Alemanha, Santa Cruz Cabrália, Podolski e a Copa das Redes Sociais

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Grande constatação inquestionável hoje no mundo do futebol. Alemanha, tetra campeã, com futebol reverenciado, craques aclamados e um carisma que superou todas expectativas e se transformou em um dos maiores shows dessa copa do mundo de forma que o esporte mundial nunca viu. Foi a copa das Redes Sociais.

Uma das principais notícias e temas de editoriais hoje no jornalismo argentino se referia a reclamações e até ofensas em relação a torcida brasileira que foi imensamente favorável aos alemães na grande final, não só no estádio, como nas redes sociais e até mesmo nos veículos de imprensa brasileira. A grande incompreensão dos nossos hermanos era quanto ao país local torcer a favor do time que o eliminou e ainda por cima de forma humilhante por 7×1.

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Se fossemos levar apenas pelo natural, era óbvio que a rivalidade Brasil x Argentina impediria que a massa brasileira torcesse pelos seus maiores rivais, só por isso já causaria estranheza essa revolta e carência dos argentinos. Mas essa copa de 2014 ganhou um outro fator que foi predominante nessa escolha da torcida do país sede na grande final. Nunca na história de todos os grandes eventos esportivos do mundo uma seleção teve um trabalho de marketing tão bem feito quanto a seleção alemã nessa copa 2014.

O que era no início um processo lógico de adaptação e de carinho com os torcedores locais, se transformou ao passar dos dias do torneio numa relação de amor e afinidade que raramente tenha existido entre estrangeiros e país sede de qualquer evento mundial.

Os sempre tão estigmatizados “frios” alemães se encantaram com o calor e a receptividade do povo brasileiro e devolveram esse afeto de forma brilhante entre danças com índios, cantos e hinos de times nacionais, visitas a museus de clubes, elogios a grandes ídolos e uma troca de relações sensacionais nas redes sociais. Com certeza nenhum marqueteiro alemão imaginaria que ao passar dos 40 dias de estadia de sua seleção em terras brasileiras eles iriam embora com o título e com uma legião de aficionados e encantados torcedores brasileiros.

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Germany's national soccer players Oezil and Podolski pose with a member of a group of a group of native Brazilians after a training session in the village Santo Andre

 

 

 

 

 

Quem algum dia imaginou Manuel Neuer e Bastien schweinsteiger cantando hino do Esporte Clube Bahia, ou mesmo os dois dançando Lepo Lepo na praia, e o maior artilheiro das copas Miroslav Klose dançando cânticos indígenas, e quem um dia imaginou que uma das grandes estrelas da copa seria um reserva da Alemanha que praticamente não jogou? Lucas Podolski foi o “show” desta copa pelas redes sociais.

Cada dia era uma postagem diferente sempre relacionada a algum tema do cotidiano brasileiro, sempre com termos e gírias usadas pelos jovens, curtiu novela, curtiu música, curtiu tudo que viu pela frente. Há quem diga que foi tudo planejado, e eu te digo com toda experiência de quem trabalha na área de redes sociais há 5 anos. Ele nunca imaginou que conseguiria um alcance de tamanha magnitude.  Se tinha a intenção de agradar o torcedor local, eu garanto pra vocês que quem se encantou foi ele pelos brasileiros.

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Junte-se essa relação de amizade criada diariamente pelos atletas, com o fato da confederação alemã ter construído um centro de treinamento que será inteiramente doado a cidade de Santa Cruz Cabrália na Bahia, junte-se ao fato de que a confederação alemã doou 30.000 reais a cidade e junte-se também ao fato de que todos funcionários que cuidaram da infra-estritura eram brasileiros e aí sim nós teremos a explicação do motivo de que a torcida brasileira ignorou os 7×1 e a eliminação e foi esmagadoramente a favor dos alemães na final.

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Podemos dizer que a Estadia Alemã se transformou em um case para todos projetos esportivos de marketing para grandes eventos. O que não garantirá nunca o mesmo sucesso, pois como eu disse anteriormente nunca nem os próprios alemães imaginariam que conseguiriam essa sinergia de forma tão brilhante com os brasileiros.

Parabéns aos tetra campeões, parabéns aos jogadores e seres humanos que estiveram aqui no Brasil, como já dissemos em outros textos aqui no Em Cima da Linha, campeões dentro e fora de campo.

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