Todos os posts de Bernardo Marchesini

Bernardo Marchesini, 30 anos, é advogado e peladeiro. Manezinho de nascimento, joinvilense de criação, é, antes de tudo, Catarinense. Apaixonado por futebol, daqueles que ouviu a final da série A2 do Paulista pelo rádio, acha que quem acredita que o importante é competir já é um perdedor e mesmo fã do futebol arte consegue ver beleza numa retranca bem montada.

O Buraco Negro e o vácuo

Como bem disse o Fernando em post anterior, mas com outras palavras, o futebol brasileiro caiu em um buraco negro. Aliás, tentarei aqui não repetir muito o que já foi dito, mas com certeza esbarrarei em muitos conceitos já esposados.

Não trarei explicações para a derrota, são tantas e tudo já foi tão dito que não ajudaria em nada. Escolhi um tema para falar, e é quiçá o mais óbvio. A falta de treinadores bons no Brasil.

Falar dos erros do Felipão seria chutar cachorro morto, todos sabem seus erros. Mas o que me preocupa mais é o: e agora? Felipão cai, ok, mas quem entra?

Eu sou mais um adepto a trazer um técnico de fora

Nem só de amor se vive

Perder é ruim, claro, é muito ruim, mas não é o pior que pode acontecer. Faz parte do esporte, quem gosta e acompanha tem que saber que uma hora vai perder.

Mas o que aconteceu com o meu amado Vasco foi pior. Pois com a volta do Eurico, não perdeu só o clube, perdeu o futebol brasileiro. Perderam todos que gostam desse esporte e que queriam que evoluíssemos.

Inocência pensar que o Eurico fará mal só ao Vasco. Aliás, o provável que o Vasco volte a vencer, diria que em no máximo 3 anos ganhará um Carioca. Mas a que preço?

Bom eu digo por mim, para mim deu. Ver o Vasco cair duas vezes doeu, bastante, eu diria. Ver o principal ídolo como jogador do clube fazer o que o Roberto Dinamite fez, muito mais. Aliás, Roberto também se mostrou, além de fraco, covarde, um administrador bem “confuso”, para não acusá-lo de crime algum. Foi o pior essa é a verdade.

E quando eu achava que tínhamos chegado ao fundo do poço, a volta do Eurico foi a gota d’água para eu largar de mão.

“O Sentimento não pode parar!” O sentimento não para mesmo, mas nenhuma relação vive só de amor, e só de um lado. Perder faz parte, ser diuturnamente vilipendiado não. Se os sócios entenderam por bem o retorno de Eurico, eu que tenho que me afastar.

Foi fácil me afastar da seleção, será também do Vasco. Em certos momentos temos que escolher o que é mais importante, ganhar a qualquer custo, para mim, nunca será.

Quando o bom jogador vira ídolo!

Brasil está na semi. Que bom! Neymar está fora da Copa. Perda irreparável. Muitos posts poderiam e serão escritos sobre o jogo.

Mas de tudo que aconteceu, uma cena me chamou a atenção. Um momento merece muito destaque. O momento da foto acima.

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O Estranho Ostracismo do sucesso

A seleção belga é cheia de talentos. Jogadores que tiveram excelentes temporadas na Europa, seja a última ou ainda a anterior. Ora, qual o resultado óbvio disso; criou-se, principalmente entre os jovens, uma expectativa muito grande em torno da sua participação na Copa.

Todos queriam ver Hazard, Lukaku, De Bruyne e até Courtois arrebentando no Brasil. E por isso, os “velhos de guerra” de Copa do Mundo taxaram a Bélgica de time de modinha. E decretaram o seu fracasso retumbante.

É impressionante como as pessoas adoram vaticinar o fracasso. Como se sentem confortáveis em afirmar qual será a decepção da Copa, que jogador “amarelará”. E o pior, têm um prazer sádico em dizer “eu avisei, viu como essa seleção aí ‘pipoca’; como esse jogador só se olha no telão”. Não consigo entender tal prazer.

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A Esquizofrenia Uruguaia

Suárez mordeu Chiellini! Não se discute isso. As imagens são claras.

No entanto, os uruguaios, ao se negarem em ver o óbvio, conseguem partir de seleção mais querida por todos, para a seleção mais odiosa por muitos. E não pela mordida do seu melhor jogador, mas pela reação de todos em face da provável e necessária punição.

Para dar uma ideia do que os nossos vizinhos têm vociferado, separei algumas declarações. Segundo jornal uruguaio a mordida teria sido “photoshopada”; para Lugano, não houve mordida, a imprensa mundial se virou contra o Uruguai; Tabarez, o técnico, afirmou tratar-se de um campeonato de futebol que não poderia ser substituído por moralidade barata; Luiz Suárez teve o despeito de mandar uma carta a Fifa e dizer que não mordeu o jogador italiano.

Sim, não foi o ato em si que espanta, são tais declarações, são essas distorções da realidade que impedem, qualquer ser humano em sã consciência de defender tais atitudes.

O caso ultrapassou as barreiras do futebol e foi lido na ESPN Brasil hoje pela manhã, declaração do presidente do Uruguai, o muito elogiado José Mujica, que teria dito, em outras palavras, que caso Suárez seja punido pela imagem da televisão, então muitos pênaltis teriam que ser dados, que o futebol não pode ter esse tipo de influência. Continuou dizendo que não queria Suárez para filósofo, mas era um grande jogador de futebol.

Não é novidade um chefe de Estado abrir a boca para falar de futebol e proferir bobagens. E não creio nem que tais declarações mereçam resposta. Essa discussão foi encerrada em 1994 já, com Tassotti.

De novo, não devemos nem entrar no mérito do tamanho da punição, deva ela ser de 2, 4, 6 ou 1 jogo, o fato é que em um lance fora da disputa da bola, um jogador foi por trás de outro e o mordeu. Simples assim.

Seja ele uruguaio, brasileiro, ganês ou espanhol, tem que ser punido, é contra as regras do jogo, é conduta tipificada e que merece uma sanção disciplinar.

Essa tentativa de criar guerra contra o mundo, todos contra nós, para assim unir o grupo, é velha, e não funciona. Ganha campeonato time que joga bem, isso sim ganha título. Ganha sim uma antipatia tremenda. É patético, é ridículo e quem faz tal coisa não merece respeito futebolístico.

Não se pode confundir garra com mordida. Desculpem-me, uma coisa não tem nada a ver com a outra. E caro Lugano, se falamos mais da mordida do que da vitória do Uruguai, culpe seu colega de time, não os espectadores, torcedores e o jornalista que lhe fez a pergunta na coletiva. A comparação também com outros lances é uma tentativa infeliz e desesperada de distorcer a realidade.

Uma pena, até ontem, torcia muito para a celeste ir longe, mas não dá, com ou sem Suárez, a Colômbia tem que vencer.

 

Saldão do C e, “há uma Colômbia no meio do caminho”.

Como eu disse antes da Copa, o grupo C foi, seguramente, um dos grupos mais disputados dessa primeira fase.

O Japão foi frágil em todos os sentidos. A seleção japonesa não mereceu em momento algum ir além.  Até começou ganhando o seu primeiro jogo, mas nada que pudesse animar.

Por outro lado, tivemos mais do mesmo. Costa do Marfim decepcionou. Menos pela não classificação, mais pelo futebol (não) apresentado. E a Grécia, ah a Grécia… Confesso que não é um futebol que me encha os olhos, mas é impressionante a consciência desse time.

Se algum dia a Grécia tiver uns 4 jogadores muito bons, não sei não. Foram surrados pela Colômbia, não fizeram nada contra o Japão, mas a partir do momento que precisavam apenas vencer da Costa do Marfim, jogaram em cima a partida inteira e mereceram a classificação.

Esse é o resumo do que foi o Grupo C. Mas ele foi muito mais, aliás, a Colômbia foi muito mais.

Fernando já disse isso em seu post mais recente e eu concordo, a Colômbia é a seleção que apresentou até agora o melhor futebol dessa Copa. E o argumento da fragilidade dos adversários não cabe.

Não creio que a Colômbia seja campeã, na verdade imagino que ela pare nas quartas-de-final, se ela passar do Uruguai, é claro. Mas o futebol mais divertido de se ver, rápido, habilidoso e ofensivo, sem dúvida nenhuma é o colombiano.

Cuadrado (foto do post), James Rodríguez (já citei aqui duas vezes), Quintero e mais a frente, especialmente, Jackson Rodriguez, têm nos dado motivos ainda maiores de ficarmos na frente da tv nos jogos colombianos.

Antes da Copa começar, escrevi que a Colômbia não passava das oitavas, e ainda hoje, depois de tudo que o time vem jogando, não vejo ela como favorita contra o Uruguai. Mas tem time, e pode sim, passar.

E aí, Chile e Brasil já sabem, se não se cuidarem, terão uma Colômbia pelo caminho. E pelo que está jogando, é uma pedra grande demais no sapato de qualquer um dos dois.

 

 

A uma rodada do fim, e agora?

O jogo de ontem que prometia ser o melhor do grupo, não decepcionou. Costa do Marfim e Colômbia apresentaram um ótimo espetáculo, ambas tendo chances até o final da partida.

O meio campo colombiano é de alto nível, e Quintero que veio do banco foi decisivo para a vitória sulamericana. Apesar de James Rodríguez ter feito outra partidaça, Cuadrado foi o melhor em campo, trucidando Boka do começo ao fim da partida.

Há que se destacar também o gol de Gervinho que, por enquanto, está entre os 5 mais bonitos dessa Copa, mesmo com descontos da mão de alface do goleirão.

A Costa do Marfim apresentou, o que para mim é o grande problema das seleções africanas: falta de sentimento de grupo. Sem querer me aprofundar muito no tema, essas lendas históricas de futebol irresponsável, de falta de consciência tática, não podem mais ser consideradas. Tanto técnicos quanto jogadores atuam na Europa, e são, em sua grande maioria, obedientes taticamente.

Agora, são nítidas as desavenças, os “subgrupos” que existem nas seleções. Os camaroneses mesmo chegaram ao ponto de trocarem carinhos no final do jogo contra a Croácia.

Ontem, Drogba e Yaya Touré discutiram em todos os lances que estavam juntos, reclamando um do outro. Desse jeito fica difícil.

Do jogo entre Japão e Grécia pouco a dizer, se não foi horrível, para jogo bom também não serve. De destaque só o nome do jogador grego Jose Cholevas… No meio de Katsouranis, Sokratis, Samaras, um Jose Cholevas é, no mínimo, engraçado.

Com os resultados de ontem, o grupo tem:

Colômbia com 6 pontos; Costa do Marfim com 3; Japão e Grécia com 1 ponto cada. A seleção sulamericana já está classificada, bastando um empate com o Japão na última rodada para ficar em primeiro do grupo. Costa do Marfim também com um empate deve classificar, só uma goleada japonesa tiraria sua vaga.

Mas nem só de alegria vive a Copa do Mundo. O problema da Costa do Marfim agora é outro. Com o falecimento de seu irmão mais novo, Yaya Touré e Kolo Touré devem voltar ainda hoje para o país. E aí, qual será a reação da equipe sem seu melhor jogador?