Barcelona x Real Madrid. Mais importante que final de Paulistão?

Essas últimas semanas, o mundo do futebol esteve agitadíssimo. Finais de campeonato tanto no Brasil, com os estaduais e com os campeonatos europeus nacionais e internacionais. As semi-finais da Champions League e UEFA Europa League, como as quartas de final do Paulista, semi final do Mineiro, semi-finais de Taça Rio, semi final do 2º turno do Gauchão e por aí vai.

Quem gosta e quem não gosta de futebol, percebeu como tudo foi agitado e potencializado. Principalmente no maior ponto de encontro atual entre os torcedores, as redes sociais. É incrível como o mundo moderno, comunicativo, interligado, aumentou exponencialmente o número de pessoas discutindo , falando, brincando, curtindo o futebol.

O que eram 3,4,5 pessoas numa mesa de bar, virou 100, 500, 1000 pessoas interligadas no facebook e twitter vivendo a competição esportiva. Discutir a influência das redes sociais no mundo, e consequentemente, no futebol, é chover no molhado. É ser redundante, e até certo ponto, repetitivo e cansativo.

O ponto que eu queria refletir nesse texto, é como esse papo que injetam diariamente em nossas cabeças, seja na internet, como em qualquer outra mídia, que o mundo está globalizado, que o mundo está conectado , é uma verdade absoluta no mundo dos torcedores de futebol. Prova disso? Repercussão aqui no Brasil dos resultados dos jogos de Barcelona e Real Madrid, seja no campeonato espanhol, como na Champions.

Assim que jogos desses dois gigantes acabavam, seja na vitória ou na derrota, as redes eram bombardeadas com posts, piadas, comemorações, zuações, e tudo sobre os jogos desses clubes que hoje são disparadamente os dois melhores do mundo.

Muitos dirão que esse é um sinal de decadência do futebol nacional, um sinal de opressão do futebol mais rico europeu sobre o desvalorizado futebol sul americano, entre outras críticas. Com certeza isso faz todo sentido, mas não é somente isso. Se pararmos pra pensar, é um privilégio. Quantas pessoas do tempo dos nossos avós não gostariam de ver um Real Madrid de Di Stéfano ou Barcelona de Evaristo de Macedo? Ou Bayern de Munique de Beckembauer, Benfica de Eusébio, Manchester United de Bobby Charlton, Ajax de Cruyff, entre outros?

No final das contas, como tudo na vida, essa situação tem o seu lado bom e o seu lado ruim. Que o poder econômico mais forte, que levam todos os craques e estrelas pra fora, um dia iria ocasionar isso, é fato. O processo de exportação que começou na década de 80, resultou hoje em 2012, nisso. Um jogo de campeonato espanhol repercute bem semelhante a um jogo de campeonato paulista.

Cabe a nós apaixonados, tirarmos o que há de bom. Assistir aos espetáculos europeus e torcer mesmo que a distância. Se nossa TV aberta monopoliza as coberturas nacionais, e dificulta a popularização dos jogadores e dos clubes locais, temos que conviver com essa readaptação da paixão futebolística. Eu sou adepto de maximizarmos nossos campeonatos, nossos clubes, nossos jogadores. Acredito que ainda exista potencial para isso.

É necessário uma redemocratização da cobertura esportiva acima de tudo. Hoje temos Espn, Globo , Band e Esporte Interativo passando Champions League, temos Espn e Rede TV Passando UEFA Europa League, temos SPORTV e ESPN passando o campeonato italiano, ESPN e SKY Sports passando o campeonato Espanhol, e por aí vai.

Aí paramos pra pensar, e quem passa o campeonato Brasileiro? Globo que cede os mesmos jogos e horários para BAND e SPORTV que é do mesmo grupo global. Libertadores, apenas Fox Sports e Globo que transmite apenas um jogo por rodada na TV aberta.

Resultado de tudo Isso? Apenas 2 TV´s abertas transmitem o campeonato brasileiro e 3 TV´s abertas transmitem a Champions League. Alguém tem alguma dúvida de onde vem esse reflexo de torcedores de clubes espanhóis no Brasil?

Não, a culpa não é apenas da Globo, mas é sim muita responsabilidade dela. Tá na hora de uma correção nesse processo, antes que nosso futebol seja colocado de lado definitivamente. Sem estrelas, sem craques, sem TV´s transmitindo e em um futuro próximo pode ficar sem torcedor também. Não, não acredito nisso, mas tenho medo.

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