Escolha uma Página

O legado da Copa para os voluntários

Falta menos de uma hora para começar a partida que vai definir a seleção campeã desta Copa, que foi considerada, a Copa das Copas.

Em campo, Argentina e Alemanha disputarão o título de melhor time do mundo. De um lado, craques como Lionel Messi e Di Maria. Do outro, Muller e Klose.

Mas, sem querer ofender ninguém, este não é o assunto principal deste texto. Quero falar, por exemplo, como está copa foi especial para todos nós brasileiros e que ela vai deixar muitas saudades assim que o juiz apitar o final deste partidão que será disputado no Maracanã.

Até a Copa da Rússia, daqui a quatro anos, vamos lembrar com carinho da invasão de turistas estrangeiros nas cidades-sedes. Vamos lembrar da alegria, da festa, da confraternização.

Mas para uma parcela bem menor de torcedores/brasileiros, esta copa vai deixar muito mais do que lembranças. Estou falando dos voluntários que atuaram, assim como eu, dentro e fora dos estádios, contribuindo para que a organização deste mundial fosse tão elogiada pela imprensa e pelos turistas.

Neste último mês, as perguntas que mais ouvia eram: por que você quis ser voluntária? O que você ganha sendo voluntária?

Por isto, vou tentar explicar. Para me ajudar a responder essas e outras perguntas, entrevistei alguns voluntários pelo país. Confira abaixo o resultado disto:

 

Tatiana Ferreira – Voluntária de Transportes na Arena São Paulo

Por que decidiu ser voluntária durante a Copa do Mundo?

Eu já atuo como voluntária em eventos esportivos e posso dizer que é uma experiência única. Além da oportunidade de contribuir para organizar e realizar o evento no país, é uma grande chance de conhecer outras pessoas do Brasil e de outros países. Além desta interação, a função traz outros benefícios para a vida e para a carreira profissional, como por exemplo, gera a oportunidade de treinar e praticar idiomas, de ver de perto a organização do evento, além disto, a organização do evento nos oferece cursos gratuitos de capacitação que abordam temas como o que é ser voluntário, hospitalidade, ética, excelência no atendimento, gestão de conflitos, gestão financeira pessoal, entre outros.

Como foi o processo para conseguir ser escolhida e o que fará durante o Mundial? Terá algo pago pela Fifa, alguma despesa?

Em me inscrevi em um pré-cadastro para voluntários em 2012. Em setembro de 2013, a FIFA e o Comitê Organizador da Copa do Mundo reabriram as inscrições para o Programa de Voluntários e tive que fazer uma atualização do primeiro cadastro.  Na sequência, foi feita a dinâmica em grupo e treinamento geral online. Já em 2014, foram feitas as entrevistas individuais. Os selecionados receberam e-mail confirmando a participação já divulgando as funções. Eu vou atuar no setor de Transportes dentro da Arena São Paulo. Basicamente é organizar a entrada, saída e estacionamento dos carros dentro do estádio. É um trabalho importante porque recebe desde os torcedores, as delegações, árbitros e vips.

Sim. Cada voluntário da FIFA recebe um kit com todo o uniforme necessário para a função, além de mochila e tênis. Os voluntários também recebem vale transporte nos dias que vai atuar, assim como alimentação e lanche.

Você atuou em quais jogos?

Já atuei no jogo teste entre Corinthians e Botafogo e, na Copa do Mundo, trabalhei em todos os jogos na Arena São Paulo, exceto no jogo entre Bélgica e Coréia.

É a primeira experiência como voluntária de um evento esportivo? Como foram as outras?

Não, esta não é a primeira vez que sou voluntária. Antes, já participei como voluntária nos XV Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, realizado em 2007. Meu cargo era Apoio de Tribuna, trabalhei no Riocentro 2 nas modalidades boxe e levantamento de peso e minhas funções principais eram: atendimento aos jornalistas presentes nos eventos, entrega de check – lists com os resultados das provas e informações sobre os atletas nas competições e organização da zona mista e coletivas de imprensa.

Também me inscrevi para participar dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, das Olímpiadas de Londres e das Copas das Confederações, mas nestes casos, não consegui concluir o processo de seleção por motivos pessoais e/ou incompatibilidade de agenda.

Qual sua opinião sobre as pessoas que te criticam por aceitar ser voluntária na Copa? Tem escutado muitas críticas de fato?

Pessoalmente, não recebi críticas por aceitar ser voluntária na Copa. Talvez porque as pessoas que convivem comigo tenham ciência do meu interesse e da minha vontade em participar deste tipo de evento. Tanto a minha família, como meus colegas de trabalho e meus amigos, estão felizes por me verem realizar mais um sonho.

Por outro lado, leio em posts nas redes sociais, críticas sobre o trabalho voluntário em geral. Eu respeito essas pessoas e esses comentários, porque acho que a democracia é isto, é cada um ter a sua opinião e defender o que acredita.

Para quem me pergunta, eu deixo muito claro que no meu caso, em específico, eu continuo achando que vale muito a pena ser voluntária na Copa, assim como ser voluntária em outros eventos sejam esportivos ou não. E sempre que tenho a oportunidade, eu me dedico a eles.

O jogador tem aquela expectativa de entrar em campo e você? Como são esses dias que antecedem a um evento desse porte?

Obviamente que gera uma ansiedade e uma expectativa muito grande. A gente fica ansiosa para saber se tudo vai dar certo, se vai ser útil, se vai dar conta do recado, fica repassando mentalmente as tarefas que iremos realizar. Hoje, com a facilidade das redes sociais, os voluntários trocam informações por mensagem de celular, por mensagem em grupos, etc.

Enfim, apesar de ser um trabalho voluntário, é uma missão muito importante: é contribuir para um evento de proporções mundial dar certo, no seu país, na sua cidade.

Explica como foram os treinamentos para exercer essa função?

O treinamento para a minha função foi dividido em duas etapas. A parte online que consistiu em um treinamento geral sobre a Fifa e a Copa do Mundo e um mais específico, explicando o que é o cargo, quais as funções iremos desempenhar e as responsabilidades da área.

Já a parte presencial: fomos ao estádio, fizemos uma visita a todos os setores do estádio, conhecemos os locais de trabalho, os coordenadores, as funções. Além disto, tivemos a oportunidade de participar dos jogos testes.

Você tem algum sonho que pretende realizar sendo voluntária?

Na verdade, já estou realizando o meu sonho. Sempre tive o sonho de participar, de alguma forma, dos três maiores eventos de esportes na minha opinião: do Pan-Americano, da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Posso dizer que já consegui alcançar 75% do seu sonho.

O que você esperava dessa Copa do Mundo como um todo?

Esperava que fosse de fato, um sucesso. Que tudo transcorresse na paz, com segurança e que a alegria do brasileiro fizesse mais uma vez a diferença. Que a gente pudesse comemorar, pudesse interagir com os turistas, que as seleções fizessem jogos memoráveis, que nossa seleção conquistasse o sexto título em um Maracanã lotado e que fizéssemos uma festa para nunca mais ser esquecida. Só errei o título do Brasil, pois os demais desejos foram todos alcançados. Para mim, está foi, sem dúvida, a Copa das Copas e vai deixar muitas saudades.

 

Cínthya Rocha – Voluntária de STS na Arena Pantanal em Cuiabá

– Por que decidiu ser voluntária durante a Copa do Mundo?

Sempre achei mágico eventos grandiosos como Olímpiadas, Copa do Mundo. Imaginava quem estava por trás de tamanha organização. Tanto que quando soube da inscrição corri para o computador para me fazer parte.

– Como foi o processo para conseguir ser escolhida e o que fará durante o Mundial?

O processo seletivo foi longo. Após o cadastro recebi um login para um site exclusivo da FIFA. No qual tinha diversas apostilas desde a história do futebol, FIFA, além de cursos de atendimento, comunicação, liderança entre outros que eu deveria ler e após estudar passar por uma avaliação inclusive para ver meu nível de inglês.

 

Sou jornalista, porém, não queria trabalhar com mídia e sim em algo diferente uma forma de aprender novas competências e ao mesmo tempo descobrir novas habilidades. Quis atendimento ao espectador.

 

Agendaram uma dinâmica de grupo. Tive a oportunidade de conhecer outros voluntários e disputar uma vaga. Foi emocionante.

 

Fui aprovada e próximo ao mundial tive que tomar vacinas obrigatórias contra h1n1 e tríplice viral.

 

Uma semana antes teve treinamento para conhecer a Arena Pantanal e ficar craque sobre entradas, saídas, portões para dar informações precisas aos torcedores.

 

E dias antes recebi o uniforme composto:

2 camisetas

1 boné

1 calça/ que se transforma em bermuda

3 pares de meia

1 par de tênis

1 agasalho

1 mochila

 

– Você já trabalhou e irá trabalhar em quais jogos?

Trabalhei nos 4 jogos. O horário foi bem puxado, das 10 às 22h. Meu trabalho era recepcionar os torcedores e ao mesmo tempo dizer o que era permitido e proibido no estádio. Foi bom demais dialogar com pessoas do mundo todo. Quando a língua era um impedimento (japão, russos, bósnios…) o jeito era usar a boa mímica : )

 

– Essa é sua primeira experiência como voluntária de um evento esportivo. Se não, como foram as outras?

Já tive experiência em entidades como CVV, AACC. Mas, num evento esportivo foi a primeira vez.

– Qual sua opinião sobre as pessoas que te criticam por aceitar ser voluntária na Copa? Tem escutado muitas críticas de fato?

Ouvi muitas críticas e em todos os lugares de pessoas que sempre admirei, de pessoas que nem tinha muita proximidade… Ouvia e agradecia a opinião (embora não tivesse pedido, rs) Para mim o fator de não receber nada, ser voluntário nunca foi visto como “escravidão”…

Aprendi nesses meus 32 anos que dinheiro é bom, é sinônimo de poder, proporciona conforto, realização dos sonhos.  Mas não é tudo.

 

Sempre fui muito determinada e quando coloco algo na cabeça vou em busca. Para mim foi um sonho realizado. Me proporcionou muitas conquistas. Conheci pessoas incríveis. Tive contato com profissionais fantásticos focados, entusiastas que inclusive serviu de exemplo de uma profissional que quer crescer cada vez mais.

 

– O jogador tem aquela expectativa de entrar em campo e você? Como são esses dias que antecedem a um evento desse porte?

Sempre que o dia do jogo se aproximava  dava um friozinho na barriga. E quando chegava o dia nem tinha fome e olha que lá serviam almoço, jantar e lanchinhos além de muita água para hidratar.

 

– Explica como foram os treinamentos para exercer essa função?

Minha função era importantíssima. Era o cartão de visita da FIFA.  Os torcedores passavam primeiro pela comissão de frente que tinha que sorrir e dar as boas vindas de forma mais calorosa possível. Tínhamos que dizer de forma acolhedora sobre o que podia e o que era proibido levar para o estádio. Alguns torcedores ficavam bravos. Aí tínhamos que usar o jogo de cintura para mantermos a energia positiva no grau máximo.

 

Tenho certeza que cumprimos bem esse papel. Tanto que na pesquisa uol com as 12 cidades sede Cuiabá recebeu a maior nota com 9.9 no quesito cordialidade do voluntário. E realmente a equipe estava muito entrosada. Nos divertimos muito com os torcedores.

 

– Qual o momento mais marcante que viveu?

Os Coreanos gostaram tanto dessa alegria que me deram 2 ingressos. Na fila tinha um casal com o filho. Na hora do raio-x se separaram. Questionei. Aí o pai disse todo sem jeito que o dinheiro só tinha dado para comprar um apenas. Então eles optaram pelo filho.

 

O jovem estava radiante e ao mesmo tempo triste por deixar os pais no portão. Os pais demonstravam estar felizes, mas dava para sentir que estavam arrasados por não poderem vivenciar esse momento juntos.

 

Fiquei sensibilizada com tamanho amor. E vi que podia mudar a vida daquela família. Peguei meus ingressos e disse:  Vai lá e mostre pra ele como é uma copa do mundo. A mãe nem sabia o que dizer de tão agradecida que estava. Já o pai nem  conseguiu dizer nada. Os olhos se encheram de lágrimas. Quando o filho viu começou a gritar e ai foram muitos abraços.

 

– Para finalizar, qual sua avaliação profissional e como torcedora sobre o estádio de MT?

 

O estádio ficou lindo. Foi muito bem projetado. Independentemente de onde esteja tem visibilidade de todo o campo. A organização estava de parabéns. Muitos banheiros, lanchonetes, enfim. Um arraso!!!

 

Andréa de Oliveira – Voluntária de STS no Estádio Mané Garrincha em Brasília

– Por que decidiu ser voluntária durante a Copa do Mundo?

Gosto de exercer trabalhos voluntários e a Copa por ser um evento mundial que aconteceria no meu país, despertou mais ainda (a vontade).

– Como foi o processo para conseguir ser escolhida e o que fará durante o Mundial?

Foi longo, contudo simples. Atuarei na área de serviço ao espectador (STS), que tem por objetivo receber e orientar o torcedor sobre a localização de entradas e assentos, bem como avisar as normas de segurança no estádio.

– Você já trabalhou e irá trabalhar em quais jogos?

Fui escalada para trabalhar nos 7 jogos marcados em Brasília.

– É a primeira experiência como voluntária de um evento esportivo? Como foram as outras?

Sim. Até então eu havia exercido o voluntariado em outros setores, como o religioso.

– Qual sua opinião sobre as pessoas que te criticam por aceitar ser voluntária na Copa? Tem escutado muitas críticas de fato?

Várias pessoas criticaram minha decisão. As considero como ignorantes, pois não possuem conhecimento suficiente sobre algumas áreas (política, financeira, etc.), pautam-se em informações do senso comum e consequentemente criticam. Tal opinião foi reforçada ao ter contato com outros voluntários, pois a maioria são pessoas formadas, servidores públicos, ou seja, nível intelectual e cultural vasto.

– O jogador tem aquela expectativa de entrar em campo e você? Como são esses dias que antecedem a um evento desse porte?

Também há expectativa. Apreensão em como será o setor que você irá atuar, as pessoas as quais surgirão dentre outros.

– Explica como foram os treinamentos para exercer essa função?

Virtual e presencial, explicando a função em cada setor.

– Você tem algum sonho que pretende (ou já conseguiu) realizar sendo voluntária?

Bom, não diria sonho, mas o desejo de ter contato com pessoas de várias culturas (países).

– O que espera dessa Copa do Mundo como um todo?

Primeiramente que o Brasil seja campeão (rsrs), e posteriormente, que o evento seja um espetáculo passivo. Além disso, que o espírito que permeia os jogos (união), seja estendido entre as pessoas.

– Qual o momento mais marcante que viveu?

O instante em que o hino nacional foi cantado. É um momento impressionante, que se torna difícil descrever.

– Para finalizar, qual sua avaliação sobre o estádio?

Positiva. Foi inaugurado em tempo hábil, um ano antes da copa, e bastante estruturado, sem ocorrências relacionados à obra.

Lilian d’Oliveira – Voluntária de STS na Arena São Paulo em São Paulo

Por que decidiu ser voluntária durante a Copa do Mundo?

São muitos motivos! Gosto muito do evento e sigo/torço por algumas seleções. Além disso, sou apaixonada por arquitetura esportiva e ter acesso aos estádios me permite compreender a arquitetura e o funcionamento em grandes eventos. Ser voluntário traz muitos benefícios, permite um contato intenso com outras culturas, proporciona também novos amigos e eternas lembranças.

Como foi o processo para conseguir ser escolhida e o que fará durante o Mundial?

O processo se iniciou com um cadastro online no site da FIFA e a partir dele foram feitas triagens conforme experiências, habilidades e profissão para escolher alguns que iriam para a fase seguinte de entrevistas em forma de dinâmica de grupo e então os treinamentos. Fui alocada na área de STS (Spectator Services) que consiste em auxiliar os torcedores de inúmeras formas, seja direcionando aos assentos e saídas adequadas como auxiliando pessoas com problemas de locomoção e informações em geral.

Você já trabalhou e irá trabalhar em quais jogos?

Fui escalada para trabalhar em todos os jogos que acontecem na Arena Corinthians, em São Paulo. Por enquanto já foram: Brasil x Croácia (somados à abertura), Inglaterra x Uruguai, Holanda x Chile, Bélgica x Coréia. O próximo acontece nesta terça Argentina x Suíça e então teremos a semifinal.

Essa não é sua primeira experiência como voluntária de um evento esportivo. Como foram as outras?

Fui voluntária nos Jogos Panamericanos de 2007 e na Copa do Mundo FIFA 2010, na África do Sul. Ambas foram bem distintas, aproveitei de formas diferentes, fiz amizades nacionais e internacionais que permanecem fortes até hoje e me agregaram muito valor como profissional e como atleta. Além disso, frequentemente sou voluntária em eventos pequenos de muay thai. É bastante prazeroso poder ajudar e conhecer um pouco mais de cada esporte, cada evento, acaba sendo um hobby também. Vai muito além do trabalho.

Qual sua opinião sobre as pessoas que te criticam por aceitar ser voluntária na Copa? Tem escutado muitas críticas de fato?

Desde o começo ouço esse tipo de comentário. No início, tentava mostrar que ser voluntário não era para todos, que é muito interessante para determinadas profissões, que abre oportunidades, permite contatos importantes para a carreira, mostrava os benefícios e que pra quem gosta de futebol é uma grande experiência. No entanto, isso vai desgastando, pois as pessoas entram numa onda de criticar a partir de conceitos rasos sobre algo que desconhecem, mas defendem com unhas e dentes, em massa, como moda. Da mesma forma foi a crítica contra a Copa, demorou para muita gente perceber que o problema não era a Copa, mas os corruptos que usam a copa como qualquer infraestrutura para roubar dinheiro público. Tentei mostrar a minha visão, o que conheço, mas não dá para lutar contra a ignorância se as pessoas não querem entender por preguiça de buscar informações. Hoje em dia eu simplesmente ignoro, mas já noto muitos olhares de inveja pelas oportunidades que tenho e outros comprando ingressos por preços exorbitantes ou querendo estar no estádio e não ter a oportunidade. Acho que isso tem sido o jeito de deixar mais claro o motivo que nos leva a ser voluntário.

O jogador tem aquela expectativa de entrar em campo e você? Como são esses dias que antecedem a um evento desse porte?

Os dias antes da Copa foram difíceis, pois não via a hora de começar, de rever amigos que vieram de fora do país e de recomeçar essa experiência agora em casa. Conforme os dias vão passando, parece que vai ficando melhor, mas já começa a ideia de que logo acaba e a expectativa começa a dar sinais de saudades por algo que sei que vou sentir falta. São muitas histórias, muita diversão. É realmente algo fora do comum.

Explica como foram os treinamentos para exercer essa função?

A FIFA, alguns meses antes, disponibiliza treinamentos online de diversos tipos para passar os conceitos da FIFA, do mundial, de sustentabilidade, hospitalidade, bons modos, ética e moral, etc. Posteriomente, eles dão um treinamento online sobre suas funções específicas e no estádio, pouco antes dos jogos começarem eles nos colocam em contato com o mapa do estádio e suas entradas e os tipos de ingresso. Essa foi a parte mais difícil, pois foi bem fraco por ser mostrado de longe, em grupos então levou um tempo para que ficássemos habituados aos ingressos para poder orientar direito. O jogo de abertura foi bem confuso, pois os próprios torcedores sabiam mais dos estádios que nós mesmos.

Você tem algum sonho que pretende (ou já conseguiu) realizar sendo voluntária?

Na África consegui abrir portas e ter visibilidade como profissional. Para mim foi o maior ganho. No entanto, existem sonhos como torcedora, que ainda não pude realizar. Um deles é ver a Itália ganhar um jogo! hahaha Só vi derrotas. Ver o Brasil campeão, conhecer jogadores, etc. Isso ainda não foi possível. Depende muito da área onde você é alocado. Infelizmente, no Brasil, peguei uma área muito restrita.

O que espera dessa Copa do Mundo como um todo?

Espero que seja a melhor de todas, temos capacidade e tudo para que possamos realizar um ótimo evento e mudar a cara do Brasil como povo e como profissionais. Acredito que isso possa ser a alavanca para o posicionamento global e desenvolvimento do país. Ainda mais com as Olimpíadas chegando.

Qual o momento mais marcante que viveu?

A abertura no Brasil, sem dúvida. O hino à capela, a paixão, o começo do evento em casa e a esperança de sermos hexa Mas ter visto e pegado na taça em 2010 também concorre ao posto de melhor momento!

Você é arquiteta e escreve para um blog sobre o assunto, então para finalizar, qual sua avaliação profissional e como torcedora sobre o estádio Arena SP?

O estádio marca um novo padrão, uma nova linha de infraestrutura esportiva no Brasil, que pode ajudar muito na visibilidade global dos clubes como fazem os europeus. Tem muita coisa boa, mas muita coisa estranha no estádio (não muito seguras, não muito bem solucionadas), mas a conclusão final só poderá ser vista quando o que é exclusivamente colocado para a Copa sair. Talvez a experiência com o mundial também ajude a modificar pontos que não tiveram um bom resultado.

Dentre os melhores pontos vejo o gramado, vestiários e aparência.

Dentre os piores: visibilidade e colocação de alguns assentos, materiais não muito seguros e passagens de alto fluxo interrompidas/afuniladas pela arquitetura.

De qualquer forma, vejo um estádio funcional, que melhora muito para o público e jogadores, montando um novo cenário.

 

Brunna Reis – Voluntária de STS no Mineirão em Minas Gerais

– Por que decidiu ser voluntária durante a Copa do Mundo?

Na verdade, decidi ser voluntária após os Jogos Pan-Americanos de 2007, ainda não sabia quando seria a Copa do Mundo, mas já tinha a certeza de que iria me candidatar como voluntária.

 

– Como foi o processo para conseguir ser escolhida e o que fará durante o Mundial?

Fui voluntária na Copa das Confederações e logo após a copa em julho de 2013 começaram alguns testes online, depois teve uma dinâmica de grupo e, por fim, alguns testes específicos para a área que escolhi ser voluntária: Serviços ao espectador.

 

– Você já trabalhou e irá trabalhar em quais jogos?

Trabalhei em todos os jogos que foram aqui no Mineirão e irei trabalhar na seminal do dia 08/07 e espero rever o Brasil por aqui.

– Essa não é sua primeira experiência como voluntária de um evento esportivo. Como foram as outras?

A minha primeira experiência como voluntária foi em 2007 no pan-americano no Rio de Janeiro, trabalhei no Parque Aquático Maria Lenk nos serviços ao espectador, e foi uma experiência incrível. Tive a oportunidade de conhecer pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo e fiz amigos que levo comigo até hoje.

– Qual sua opinião sobre as pessoas que te criticam por aceitar ser voluntária na Copa? Tem escutado muitas críticas de fato?

Na realidade, as pessoas desconhecem a energia e alegria de viver grandes eventos esportivos, somente quem vive sabe descrever o que é viver essa energia. Hoje tenho vários amigos e até familiares que se arrependeram quando ficaram criticando minha vontade de ser voluntária. Sempre ouço “nossa que legal, você está vendo todos os jogos, queria ter comprado ingressos” e “foi difícil o processo pra você ser voluntária?”…comentários que eu já sabia que iriam surgir, tanto que nunca me importei com as críticas porque eu sempre soube que iria valer a pena.

Pelo contrário, vejo as pessoas saírem felizes, contentes, até mesmo quando perdem o jogo. Acho que está tudo muito organizado, o contrário do que muitos esperavam. O trânsito está fluindo bem, os táxis estão dando conta da demanda, os visitantes estão sendo bem assessorados, a população local está sendo muito receptiva, a segurança está fazendo bem o seu papel.

Dentro do estádio (mineirão), nos voluntários estamos orientando bem o público, apesar das filas e do preço alto, o público não tem reclamado do atendimento nas concessões, não tem havido muitos problemas em relação aos ingressos e quando ocorre um, estão sendo rapidamente resolvidos pelo órgão competente. Um problema encontrado dentro do estádio diz respeito à equipe de seguranças, eles não são proativos, muitas vezes fingem que não estão vendo determinadas situações onde devem intervir e já foram vistos sentados assistindo aos jogos em assentos que não foram ocupados.

 

– O jogador tem aquela expectativa de entrar em campo e você? Como são esses dias que antecedem a um evento desse porte?

No dia dos jogos chegamos ao estádio 6hs antes do início da partida, como sou líder de uma equipe, primeiro fazemos um briefing com os demais componentes da equipe, analisamos o local em que vamos trabalhar naquele dia, em seguida nos deslocamos para o local de atuação onde distribuo os voluntários. No horário da abertura dos portões, que geralmente acontece 3hs antes do início do jogo, todas as equipes já devem estar alocadas. A emoção da abertura dos portões com a chegada do público, sinto ser uma emoção equiparada a do apito inicial do jogo.

Os dias que antecedem os jogos são de grande expectativa, principalmente agora na reta final já que não sabemos quem serão os times que virão jogar aqui. Mantenho contato com os integrantes da minha equipe e estão todos ansiosos para o jogo da semifinal que acontecerá aqui. Hoje recebi uma mensagem que traduz bem o que estamos vivendo: “Equipe Chile, estou ansiosa para o jogo de terça, mas meu coração já sofre pois será também a despedida…”, é uma emoção que o cansaço e alguns estresses não conseguem apagar.

– Explica como foram os treinamentos para exercer essa função?

Na realidade todos os treinamentos foram online, como líder de uma equipe do serviço ao espectador fiz cursos de línguas, liderança, sustentabilidade, boas práticas, segurança, saúde, dentre outros. Foram pra mim cursos que não tiveram muita relevância diante da minha experiência em outros eventos de grande porte, mas que para os voluntários iniciantes deve ter tido boa contribuição.

 

– Você tem algum sonho que pretende (ou já conseguiu) realizar sendo voluntária?

Na realidade o meu sonho para esta copa é que os turistas vejam um pais seguro, receptivo, com pessoas hospitaleiras, com paisagens exuberantes, com comidas maravilhosas…e que estes, sintam vontade e prazer de retornar ao nosso pais. A forma que temos de reaver tudo que foi gasto nesta copa é com a vinda de turistas, por isso a importância de fazermos uma copa maravilhosa.

– O que espera dessa Copa do Mundo como um todo?

Espero que seja apenas o início de uma nova era, a copa fez com a população acordasse e fosse as ruas reivindicarem por seus direitos. A população está revendo seus conceitos sobre os políticos atuais e os que estão por vir, sobre o que foi gasto indevidamente, sobre as condições em que vivemos neste país. Mas a realização ou não da copa, não mudaria esse cenário, por isso nunca apoiei nenhum tipo de manifestação contra a copa, apoiei manifestações contra os corruptos.

– Qual o momento mais marcante que viveu?

O momento mais marcante aconteceu no jogo entre Bélgica x Argélia. Eu estava alocando meus voluntários após o intervalo para o segundo tempo quando vi um pai passando com seu filho de aproximadamente três anos e, tristemente, o pai falava com o garoto que não tinha dinheiro para comprar um sanduíche para o filho, em todas as lanchonetes, o menino franzino puxava o pai em direção ao caixa e o pai o puxava no sentido contrário.

Não pude deixar que aquele menino passasse o segundo tempo todo com fome, corri atrás dos dois e falei com o pai que se ele não se importasse eu gostaria de comprar um sanduíche pro menino. Na ida a lanchonete, o Senhor me contou que tinha ganhado os ingressos em um sorteio na firma que ele trabalha e que escolheu o filho caçula para ir ao jogo com ele, mas que ele não imaginava que tudo fosse tão caro. Como estava muito quente, ele comprou água pra ele e para o garotinho no início do jogo e, que, por isso, não tinha dinheiro suficiente para o sanduíche. Sinto até agora o beijinho doce que recebi daquele lindo garotinho e agradeço a Deus por estar ali naquele momento e ter feito esse pequeno agrado ao pequeno Ian.

– Para finalizar, qual sua avaliação profissional e como torcedora sobre o estádio de BH?

Sinto-me mais uma vez realizada, desempenhei meu trabalho da melhor forma que eu pude e tenho consciência de que contribui para que a nossa Copa do Mundo fosse inesquecível. Tenho certeza de que todos que tiveram o prazer de ir ao Mineirão saíram encantados com a organização, limpeza, segurança, receptividade e alegria de todos que estavam presentes no estádio. Eu como uma torcedora apaixonada por futebol sei que tudo que eu vivi jamais poderei relatar com a riqueza de detalhes com que aconteceram, mas levarei para sempre em minha memória a alegria e a satisfação de ter vivido a nossa copa do mundo, a copa do MUNDO DO BRASIL.

Duelo de campeões agitam as semifinais da Copa das Copas

De um lado, Brasil e Alemanha. Do outro, Argentina e Holanda.
Se já não bastasse o peso e a tradição das camisas, os quatro times que entram em campo pela disputa de uma vaga na final contam com uma bagagem bem recheada de troféus: são 10 títulos mundiais e 11 vice-campeonatos em campo.
No primeiro duelo, logo mais às 17h, no Maracanã, Brasil e Alemanha são responsáveis por oito títulos e mais seis vices.
Já as seleções da Argentina e da Holanda somam dois títulos mundiais e cinco vice-campeonatos.
E não para por aí. Esta é a primeira vez na história que as semifinais reeditam duas finais de Copas passadas.
Brasil e Alemanha entram em campo hoje para reeditar a final da decisão de 2002, que foi disputada em 30 de junho no Internacional Stadium, na cidade de Yokohama no Japão. Naquela ocasião, o Brasil venceu a Alemanha por 2–0, com gols do Ronaldo.
Coincidentemente, o outro jogo da semifinal entre Argentina e Holanda reedita a final de uma outra Copa: a de 1978.
A 11ª Copa da história foi disputada no país dos hermanos que ficaram com o título após vencer a Holanda por 3×1 na prorrogação. Vale dizer que nesta copa, o Brasil ficou em terceiro lugar.
E para encerrar as coincidências, outra disputa chama a atenção. Nesta Copa 2014, os quatro times que estão nas semifinais disputam acirradamente a artilharia da competição. Müller (Alemanha), Messi (Argentina) e Neymar (Brasil) marcaram quatro vezes cada e tentam (excluindo Neymar que está fora da Copa) alcançar o colombiano – já eliminado – James Rodríguez. Robben e Van Persie da Holanda estão logo atrás, com três gols cada.
Um pouco mais atrás e ainda na disputa, o brasileiro David Luiz e Hummels (Alemanha) com dois gols cada.
Apenas por este histórico já dá para ver que serão disputas bem acirradas. E que vença o melhor futebol.

A Seleção da Copa: os melhores da primeira fase

Quem não quer um Messi, um Muller ou um Neymar em campo defendendo sua seleção? Na visão de muitos especialistas, os jogadores são craques e não ficariam de fora da lista de titulares.
Mas não é o que pensa a Fifa e seus patrocinadores. A entidade divulgou uma lista elaborada por um patrocinador que escala os onze titulares da Copa na primeira fase. O ranking aponta os melhores por posição em campo e é atualizado a cada rodada do Mundial.
Com notas 9,52 para Neymar (Brasil), 9,45 para Messi (Argentina) com e 9,12 para Müller (Alemanha), os artilheiros do Mundial ficaram de fora. .
A boa notícia, é que apesar do nosso artilheiro não ter sido escolhido, a Seleção Brasileira garantiu duas vagas com os zagueiros David Luiz e o capitão Thiago Silva.
A Seleção que representa a primeira fase da Copa do Mundo, de acordo com avaliação dos especialistas selecionados pelo patrocinador, ficou com Enyeama (Nigéria – nota 9,35), David Luiz (Brasil – 9,69), Van Buyten (Bélgica – 9,58), Thiago Silva (Brasil – 9,5) e Sakho (França – 9,47); James Rodríguez (Colômbia – 9,79), Perisic (Croácia – 9,74), Shaqiri (Suíça – 9,55) e Lahm (Alemanha – 9,33); Benzema (França – 9,65) e Robben (Holanda – 9,62).

Vale lembrar que em 2013, na Copa das Confederações, o primeiro lugar do ranking ficou o atacante Fred, que ao lado do espanhol Fernando Torres, foi um dos artilheiros da competição com cinco gols.

Saldo da primeira fase da Copa do Mundo em São Paulo

A primeira fase da Copa do Mundo acabou hoje e já é possível analisar o que vem dando certo e o que não está dando tão certo assim.

Nesta análise vamos fazer um recorte do Mundial aqui em São Paulo. Em relação à ida e vinda para o Itaquerão, é sabido que as barreiras montadas pelo setor de Transporte impedem os carros não-credenciados de chegar no perímetro do estádio. Esta é uma operação importante e levada a sério pelos organizadores, o que faz com que o transporte público seja usado pela grande maioria, inclusive pelos turistas que estão surpresos pela limpeza, rapidez e pontualidade dos trens e metrôs. Além disto, funcionários do metrô especialmente treinados dão informações em inglês e espanhol nas estações.

Os copos promocionais da Coca-Cola e da Budweiser viraram os suvenires prediletos da galera e são disputados por todos. Alguns torcedores chegam a sair com mais de 10 copos na mão.

A segurança ao redor do estádio também tem sido eficaz e ostensiva. Rondas constantes são realizadas por todas as polícias.

Se temos muitos motivos para celebrar, por outro lado, a nossa não-fluidez em outras línguas tem surpreendido negativamente os turistas estrangeiros. Alguns encontram dificuldades para conseguir chegar, andar e sair do estádio. Na maioria dos casos, os voluntários é que precisam fazer o papel de tradutores.

Apesar de lindo, o estádio ainda não está 100%. A arquibancada provisória não inspira muita segurança. Quando chove, surgem várias goteiras no interior do local e por aí vai.

Outra coisa que não tem agradado são os preços dos produtos dentro do estádio (por exemplo: 10 reais um saco médio de pipoca e 8 reais um copo de refrigerante), isso sem falar nos produtos oficiais da loja da FIFA, onde um chaveiro custa R$ 20.

Outra coisa que não pegou muito bem é a FIFA não permitir visitas dentro do estádio em dias de não-jogos. Muitos torcedores que não conseguiram ingressos para a partida vão até a porta do estádio para tirar fotos e conhecer a dependência da Arena São Paulo mas se decepcionam ao descobrir que a entidade não libera a visita. Para piorar, as tais lojas oficiais só abrem em dias de jogos e dentro do estádio e só pode ser visitadas por quem tem ingresso, o que frustra quem quer voltar para casa com uma pequena lembrança.

Mas inegável mesmo é a interação que se vê por todos os lados da cidade. Os comércios estão lotados de turistas encantados com a simpatia dos brasileiros. E tudo vira motivo de farra e festa. Para coroar tudo isto, uma chuva de gols marcados pelos nossos craques promete deixar saudades pelos próximos quatro anos.

Já saiu o gol mais rápido desta Copa

O gol mais rápido da Copa do Mundo 2014 não saiu de nenhuma seleção detentora de títulos muito menos de craques consagrados como Messi, Balotelli ou Cristiano Ronaldo.

O jogador a fazer o gol mais rápido desta copa é o meio-atacante norte-americano Clint Dempsey.

Aos 28 segundos do primeiro tempo, o time dos EUA abriu o placar contra Gama (a partida terminou com vitória americana por 2×1).

Vale dizer que além de ser o gol mais rápido desta copa, este também é o gol mais rápido da seleção americana na história das Copas do Mundo.

Ele só perde para outros quatro gols, de outras Copas, ainda mais rápidos:
1 º – Em 2002, na Coreia do Sul, o turco Hakan Sukur, abriu o placar para a Turquia contra a Coreia do Sul na decisão do terceiro lugar. Ele precisou de apenas 11 segundos para conquistar o primeiro lugar dos gols mais ligeiros.
2º – Na Copa de 1962, Vaclav Masek, da Checoslováquia, fez contra o México em 16s.
3º – Ernst Lehner, da Alemanha, que em 1934 balançou as redes da Áustria em 25s.
4º – Bryan Robson, daInglaterra, que em 1982 marcou contra a França em 27s,
Gol mais rápido do Brasil

Em 1958, na Copa do Mundo da Suécia, quando o Brasil conquistou seu primeiro título mundial, o jogador Vavá abriu o placar na semifinal contra a França logo aos 2 minutos.