Atlético-MG: o menos com menos que virou mais

Todos devem lembrar daquela manjada regra matemática: menos com menos é igual a mais, porém na última quarta-feira, o Atlético-MG provou que isso também pode se aplicar ao futebol, pois com um time repleto de jogadores, que quando chegaram muita gente torcia o nariz, assim como um técnico desacreditado em decisões, o time superou até a descrença de que não conseguiria reverter a desvantagem e consagrou-se campeão da américa de 2013.

Olhando o time titular por exemplo:

Victor quando saiu do Grêmio, para muitos não deixou saudade, pois era um goleiro considerado inseguro e que “amarelava” em horas decisivas… foi decisivo nas quartas, semi e final.

Leonardo Silva foi dispensado do Palmeiras, viveu boa fase no Cruzeiro e saiu quando diziam que ele já estava decadente, no entanto foi seguro na defesa e ainda marcou o gol decisivo na final.

Richarlyson quando saiu do São Paulo a torcida agradeceu, tanto pela pegação de pé pela sua suposta opção sexual(babaquice, diga-se de passagem), como pelo seu destempero e má fase. Apesar de não ter jogado a partida final, justamente por ter sido expulso, foi peça fundamental no time. Júnior César, que entrou em seu lugar foi outro que por onde passou não deixou saudade, porém quando entrou e até na final, não comprometeu.

Pierre que foi dos destaques do time, saiu do Palmeiras por não ser aproveitado pelo Felipão na época.

Diego Tardelli tornou-se ídolo no Galo e voltou com status de tal, porém quando chegou, era considerado uma aposta arriscada, pelas passagens pífias no São Paulo e Flamengo. Jogou muito e foi destaque junto com seus 3 companheiros de ataque

Jô chegou dispensado por indisciplina do Internacional e foi considerado uma contratação extremamente duvidosa, pois imaginava-se que ele traria os mesmo problemas ao Atlético. Ao contrário do que todo mundo esperava, ele renasceu para o futebol, chegou a seleção e ainda foi artilheiro da Libertadores com 6 gols.

Ronaldinho Gaúcho é sem dúvida o símbolo dos renegados citados, quando contratado, até a torcida do Galo se dividiu, pois muitos achavam um investimento alto demais e com poucas chances de dar certo, até pelos últimos anos, porém o que se viu foi um Ronaldinho que liderou esse time e apesar de ter sido bem discreto nas finais, ainda sim teve papel de destaque nessa conquista.

creio que desse time, apenas o Rever e Josué(jogou no lugar do Pierre) chegaram como reforços que outros times gostariam de contar(não incluo o Bernard nessa lista por ele ser cria da base).

Talvez a explicação de um time com tantos “menos” ter virado mais seja justamente seu técnico, pois o Cuca tinha na testa o rótulo de “fracassado” e azarado, tantas foram as vezes que ele bateu na trave na hora de ganhar um título de expressão e perder seja por destempero seu que acabava por abalar o time, seja por alguma ironia do destino(como quando perdeu para o Once Caldas em 2004 com um time claramente superior), sendo dentre todos o mais “menos” da lista.

Sempre apreciei o trabalho dele como técnico, mas como muitos, não gostaria dele no time por saber que no final ele daria um jeito de perder o título, rótulo esse que perseguia seus bons trabalhos até ontem.

Ele sem dúvida foi a peça-chave dessa conquista, pois mostrou aos jogadores (e certamente os contagiou com isso) que era hora de aquele grupo com aquele técnico e em um time que vinha sendo considerado apenas um grande pela tradição e nem tanto por impor respeito, que eles eram um grupo que poderia mostrar não só ao Brasil, como a américa, que tinham condições de renascer para o futebol e voltarem ao papel de protagonistas. No ano passado já haviam se tornado um time a ser respeitado, com um vice-campeonato brasileiro tendo um futebol vistoso e para muitos o melhor do país.

Chegou com rótulo de favorito na Libertadores e depois de 5 vitórias e somente uma derrota na primeira fase(em um jogo contra o São Paulo que perdeu pelo salto alto), foi para a segunda fase com a melhor campanha entre os 16 classificados.

Despachou o São Paulo nas oitavas vencendo fora de casa e goleando em casa.

Superou o Tijuana com 2 empates (2 a 2 fora e 1 a 1 em casa), no primeiro milagre do Victor(a defesa com o pé aos 47 do segundo tempo no pênalti que poderia dar a classificação ao Tijuana).

Passaram pelo Newell’s Old Boys depois de reverterem em casa um placar adverso de 2 a 0(que muitos consideravam irreversível) com um gol nos acréscimos do Guilherme e o segundo milagre do Victor(Defesa do último pênalti, batido pelo capitão Maxi Rodriguéz).

Finalmente na final, depois de perderem por 2 a 0 fora e novamente chegarem desacreditados no jogo da volta, fizeram 2 a 0 em casa, com um gol aos 42 do segundo, levando o jogo para a prorrogação e posteriormente pênaltis onde o Victor realizou seu terceiro milagre(defendendo o primeiro pênalti batido pelo Olímpia, mesmo se adiantando um pouco).

Um time que renasce, jogadores que dão a volta por cima e um técnico que finalmente se consagra como um dos grandes do país. Possivelmente das maiores histórias de renascimento dos últimos tempos do futebol.

Parabéns ao Atlético-MG que agora é o dono da América e volta a cantar alto como uma potência nacional!

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