A não-renovação dos treinadores brasileiros

Estava eu aqui pensando sobre o que ia escrever para o Em Cima da Linha, já que falar sobre a vitória do Corinthians em cima do freguês é chutar bêbado em ladeira, e me deparei com uma postagem muito interessante do blog do Juca Kfouri. No texto, o jornalista observou que cinco times (São Paulo, Flamengo, Grêmio, Internacional e Atlético-MG) têm os mesmo treinadores que tinham em 1995, ou seja, há 19 anos (respectivamente: Muricy Ramalho, Vandeleri -à época, Wanderley – Luxembrugo, Luiz Felipe Scolari, Abel Braga e Levir Culpi).

Podemos analisar este fato sob várias formas diferentes, mas para mim, sinceramente, é o maior símbolo do atraso de nosso futebol. Não seria exagero que estamos 20 anos atrasados taticamente.

Não formamos jogadores em quantidades enormes como era antigamente, mas também não formamos dirigentes e nem treinadores. Quem é o grande técnico que surgiu na última década… Vão dizer do Tite, mas cá entre nós, ele não apresenta nenhuma revolução ou sistema diferenciado. Fora ele, que ganhou alguns títulos (sempre com uma retranquinha de dar desgosto), não temos nenhum grande nome novo ou em vias de crescer. E grande parte da culpa é de nós, torcedores.

Sim, a culpa é nossa. Porque toda vez que aplaudimos um título conquistado com muita entrega e pouco futebol, a culpa é nossa. Toda vez que pressionamos um técnico jovem por resultados imediatos, estamos incentivando essa geração antiga a permanecer nos grandes clubes. Claro que não devemos aposentar todos os treinadores porque estão no mercado há muito tempo. Mas é preciso surgir alguma revelação nesta área.

Adilson Batista, Vagner Mancini, Marcelo Oliveira entre outros tentam conseguir espaço nos grandes clubes, mas a desconfiança que acompanha o trabalho deles é desproporcional. Ou algum de vocês, quando comecei o texto, lembrou na hora do Marcelo Oliveira, atual campeão nacional e dono de bons trabalhos recentemente e pensou: Ele é um baita técnico? Alguém valorizou os bons trabalhos feitos pelo Ney Franco antes das infelizes passagens dele por São Paulo e Flamengo? Duas temporadas ruins dele e dizem que ele não presta, mas há quanto tempo o Luxemburgo não consegue um trabalho digno de aplausos?

Aqui admiramos o Manchester por manter um técnico por quase 30 anos, mas não damos dois, três anos para algum jovem trabalhar. Três derrotas seguidas e já começam a aparecer as sombras: Se for no RJ, por exemplo, Renato Gaúcho e Joel Santana sempre são solução. Em São Paulo, o Luxa, recentemente o Tite e o Muricy são apostas certas; no sul o nome do Celso Roth sempre surge com força; e por aí vai.

Está na hora de nós, torcedores, darmos tempo e estrutura para que novos profissionais desta área possam surgir, para que não corramos o risco do técnico da seleção em 2022 ser o Luxemburgo e em 2026 o Emerson Leão…

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