Todos os posts de Diogo Cutinhola

Formado em Rádio e Tv, Analista de Redes Sociais, pseudo jornalista, são paulino, apaixonado por esportes, cinema e música (rock n´ roll).

E o Brasileirão 2014 continua melhorando

Quem acompanha o Em Cima da Linha diariamente tem observado minha linha editorial bastante otimista desde a volta da Copa do Mundo. Tenho visto com bons olhos a disputa dentro de campo no campeonato brasileiro, se não tecnicamente perfeito, ao menos temos assistido diversos bons jogos, uma média de público maior dos últimos 4 anos e um campeonato, como é tradição no futebol brasileiro, altamente disputado.

Com certeza todos que lerem esse primeiro parágrafo pensarão, “como equilibrado, se o líder é o mesmo e muito dificilmente perderá o título?”. É verdade que o cruzeiro está muito bem encaminhado para conquistar o bi do brasileirão, mas ainda que eu acredite que é possível o cruzeiro perder esse campeonato, mesmo que não aconteça teremos outras tantas disputas fortíssimas até o fim do ano. É claro que o título sempre foi e sempre será a maior disputa dentro do futebol, mas talvez aí esteja um charme do campeonato de pontos corridos, toda rodada podemos ter uma final, podemos ter uma decisão, e todo jogo se torna essencial.

Se pararmos para analisar a tabela de jogos daqui até dezembro com certeza toda rodada destacaremos um jogo essencial, seja na luta pelo título, pela libertadores, seja um clássico, um jogo com histórico presente forte ou até mesmo pela luta contra o rebaixamento. Com foco nesse equilíbrio, vamos fazer um exercício e dividir a tabela de pontos com cada clube e em que disputa ele se encontrará daqui em diante no Brasileiro.

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Título

Cruzeiro –  claro o maior favorito

Do 2º colocado até o 5º colocado todos ainda tem chance, e dentro da distância de 10 pontos, não seria nada absurdo de ser tirado. Isso se o líder não fosse o Cruzeiro e a sua absurda estabilidade e ótima administração dos pontos que já dura quase 2 anos.

Muito, mas muito difícil que o Cruzeiro deixe que o São Paulo tire 7 pontos de diferença ou mesmo Inter, Corinthians, ou Grêmio.

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Libertadores

Cruzeiro – Óbvio estará presente na próxima edição.

Desde o começo do campeonato São Paulo, Internacional, Corinthians, Grêmio e Fluminense estão se alternando nas primeiras posições após o cruzeiro. Parece que estava estabelecida aí a batalha pela classificação para o torneio sul americano. Mas eis que nas últimas rodadas surgiu um adversário forte que parecia adormecido, o Galo, Atlético Mineiro.

Nesse momento do vice-líder São Paulo até o 9º colocado Santos, temos uma diferença de apenas 9 pontos, o que credenciaria todas essas equipes no bolo a possíveis classificados. Mas pela regularidade sabemos que o próprio Santos, que demitiu técnico e já está pensando em 2015, e o Sport Recife (8º colocado) pela falta de elenco, terão remotíssimas chances de alçar vôos maiores.

Por falar em elenco e justamente regularidade, seria uma grande surpresa que São Paulo, Inter (3º colocado) e Corinthians (4º colocado) não se classificarem também. Porém, vão ter forte concorrência do embalado 5º colocado Grêmio, que tem nesse momento com  Felipão a melhor defesa do campeonato, e do mais embalado ainda Atlético Mineiro que já está em 6º lugar e vem ganhando de todo mundo inclusive do líder e rival cruzeiro. Quem destoa um pouco desse grupo no momento é o Fluminense que caiu para 7º colocado e tem aumentado a distância para o G4

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Meio da tabela e já pensando em 2015

Além do Sport Recife e do Santos, temos mais 3 times que se não fizerem nenhum milagre ou nenhuma queda brusca provavelmente farão apenas figuração no restante desse campeonato brasileiro.

Goiás (10º), Flamengo (11º) e Atlético Paranaense (12º), em breve já deverão estar livres do rebaixamento e com a cabeça pro ano que vem.

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Rebaixamento – A batalha mais dura de todo fim de ano

Que todo ano a luta contra a degola e o Z4 é duríssima não resta dúvida, mas esse ano parece a coisa será ainda maior do que epopéia do ano passado envolvendo Fluminense, Vasco e Lusa.

Do 13º Figueirense ao 20º Palmeiras, todos os 9 times tem chances reais de rebaixamento pois a diferença entre eles é de apenas 4 pontos. É por isso que temos visto essa gangorra imensa de times que entram e saem a cada rodada da zona de queda pra série B.

O Figueirense que há 1 mês atrás estava em ascenção, com uma ótima defesa e uma boa sequencia de bons resultados, dispencou a perder e hoje parece bem provável que esteja na luta para não cair.

Logo abaixo na tabela vem o incrível Vitória que até 2 rodadas atrás era o lanterna e com 2 bons resultados já está em 14º. É o sobe e desce que falávamos.

Em 15º o inconstante Chapecoense que insiste em ter ótimos resultados seguidos de péssimas partidas. Não chega a cair para as últimas posições, mas também não consegue se distanciar da parte baixa da tabela.

Na primeira posição fora do rebaixamento, o bravo e guerreiro Botafogo que mesmo com todos problemas de atraso de salários, e diversos direitos trabalhistas, ainda assim consegue se manter por hora fora das 4 últimas posições. Terá contra si o peso da camisa e as constantes contusões das suas principais estrelas. Além do explosivo Emerson Sheik e suas constantes polêmicas com a CBF e arbitragens.

 

 

 

Brasileirão – 2º Turno ainda promete

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Dia 29 de agosto eu escrevi um texto otimista sobre a minhas boas expectativas com o segundo turno do campeonato brasileiro. É claro que nunca achei que viria um campeonato de primeiro mundo, mas acreditava em boas disputas e sim, alguns ótimos jogos. De lá pra cá se foram 10 dias e uma última rodada de turno muito interessante do Brasileirão.

Nessa rodada que encerrou a primeira metade do campeonato brasileiro nós tivemos diversos bons jogos, uma atuação brilhante do SPFC e um jogaço entre Cruzeiro x Fluminense. Na lista das partidas que agradaram pela técnica e disputa podemos incluir principalmente Figueirense e a virada incrível sobre o Inter e a vitória do Grêmio contra o Flamengo em um maracanã que bateu o recorde de público do campeonato.

Tivemos também um bom jogo do Santos x Vitória em um agradável público no Pacaembu, por falar em público, foi linda a festa da torcida do Furacão na reabertura da Arena após a copa do mundo, jogo esse aliás que foi bastante movimentado e que contou também com a estreia de Dorival Junior no comando do time palmeirense. É verdade que tivemos 0x0 em 2 partidas e dois modorrentos jogos entre Corinthians x Criciuma e Atlético MG x Botafogo, mas na pesagem final da balança foi uma rodada bastante interessante.

Como prospecto para o segundo turno teremos provavelmente ótimas disputas pelas 2 pontas da tabela e quem sabe também pelo título. É verdade que o líder absoluto Cruzeiro deu uma demonstração imensa de força quando empatou com o Flu no Maraca mesmo com os desfalques dos jogadores que estão na seleção, mas no seu encalço vem um SPFC embalado com 6 vitórias em 7 jogos e com um confronto direto domingo em um Morumbi com certeza lotado. Mas ainda assim todos adversários precisariam contar com uma até aqui inexistente oscilação cruzeirense.

A briga pela libertadores deverá continuar do 2 ao 6º lugar, diga-se SPFC, Inter, Corinthians, Fluminense e Grêmio. A briga pelo rebaixamento com certeza será dura, Time do Vitória hoje na situação mais difícil, porém bem perto de Coritiba, Bahia, Criciuma, Palmeiras e Botafogo. Nesse instante parece que serão esses a brigarem contra a degola.

No meio da tabela temos uma lista de equipes que precisarão acertar ou errar muito para terem o que disputar nessa 2ª metade de brasileirão. Santos, Sport, Flamengo, Atletico MG, Atlético PR, Figueirense, Goiás e até Chapecoense parecem ter uma vida mais tranquila nesse momento.

E o que vocês acham? Podemos sonhar com um turno muito bom de Brasileirão? É ser otimista demais?

E quanto a briga pelo título, libertadores e rebaixamento, quem são os favoritos de vocês leitores?

O Brasileirão 2014 parece que acordou!

Hoje dia 27 de agosto, acabamos de completar 40 dias de retorno do campeonato brasileiro pós Copa do Mundo.  E como bem sabemos, é de consenso de todos torcedores de futebol que o sentimento de saudades da bola jogada no torneio de seleções é absurda. Seja pelos esquemas táticos, pela disposição dos jogadores, pelos craques em campo e principalmente pelo nível técnico do futebol apresentado. Mas se por algum momento a gente tinha certeza (com motivos) que esse segundo semestre seria deprimente e duro de assistir os jogos, nessas últimas duas semanas podemos dizer que tivemos algum alento de um pingo de esperança de que esse 2º turno que começará em breve poderá nos reservar grandes emoções.

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Como fazer os bons jogadores do Brasileirão brilharem?

Que nós brasileiros atravessamos uma entre-safra absurda de craques de futebol não nos resta dúvida.  Mas ainda assim estamos com grandes dificuldade de fazer até mesmo com que os bons jogadores, e possíveis craques, rendam o que podem, ou teoricamente poderiam produzir dentro de campo.

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Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique e a extinção do futebol brucutu

Daqui a pouco, ás 15h45, o time do Real Madrid entrará em campo para enfrentar o Sevilha pela final da Supercopa da Europa. Será a primeira partida do time merengue na temporada e a tão aguardada estreia de James Rodrigues e Toni Kroos.

O jogo não marcará apenas a estreia dos dois craques, possivelmente os dois melhores jogadores da última copa do mundo. A final será o enterro definitivo da posição de volante tradicional, contenção, marcação, o famoso brucutu. Continue lendo Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique e a extinção do futebol brucutu

Quem realmente quer a melhora do futebol brasileiro?

Queridos amigos leitores, sabe quando um filme é tão previsível que a gente chega a pensar que é impossível que o final seja tão lógico e ainda assim para nosso espanto no final ele realmente não surpreende nada e cumpre exatamente aquilo que já esperávamos?

Esse é o retrato exato desse quase 1 mês de retorno do futebol brasileiro a copa do mundo.

Tudo de mal que imaginávamos vem acontecendo rodada após rodada. O futebol fraco, a falta de técnica, a falta de novidades táticas, o fraco desempenho ofensivo, uma absurda apatia de técnicos e jogadores e não faltariam adjetivos negativos para descrever esse campeonato brasileiro.

Em consequência disso, não a toa, temos tido péssimos jogos, uma falta de interesse popular absurda pelo campeonato, péssimos públicos e uma queda vertiginosa na audiência da TV. Ou seja, o nocaute que sofremos da Alemanha na copa do mundo transbordou o âmbito seleção brasileira e continuou em nossos campos locais. A decisão atual é unanime: O Futebol Brasileiro foi a Knockout.

O desgaste do produto futebol é tanto que a TV Globo, manda chuva do nosso esporte preferido, foi obrigada a marcar uma reunião urgente com os clubes para uma ação de choque que remende as feridas em nosso campeonatos. Não somos tolos a ponto de não sabermos que a emissora dos Marinhos é uma das principais responsáveis pelo sucateamento do nosso futebol. É ela que determina dias e horários, absurdos, de nosso futebol, é ela que monopolizou a cobertura com transmissões de jogos apenas do eixo RJ-SP, é ela que praticamente centralizou em Corinthians e Flamengo a sua grade esportiva, ela que causou boa parte do desequilíbrio financeiro entre os clubes e por aí vai.

Porém, como é mais sabido do que nunca,  os clubes precisam até as cuecas da TV, mais precisamente da Globo. Os clubes hoje recebem % muito maior da TV do que de bilheterias, do que patrocínios ou mesmo até do que algumas vendas de jogadores. Boa parte dos clubes inclusive já receberam adiantadas as cotas de próximos anos, e muitos deles já até usaram de forma totalmente obscuras essa verba.

Se você leitor parar o texto nesse ponto e refletir chegará a conclusão de que: os campeonatos são ruins, os times tem elencos fracos, os clubes estão sem dinheiro, a TV está sem audiência, os estádios vazios, e nosso futebol chegou a beira do abismo.

Nosso país sempre foi campeão em dar um jeitinho nos problemas, principalmente dentro das 4 linhas. Mas a falência dessa vez é tão forte, que nem mesmo nas peças de chuteiras dentro de campo nós podemos ter um alento. Não temos mais de onde extrair ouro, a mina secou. Não adianta mais esperarmos uma resolução imediata, sensacional, surpreendente ou inovadora. A salvação é simplesmente recomeçar do zero.

Vocês seguidores do em cima da linha devem ter reparado que a quantidade de textos do site deu uma diminuída. Nós pedimos desculpa, sabemos que muita gente quer nos ler, ainda mais nesse momento, mas está bem difícil ter ânimo, pique, disposição e inspiração para falar de futebol nesse país. Muitas vezes falamos mais das contratações dos clubes europeus do que dos próprios resultados do nosso fim de semana de jogos.

É trágico isso!!

Ainda não sabemos o que virá da reunião da Globo com os dirigentes, sabemos como é público há anos, que o interesse da emissora global é o retorno do mata-mata. Eu que sempre fui defensor desse modelo ida e volta mais justo começo a repensar sobre isso visto que o playoff com eliminações talvez estanque por um pouco de tempo a dor de vermos esse futebol medonho que temos jogado.

Agora, para não falarmos que só temos visto desesperança em nosso universo futebolístico, estou cada dia mais feliz com o papel e desempenho do bom senso. Hoje mesmo eles retaliaram o nojento calendário proposto pela CBF para 2015. E não só foram contra como deram justificativas, e muitas, para comprovar porque esse calendário é patético.

Poderia escrever aqui mais algumas horas sobre esse poço de lama do nosso futebol, mas nesse momento o que podemos fazer é cobrar dos nossos jogadores, dos nossos clubes e dirigentes, para que eles acordem e comecem a subir a cobrança de acordo com a pirâmide de poder do nosso futebol.

É isso, ou isso. Não tem mais como empurrar com a barriga. Ou então clubes como Botafogo irão falir de vez e não será o único, virão outros tantos na rabeira.

 

O Abismo entre os clubes na 1ª divisão do Brasileirão

O futebol brasileiro, dentre os principais países do mundo, talvez tenha sido o que mais demorou para aderir definitivamente ao profissionalismo e ao poder do dinheiro.

Até a década de 80 a Televisão ainda tinha muito pouco poder sobre os clubes e os campeonatos, os valores de patrocínios eram quase irrisórios, e praticamente não haviam diferenças estruturais entre os clubes da primeira divisão. Bem por isso se justifica a grande variação de campões que tivemos na extinta Copa Roberto Gomes Pedrosa e também nos 15 primeiros anos do atual formato de campeonato Brasileiro.

De 71 a 85 por exemplo, no campeonato brasileiro tínhamos:

– Internacional e Flamengo com 3 títulos
– Palmeiras com 2 títulos
– Atlético Mineiro, Fluminense, Grêmio, Vasco, Coritiba, Guarani e São Paulo com 1.

Ao todo 10 times campeões.

De lá para cá foram 28 campeonatos brasileiros e:

– 5 títulos do São Paulo e Corinthians
– 3 de Flamengo (sim 87 ele foi o campeão brasileiro) e Vasco
– 2 de Palmeiras, Santos, Cruzeiro e Fluminense
– 1 de Atlético Paranaense, Bahia, Grêmio e Botafogo.

Ou seja, em 15 anos tivemos 10 times campeões e nos 28 anos seguintes apenas 12 times diferentes campeões. Se compararmos com os torneios internacionais é um número excelente, mas se considerarmos no âmbito brasileiro encontraremos gradualmente um sinal de início de monopólio.

Dos 12 times do eixo RJ, SP, MG e RS, Atlético Mineiro não vence brasileirão há 41 anos, Internacional há 35 anos,  Palmeiras 20 anos, Botafogo 19, Grêmio 18, Vasco 14 e Santos 10.

O estado do Rio Grande do Sul nos últimos 30 anos venceu apenas um campeonato brasileiro, Bahia também 1, Minas Gerais apenas 2, Paraná 2, Rio de Janeiro 9 e São Paulo 14. O estado Paulista venceu quase metade dos campeonatos brasileiros desse período.

Isso é sinal claro que a diferença econômica e de infraestrutura dos estados chegou definitivamente no futebol desde então. Hoje por exemplo se colocarmos no papel o poder aquisitivo de clubes como Corinthians e Botafogo, é impossível afirmar que ambos entram com chances iguais em seus campeonatos. É impossível até afirmar que hoje ambos são grandes.

Não analisamos história e sim condições profissionais de competição. No último final de semana os jogadores do Botafogo entraram em campo com uma faixa citando todas as dívidas que o clube tem com seus funcionários atualmente. (Sim jogadores de futebol são funcionários CLT como todos nós).

É absurdo pensar que em um país que Flamengo e Corinthians recebem cotas de TV e patrocínio de camisa a altura de grandes clubes do mundo, nós tenhamos um clube de primeira divisão, da cidade que irá receber as próximas olimpíadas e acabou de sediar a final do copa do mundo, devendo 3 meses de salário para seus jogadores. Isso porque estamos falando do clube que junto com SPFC mais cedeu jogadores para seleção brasileira em copas do mundo.
Imagina se analisarmos os clubes do interior do estado ou mesmo dos demais estados do país.

Aliás, hoje na primeira divisão do futebol brasileiro temos apenas 4 clubes fora das regiões Sul e Sudeste do país. Esse é um exemplo claro do ABISMO que existe no futebol brasileiro e que já chegou com toda força até a primeira divisão do país. Quando nós do Em cima Da Linha cobramos que não seja apenas o técnico da seleção alterado, mas sim toda a estrutura, todos dirigentes que comandam a CBF, é por isso.

O futebol brasileiro passa por um processo de desmoronamento em suas estruturas. Se não tivemos clubes pequeno revelando jogador, não vamos ter seleções brasileiras com novos craques. Apenas as escolinhas dos clubes grandes não são suficientes para apresentarem novos ronaldos, romários, etc.

É por isso que cada dia mais aumentamos o limite de jogadores estrangeiros em nosso país. Pois no final das contas, sai muito mais barato contratarmos jogadores medianos nos países vizinhos do que investir na escola de base. E mesmo que tenhamos uma ótima estrutura, como a do São Paulo em Cotia, se não tivermos mãos de obra qualificada, se não tivermos jogadores sendo revelados fora do eixo, não teremos novas perspectivas.

Ou fortalecemos nosso futebol, ou não voltaremos tão cedo a vencer copa do mundo.

Alemanha, Santa Cruz Cabrália, Podolski e a Copa das Redes Sociais

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Grande constatação inquestionável hoje no mundo do futebol. Alemanha, tetra campeã, com futebol reverenciado, craques aclamados e um carisma que superou todas expectativas e se transformou em um dos maiores shows dessa copa do mundo de forma que o esporte mundial nunca viu. Foi a copa das Redes Sociais.

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As camisas pesadas ainda entortam varal na copa do mundo

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Nessa copa do mundo de 2014 não tivemos nenhuma seleção que tenha se destacado 100% e atropelado todos adversários. Único time que não teve complicações sérias até aqui foi a Colômbia que ainda assim pegou um grupo C bastante fraco e um Uruguai derrubado pelo caso Suárez nas oitavas de final.

Porém, ainda assim vamos avançando as rodadas e o cenário continua o mesmo de outras edições anteriores de copa do mundo. As gigantes estão da mesma forma na disputa pelo título e os pequenos e médios vão caindo um a um ainda que os grandes tenham passado sufocos históricos e tenham contado com uma pitada absurda de sorte nos finais dos jogos.  Continue lendo As camisas pesadas ainda entortam varal na copa do mundo

Entrevistamos a psicóloga esportiva Fernanda Nascimento para entender o caso Luiz Suárez

Como já era esperado o jogador uruguaio Luis Suárez foi suspenso pela FIFA por 9 jogos e 4 meses devido a mordida que deu no jogador Chiellini na última partida uruguaia na primeira fase da copa do mundo contra a Itália.

Como o jogador é reincidente pela 3ª vez e mesmo depois de 2 punições ainda repetiu novamente o ato de violência, todo nos perguntamos o que leva um atleta profissional a repetir o mesmo erro diversas vezes mesmo que seja punido brandamente. Para tentar entender melhor o caso e obter algumas respostas, entrevistamos a psicóloga esportiva Fernanda Nascimento que deu a versão profissional do caso ainda que seja impossível uma avaliação clara e exata sem conhecer pessoalmente o atleta.

Em cima da Linha:  Bom dia Fernanda. Como podemos entender a atitude do Suárez de morder o adversário deliberadamente e pela 3ª vez na carreira? Existe alguma explicação para atos assim em decorrência da competição esportiva?

Fernanda Nascimento: Bom dia Diogo. De modo geral podemos encaixar a atitude de Suárez como uma agressão ao adversário e isso acontece com certa frequência em ambientes esportivos. Podemos atribuir manifestações de agressão nesse contexto a competição uma vez que machucar ou desestabilizar o adversário ‘favorece’ o jogador que pratica esses atos (obviamente se deixarmos certa ética de lado). Podemos aqui pensar os comportamentos indesejáveis que surgem quando colocamos o ‘ganhar a qualquer custo’ como objetivo. Acredito que a mordida chama a atenção, pois não é comum vermos isso em jogos de futebol, mas muitas outras agressões ‘sem sentido’ acontecem o tempo todo no esporte. E podem acontecer por uma intenção real de ferir o adversário ou como uma resposta do jogador sobre a qual ele tem pouco controle, ou seja, uma reação frente a um ambiente muito estressante que o faz perder o controle emocional – lembrando que frente a situações ameaçadoras nosso organismo responde lutando ou fugindo.

Em cima da Linha:  O fato dele já ter sido punido 2 vezes anteriormente e ter repetido o ato prova que há a necessidade de um tratamento psicológico e não apenas a punição esportiva?

Fernanda Nascimento: O fato de ele já ter sido punido duas vezes e ainda sim manter esse comportamento que, aparentemente, afeta sua carreira – e sua imagem – negativamente parece nos mostrar que ele não tem controle sobre isso e nesse caso o trabalho de um psicólogo poderia ajudá-lo. A psicologia aplicada ao esporte procura ajudar o atleta a se conhecer e ter maior controle de si; maior controle sobre seus pensamentos, emoções e comportamentos e a realização desse trabalho, buscando minimizar comportamentos indesejáveis através do autoconhecimento e autocontrole, poderia ser interessante para esse jogador nesse momento.

Em cima da Linha:  Você como psicóloga esportiva já presenciou outros casos semelhantes a esse? E como poderiam agir seleção e clube do atleta na busca de evitar novas ocorrências?

Fernanda Nascimento: Já presenciei casos de atletas que perdiam o controle emocional num momento de maior tensão do jogo ou em jogos mais decisivos e acabavam tendo comportamentos que prejudicam o seu desempenho e o do grupo. Nesses casos é importante identificar os comportamentos que atrapalham, discutir isso com o atleta e com o grupo (ás vezes eles não identificam o quanto comportamentos agressivos os prejudicam) e entender junto a eles o que tem levado esses comportamentos a acontecerem tanto em relação ao ambiente exterior quanto ao interior (emoções, pensamentos, etc.). Assim identificamos quando e porque os comportamentos indesejáveis acontecem e então podemos trabalhar para mudar as variáveis que fazem com que ele se manifeste. Com essa investigação criamos um plano de ação, mas o autocontrole que o atleta deve desenvolver para mudar tudo isso é um treinamento constante, em termos tanto emocionais quanto comportamentais.

Em cima da Linha:  A pressão e o stress que são submetidos os atletas tanto pela competição como pelas cobranças externas podem gerar atos extremos de violência e de ausência de controle emocional?

Fernanda Nascimento: Com certeza a pressão e o stress pode tornar a violência mais provável justamente pela dificuldade de se manter o controle emocional nessas situações. Mesmo no futebol de fim de semana podemos notar que as agressões (físicas ou verbais) aparecem em momentos mais ‘tensos’ do jogo; mesmo considerando que a pressão ali é quase inexistente. E todos nós já vivenciamos momentos de stress, no esporte ou fora dele, onde fomos ‘agressivos’ mesmo sem necessidade e sem tirar nenhuma vantagem disso. Como disse anteriormente em situações de ameaça (e perder na copa do mundo é uma ameaça bem grande) nosso organismo responde lutando ou fugindo e, portanto, ficar mais inclinado a agir de forma agressiva nessas situações é natural. Mas nós temos escolha. Não é sempre que ficamos irritados que precisamos gritar com as pessoas que estão por perto, ou seja, aprendemos ao longo da vida a entender e a controlar o que se passa dentro de nós e não reagir impulsivamente de acordo com o que estamos sentindo. Esse desenvolvimento de autocontrole é que pode impedir que atos violentos aconteçam mesmo em momentos de muita pressão e stress.

Em cima da Linha:  Esse ato repetitivo do jogador possibilita detectarmos algum trauma ou influência da infância do jogador por exemplo?

Fernanda Nascimento: É muito difícil detectar algo apenas por esse ato, mesmo ele tendo se repetido algumas vezes. Com certeza esse comportamento do jogador pode ter relação com alguma influência da infância porque aprendemos muitas das nossas formas de agir e encarar as situações quando somos pequenos, mas a dimensão dessa influência é difícil discernir. Ele pode ter aprendido quando criança que se deve ‘ganhar a qualquer custo’ (como muitos de nós aprendemos também no esporte e na vida) e se comportar assim até hoje, ou pode ter aprendido ainda pequeno a valorizar tanto a seleção de seu país que se descontrolou quando pensou que ela poderia ser eliminada, ou nada disso, é difícil dizer. Mas de qualquer maneira pensamentos, emoções e comportamentos que se manifestam hoje provavelmente trazem aprendizados da infância.

Para contatar a Doutora Fernanda Nascimento acesse: http://www.fernandanascimento.com.br/

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