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Entrevistamos a psicóloga esportiva Fernanda Nascimento para entender o caso Luiz Suárez

Como já era esperado o jogador uruguaio Luis Suárez foi suspenso pela FIFA por 9 jogos e 4 meses devido a mordida que deu no jogador Chiellini na última partida uruguaia na primeira fase da copa do mundo contra a Itália.

Como o jogador é reincidente pela 3ª vez e mesmo depois de 2 punições ainda repetiu novamente o ato de violência, todo nos perguntamos o que leva um atleta profissional a repetir o mesmo erro diversas vezes mesmo que seja punido brandamente. Para tentar entender melhor o caso e obter algumas respostas, entrevistamos a psicóloga esportiva Fernanda Nascimento que deu a versão profissional do caso ainda que seja impossível uma avaliação clara e exata sem conhecer pessoalmente o atleta.

Em cima da Linha:  Bom dia Fernanda. Como podemos entender a atitude do Suárez de morder o adversário deliberadamente e pela 3ª vez na carreira? Existe alguma explicação para atos assim em decorrência da competição esportiva?

Fernanda Nascimento: Bom dia Diogo. De modo geral podemos encaixar a atitude de Suárez como uma agressão ao adversário e isso acontece com certa frequência em ambientes esportivos. Podemos atribuir manifestações de agressão nesse contexto a competição uma vez que machucar ou desestabilizar o adversário ‘favorece’ o jogador que pratica esses atos (obviamente se deixarmos certa ética de lado). Podemos aqui pensar os comportamentos indesejáveis que surgem quando colocamos o ‘ganhar a qualquer custo’ como objetivo. Acredito que a mordida chama a atenção, pois não é comum vermos isso em jogos de futebol, mas muitas outras agressões ‘sem sentido’ acontecem o tempo todo no esporte. E podem acontecer por uma intenção real de ferir o adversário ou como uma resposta do jogador sobre a qual ele tem pouco controle, ou seja, uma reação frente a um ambiente muito estressante que o faz perder o controle emocional – lembrando que frente a situações ameaçadoras nosso organismo responde lutando ou fugindo.

Em cima da Linha:  O fato dele já ter sido punido 2 vezes anteriormente e ter repetido o ato prova que há a necessidade de um tratamento psicológico e não apenas a punição esportiva?

Fernanda Nascimento: O fato de ele já ter sido punido duas vezes e ainda sim manter esse comportamento que, aparentemente, afeta sua carreira – e sua imagem – negativamente parece nos mostrar que ele não tem controle sobre isso e nesse caso o trabalho de um psicólogo poderia ajudá-lo. A psicologia aplicada ao esporte procura ajudar o atleta a se conhecer e ter maior controle de si; maior controle sobre seus pensamentos, emoções e comportamentos e a realização desse trabalho, buscando minimizar comportamentos indesejáveis através do autoconhecimento e autocontrole, poderia ser interessante para esse jogador nesse momento.

Em cima da Linha:  Você como psicóloga esportiva já presenciou outros casos semelhantes a esse? E como poderiam agir seleção e clube do atleta na busca de evitar novas ocorrências?

Fernanda Nascimento: Já presenciei casos de atletas que perdiam o controle emocional num momento de maior tensão do jogo ou em jogos mais decisivos e acabavam tendo comportamentos que prejudicam o seu desempenho e o do grupo. Nesses casos é importante identificar os comportamentos que atrapalham, discutir isso com o atleta e com o grupo (ás vezes eles não identificam o quanto comportamentos agressivos os prejudicam) e entender junto a eles o que tem levado esses comportamentos a acontecerem tanto em relação ao ambiente exterior quanto ao interior (emoções, pensamentos, etc.). Assim identificamos quando e porque os comportamentos indesejáveis acontecem e então podemos trabalhar para mudar as variáveis que fazem com que ele se manifeste. Com essa investigação criamos um plano de ação, mas o autocontrole que o atleta deve desenvolver para mudar tudo isso é um treinamento constante, em termos tanto emocionais quanto comportamentais.

Em cima da Linha:  A pressão e o stress que são submetidos os atletas tanto pela competição como pelas cobranças externas podem gerar atos extremos de violência e de ausência de controle emocional?

Fernanda Nascimento: Com certeza a pressão e o stress pode tornar a violência mais provável justamente pela dificuldade de se manter o controle emocional nessas situações. Mesmo no futebol de fim de semana podemos notar que as agressões (físicas ou verbais) aparecem em momentos mais ‘tensos’ do jogo; mesmo considerando que a pressão ali é quase inexistente. E todos nós já vivenciamos momentos de stress, no esporte ou fora dele, onde fomos ‘agressivos’ mesmo sem necessidade e sem tirar nenhuma vantagem disso. Como disse anteriormente em situações de ameaça (e perder na copa do mundo é uma ameaça bem grande) nosso organismo responde lutando ou fugindo e, portanto, ficar mais inclinado a agir de forma agressiva nessas situações é natural. Mas nós temos escolha. Não é sempre que ficamos irritados que precisamos gritar com as pessoas que estão por perto, ou seja, aprendemos ao longo da vida a entender e a controlar o que se passa dentro de nós e não reagir impulsivamente de acordo com o que estamos sentindo. Esse desenvolvimento de autocontrole é que pode impedir que atos violentos aconteçam mesmo em momentos de muita pressão e stress.

Em cima da Linha:  Esse ato repetitivo do jogador possibilita detectarmos algum trauma ou influência da infância do jogador por exemplo?

Fernanda Nascimento: É muito difícil detectar algo apenas por esse ato, mesmo ele tendo se repetido algumas vezes. Com certeza esse comportamento do jogador pode ter relação com alguma influência da infância porque aprendemos muitas das nossas formas de agir e encarar as situações quando somos pequenos, mas a dimensão dessa influência é difícil discernir. Ele pode ter aprendido quando criança que se deve ‘ganhar a qualquer custo’ (como muitos de nós aprendemos também no esporte e na vida) e se comportar assim até hoje, ou pode ter aprendido ainda pequeno a valorizar tanto a seleção de seu país que se descontrolou quando pensou que ela poderia ser eliminada, ou nada disso, é difícil dizer. Mas de qualquer maneira pensamentos, emoções e comportamentos que se manifestam hoje provavelmente trazem aprendizados da infância.

Para contatar a Doutora Fernanda Nascimento acesse: http://www.fernandanascimento.com.br/

punicao-luis-suarez

Palpitômetro – saldo grupos C e D

Continuando com as conclusões do palpitômetro, hoje serão os grupos C e D

Grupo C

Colômbia empata com a Grécia
Resultado – Colômbia 3 x 0 Grécia

Costa do Marfim vence Japão
Resultado – Costa do Marfim 2 x 1 Japão

Colômbia empata com a Costa do Marfim
Resultado – Colômbia 2 x 1 Costa do Marfim

Japão perde para Grécia
Resultado – Japão 0 x 0 Grécia

Grécia perde para Costa do Marfim
Resultado – Grécia 2 x 1 Costa do Marfim

Colômbia vence Japão
Resultado – Colômbia 4 x 1 Japão
Classificação(palpite)

Costa do Marfim – 7 pontos
Colômbia – 5 pontos
Grécia – 4 pontos
Japão – 0 ponto

Classificação(real)

Colômbia – 9 pontos
Grécia – 4 pontos
Costa do Marfim – 3 pontos
Japão – 1 ponto
Análise dos palpites – Sem dúvida fiquei surpreso em como a Colômbia conseguiu superar bem a falta da sua estrela maior, Falcão Garcia, e atropelar todos seus adversários. Por outro lado decepcionado com a campanha da Costa do Marfim, que na última chance dessa geração de fazer um bom papel, parece que o ego de novo falou mais alto. Grécia se aproveitou disso e passou pela primeira vez de fase e o Japão foi pífio, como esperado.
Grupo D

Uruguai vence Costa Rica
Resultado – Uruguai 1 x 3 Costa Rica

Inglaterra empata com a Itália
Resultado – Inglaterra 1 x 2 Itália

Uruguai Vence a Inglaterra
Resultado – Uruguai 2 x 1 Inglaterra

Itália vence a Costa Rica
Resultado – Itália 0 x 1 Costa Rica

Itália empata com o Uruguai
Resultado – Itália 0 x 1 Uruguai

Costa Rica perde para a Inglaterra
Resultado – Costa Rica 0 x 0 Inglaterra

Classificação(palpite)

Uruguai – 7 pontos
Itália – 5 pontos
Inglaterra – 4 pontos
Costa Rica – 0 ponto

Classificação(real)

Costa Rica – 7 pontos
Uruguai – 6 pontos
Itália – 3 pontos
Inglaterra – 1 ponto
Análise dos palpites – certamente o grupo que derrubou todo mundo. Não dá nem pra considerar que realmente tenha sido um erro de avaliação, porque acredito que nem os próprios costa-riquenhos acreditavam em uma campanha fabulosa como essa em um grupo tão difícil. Surpreendente o fato de a seleção italiana não ter empatado nenhum jogo e o Uruguai como imaginei levou os jogos mais na raa do que na técnica. Inglaterra continua sendo pífia, apesar de essa copa ter superado os limites.

 

Saldo

12 partidas

3 acertos

9 erros