A Vitória na Derrota

Obrigado! É tudo que penso ao lembrar da noite de ontem. Sim da minha ida ao Pacaembu para ver mais uma derrota vascaína (não que o Vasco perca muito, mas comigo no estádio esse resultado tem se repetido).

Você que está me lendo já foi ou é uma criança, um adolescente. Você já teve ídolos, no futebol, na vida, na música, aquele cara ou aquela mulher que fazia algo que o inebriava.

Na verdade todos tivemos muitos, e teremos sempre, mas com menor intensidade que nos nossos tenros anos. Quando a maior preocupação é a prova de matemática e o maior desafio, beijar aquela garota. Está certo vai, beijar aquela garota ainda é o maior desafio, mas isso fica para outra ocasião.

Eu tive muitos, e no esporte, no futebol um dos maiores foi Juninho Pernambucano. No começo só Juninho; para sempre nosso Reizinho!

Juninho que em 97 foi coadjuvante de Edmundo, que em 98 foi um dos maiores jogadores daquela Libertadores, Juninho que em 2000 quando o Vasco virou aquele jogo contra o Palmeiras e sagrou-se Campeão da Copa Mercosul fez uma das comemorações mais emocionantes que já vi.

Bateu contra o peito, virou-se à torcida como quem diz “podemos perder, mas vamos morrer lutando” E ganhamos…

Juninho se foi e disse que com aquelas pessoas, leia-se Eurico Miranda, ele não voltava ao Vasco, e diferente que, é cumpriu o que disse.

Em 2006 ele prometeu, talvez de brincadeira a dois torcedores que voltaria, e muito diferente que é, cumpriu o que disse.

Quantas janelas de transferências se passaram, promessas de dirigentes e nada…a ida para o Catar foi um golpe duro. Vê-lo indo para tão longe deu a sensação de que ele nunca mais voltaria.

Eurico foi embora, o tempo passou, nós crescemos, Juninho se consagrou. Nós torcedores, fãs, órfãos de Juninho e de seu amor sabíamos que ele voltaria. No fundo tínhamos a certeza de que ele conhecia o caminho de volta.

O dia chegou, Juninho voltou…Desde o momento que ele disse que viria o coração do vascaíno parou. Era muito bom para ser verdade. O Vasco tem disso, Ademir de Menezes, Roberto Dinamite, Edmundo, Romário e Juninho, seus 5 maiores craques foram mas voltaram. É, a casa deve ser mesmo muito boa.

Dia 6/7/2011, o dia da reestreia, o dia de celebrar a volta da monarquia à Colina. Sim, temos um Rei, um Reizinho, na acepção mais carinhosa da palavra. E ele voltou ao seu reino, seus súditos já não podiam mais esperar.

A tarefa era difícil, o líder em sua casa; mas o que isso importa? Nada é demais para um Rei. Confesso que fui só para vê-lo jogar, queria poder dizer aos meus filhos que um dia virão, que tinha visto Juninho jogar.

Ver um gol seu então, e de falta, não, eu não merecia tanto. Lembro como se fosse hoje aquele 22 de Julho de 1998, o jogo praticamente perdido, a gente querendo pelo menos segurar a derrota mínima até os pênaltis quando veio aquela cobrança perfeita.

Mas isso é memória, fomos ao jogo, não me importei de ir na cadeira laranja, no meio do bando de loucos, até porque louco eu também sou, uma loucura diferente é verdade.

Noite fria, o Vasco sobe em campo com camisas pretas e calções brancos com ele na frente. Ricardo Gomes tinha dito que Fernando Prass seria o capitão, mas no fundo a gente já sabia que esse lugar já tinha dono.

Começa o jogo e ele termina com apenas dois minutos. O jogo não foi no Engenhão, não acabou a luz. Não caiu o alambrado, nada disso aconteceu, mas para mim o jogo acabou, minha missão estava cumprida!

Diego Souza sofre falta na intermediária eu viro para o lado e falo, “olha lá, presta atenção”. Não, eu não sou vidente, nem achava que a bola pudesse entrar. Ah mas eu queria, como eu queria que aquela bola entrasse.

O Reizinho partiu para a bola, bateu com a precisão de sempre, ela quicou, passou por Júlio César e estufou a rede corinthiana.

Gol! Gol do Juninho! Gol de falta do Juninho!

Nada de comemoração, estava no meio da torcida adversária. Me contive e comemorei em pensamento, não; comemorei em sonho.

Pois é naquele momento realizei um sonho. O Corinthians virou a partida, o Vasco quase empatou no final, enfim, um grande jogo entre líder e campeão da Copa do Brasil, mas eu não queria mais nada, eu nem precisava acordar daquele sonho.

Eu só queria chegar em casa por a cabeça no travesseiro e lembrar, eu vi um gol de falta de Juninho ao vivo, eu vi um gol de falta do Juninho ao vivo.

E foi o que aconteceu, demorei a dormir, quando o sono vinha, trazia a lembrança daquela bola passando pelo goleiro e entrando. Não é comum, é até muito raro, mas ontem eu senti uma vitória na derrota.

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