A Globalização do Futebol Brasileiro

Estamos em tempo de retorno no futebol europeu. As longas férias dos campeonatos chegaram ao fim. Teremos novamente na internet, na TV e desde o ano passado também no rádio, notícias, informações, comentários, gols e transmissão dos principais jogos e finais. A palavra globalização que é tão dita no mundo da economia e da política pode ser vista também no universo do futebol. Mais do que nunca temos campeonatos internacionais transmitidos para o mundo todo, e claro, os europeus que contam com mais dinheiro e as principais grandes estrelas do futebol mundial são a vitrine do mundo da bola.

Não é a toa que os grandes clubes excursionam mundo afora durante a pré- temporada, e temos como maior exemplo a atenção dada ao mundo oriental, principalmente a China, que hoje é um dos grandes injetores de dinheiro na compra de direitos de transmissão e de vendas de camisa. Como outro exemplo, temos a final da Copa da Itália entre Milan e Inter de Milão que foi disputada no país chinês semana passada. Nos últimos dias tivemos rolando pela imprensa brasileira a informação que o Corinthians teria interesse em um jogador chinês. É claro que a primeira reação de todos é a dúvida e principalmente a crítica. Como sabemos que o futebol da China não é lá dos mais tradicionais, a maior explicação seria a questão de marketing mercadológico. Muitos têm como primeira reação achar absurdo a colocação do futebol em 2º plano em decorrência do financeiro. Eu pessoalmente acho super válido e fantástica a atitude.

Na NBA temos o pivô Yao Ming como a maior escolha dos All Stars games há anos. Não que seja um jogador de baixa qualidade, mas é claro que é a torcida de seu país que aproveita a eleição popular pela internet e o elege graças a sua imensa população bilionária. Não só o gigante chinês foi bem aproveitado pelo maior basquete do mundo. Anualmente o número de jogadores europeus vem crescendo gradualmente, nos quais, muitos se tornam parte das grandes estrelas da liga, como por exemplo, o ala/pivô  alemão Dirk Nowitski, campeão e eleito MVP das finais da última temporada. A maior prova de que em um mundo movido pelo dinheiro e pelo marketing, o esporte não pode ficar de fora, é que a própria NBA e também a NFL, liga de futebol americano, realizaram jogos oficiais de suas temporadas fora dos Estados Unidos.

Voltando ao assunto Brasil e especificamente Corinthians e jogador chinês, não seria demérito nenhum o Corinthians investir no mundo asiático, assim como vez ou outra os demais clubes deveriam pensar nisso. A injeção de capital no nosso futebol nos beneficiará de diversas formas, inclusive no retorno e permanência de grandes craques, o que nos seria altamente positivo.Essa presença dos grandes craques é importantíssima e imprescindível até para a sobrevivência do nosso futebol. Mais do que nunca vemos garotos e garotas com camisas de clubes europeus nas ruas, isso é legal visto que a paixão pelo futebol continua, mas é preocupante quando começamos a agir como países de menor expressão que as crianças e adolescentes já nascem torcendo por times estrangeiros e deixam de lado o futebol local.

Esse crescimento no Brasil da paixão por clubes estrangeiros fez com que a Globo readquirisse os direitos de transmissão da Champions League desde 2009. Além disso, comprou os direitos da próxima Eurocopa. Uma bela ação implantada pelo canal Esporte Interativo! e a rede de cinemas Cinemark é a transmissão em HD de jogos de futebol nas telonas. Hoje por exemplo, temos a transmissão do 1º jogo da Supercopa da Espanha entre Real Madrid e Barcelona, um jogo que dispensa comentários e com certeza terá ótima repercussão de bilheteria.

Apesar de apaixonado por futebol e entusiasta com a internacionalização dos nossos campeonatos, acredito que tudo isso no aspecto mercadológico deve ser usado para o crescimento dos nossos clubes, dos nossos estádios, dos nossos campeonatos em geral. Precisamos aprender muito com americanos e europeus no quesito “Evento”, mas o principal nós ainda temos que é a paixão por esse esporte. Precisamos de dirigentes mais dignos, de pessoas mais capacitadas e abrir horizontes. Tradição deve ser respeitada, mas a modernidade também. Lutamos por um futebol melhor e o caminho é sim o marketing e a inovação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2 ideias sobre “A Globalização do Futebol Brasileiro”

  1. uma coisa é fato: nem dá pra comparar o yao ming, que de fato mostrou ter muita qualidade, com um jogador chinês, que não serviria nem como opção de segundo tempo…
    acho que atrair a atenção assim é válido, mas passar por cima da questão técnica pra aparecer já tenho minhas dúvidas se é uma boa

  2. Excelente explanação Diogo!
    Fico na dúvida com relação ao futuro dessas transmissões e ao próprio futebol europeu que ouço sempre comentários sobre as dificuldades financeiras. Ou seja, apesar das ações de marketing muito bem sucedidas e as contratações milionárias, fatores como dívidas e atrasos de salários de jogadores também podem afetar clubes que são os carros chefes do futebol europeu.
    Percebo também que, mais do que nunca, o futebol da Europa sente-se incomodado pela economia da América do Sul, principalmente do Brasil, onde jogadores já acenam para uma melhor reflexão antes de partirem para o Velho Continente.

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