelo mundo para sentir essa energia fantástica em outros lugares. Mas agora, mais do que nunca, posso cravar: #vaitercopasim

P.S.: Para ver fotos desta verdadeira epopéia, clique aqui

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Lionel + 10

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E começou a copa para a Argentina.

Ao contrário da maioria das pessoas, que acha que a Argentina foi péssima em campo, acho que dentro do possível, foi bem.

Para ser sincero, sou adepto da teoria de que não dá para analisarmos muita coisa na primeira rodada, exceto em partidas como a da Holanda ou da Alemanha. Tem o nervosismo na estreia, muito jogador que nunca pisou em campo por uma copa do mundo, por aí vai. Então na primeira rodada o importante é vencer.

Achei que o time argentino relaxou muito no primeiro tempo com o gol relâmpago (acho que somente um jogo nessa copa não teve gol até os trinta do primeiro tempo, o jogo da França), e depois melhorou no segundo tempo, quando o gol da Bósnia parecia maduro. Aliás, o gol da seleção europeia mostrou que eles realmente entendem do riscado, com uma bela enfiada de bola no meio da fraquíssima defesa argentina.

O que mais me espantou na seleção argentina foi a Messidependência. Todos os lances em que tinha a bola, o time argentino olhava para ver onde estava o Messi, e jogava a bola para ele, tendo condições ou não. E ao contrário do Barcelona, onde isso acontece mas quem dá o passe pra ele se movimenta pra receber, os jogadores portenhos simplesmente davam a bola nele e ficavam esperando ele driblar o outro time inteiro e resolver.

Contei pelo menos 4 vezes em que o Messi driblou 3 zagueiros e não encostou ninguém pra tabelar com ele.

Se quiser ir longe nessa copa, a dependência de Lionel Messi é, ao meu ver, o problema mais sério a se resolver – até porque a defesa não tem como arrumar agora.

E vamos ver o que acontece em Nigéria x Irã.

Há esperança para a Bósnia

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Por algum motivo que eu não compreendo compreendo sim, falta de pesquisa por preguiça e pressa de publicar, acabei escrevendo aqui que o segundo colocado do grupo F não teria chance nas oitavas-de-final pois pegaria a Alemanha.

Porém, alertado pelo Luiz, percebo que na verdade o segundo deste grupo enfrentará o primeiro do grupo E – muito possivelmente a França.

Não que mude muita coisa, mas aí dá pra ter um fio de esperança, principalmente se ocorrer algum grande milagre e classificar uma Suíça; mas mesmo com a França os bósnios podem ter ao menos um pentelhésimo, para citarmos Nelson Piquet, de esperança em uma classificação até as quartas-de-final.

Daí, porém, não devem passar de forma alguma. Mas cá entre nós, já terá sido histórico.

Grupo F – Um jogo para decidir

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Bom, estou aqui para falar do grupo F, o grupo de nossos hermanos argentinos.

Acredito que seja um dos grupos mais fáceis de prever o que vai acontecer, isso se não for o mais fácil.

Neste grupo teremos a torcida torcendo enlouquecidamente contra os argentinos, o que dará um espetáculo à parte nos estádios, com as melhores piadas possíveis sobre nossos vizinhos

A Argentina, com um ataque de respeito, um meio de campo razoável e uma defessa assustadoramente ruim, deve passar o carro e classificar-se com 9 pontos, tranquila. Acredito que somente uma grande sacanagem orquestrada pela FIFA má arbitragem poderia assustar a equipe do Técnico Sabella. Liderados por Lionel Messi, os hermanos já devem começar a se preocupar com quem será o adversário das oitavas.

Dos outros três times, muito equilíbrio entre Bósnia e Nigéria, e o Irã como saco de pancadas oficial da copa sem muitas chances de conseguir algo. Acredito que o que vai definir a segunda vaga será o jogo entre Bósnia e Nigéria, em Cuiabá, no dia 21 – jogo esse que será acompanhado in loco por mim e pelo Henrique Siqueira, que também escreve aqui.

Com uma seleção jovem e rápida, a Bósnia faz sua estreia como país independente em Copas do Mundo, uma vez que é uma dissidência da antiga Iugoslávia. Por esse seu DNA, tem um time leve, com certa habilidade, e deposita todas suas esperanças no craque Edin Dzeko, que pra ser sincero eu nem acho lá essas coisas mas é bom falar que é craque pra ver se torna o jogo mais interessante. Não acredito que a Bósnia vá longe, mas se conseguir a classificação também não tem muita esperança, porque deve enfrentar uma Alemanha na fase seguinte.

Já a Nigéria tem o perfil clássico das seleções modernas africanas. Ao contrário dos times que encantaram o mundo nas décadas de 90 e 00 (e não ganharam nada importante além de olimpíadas com jogadores uns dez anos mais velhos que os documentos apontavam), hoje vemos nos times africanos grupos envelhecidos, que privilegiam a força física e não trazem aquela irreverência e irresponsabilidade de outrora. Como taticamente são ruins e a violência não costuma resolver em campo, os resultados têm sido muito ruins. A Federação Africana de Futebol (ou órgão que o valha, sei lá qual o nome) deveria começar a repensar a política de exportar seus melhores jogadores para a Europa, pois temos visto cada vez mais jogadores de cintura dura e pouca criatividade.

Sobre o Irã, nada muito a dizer, apenas que vai perder de todo mundo por pelo menos dois gols de diferença – o mais interessante que poderíamos dizer sobre o Irã seria uma série de trocadilhos com atacantes que possuem bombas no pé e por aí vai, então é melhor não falar nada.

Se tivesse que arriscar um palpite e tenho, diria que neste grupo dá Argentina e Bósnia. E fiquem atentos ao jogo Argentina e Irã, forte candidato a maior goleada da copa.